![]() |
| Um MQ-9A transportando um pod lançador de foguetes LAU-131 A/A equipado com foguetes inertes AGR-20 APKWS guiados a laser. (Crédito da imagem: GA-ASI) |
A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) deu mais um passo na adaptação do MQ-9A Reaper para o cenário moderno de guerra aérea ao testar com sucesso o emprego de foguetes guiados APKWS II na aeronave remotamente pilotada.
A integração, realizada em parceria com a General Atomics Aeronautical Systems (GA-ASI), busca transformar o tradicional drone de vigilância e ataque em uma plataforma especializada no combate a veículos aéreos não tripulados de baixo custo.
Os testes ocorreram no Nevada Test and Training Range e envolveram disparos contra alvos terrestres e aéreos. Segundo a GA-ASI, todas as etapas da campanha foram concluídas com êxito, demonstrando a viabilidade operacional do novo armamento embarcado no Reaper.
O APKWS II, desenvolvido pela BAE Systems, converte foguetes Hydra 70 de 70 mm em munições guiadas por laser de alta precisão. O sistema ganhou relevância recente em operações norte-americanas no Oriente Médio, especialmente devido ao baixo custo de interceptação quando comparado ao uso de mísseis ar-ar convencionais.
A crescente proliferação de drones kamikaze e enxames de UAVs no campo de batalha vem obrigando os militares dos EUA a buscar soluções mais econômicas para defesa aérea de curto alcance. Em diversos conflitos recentes, caças tripulados chegaram a utilizar mísseis AIM-9X Sidewinder e AIM-120 AMRAAM — armamentos de alto custo — para destruir drones relativamente baratos.
Nesse cenário, o MQ-9A surge como uma alternativa operacional mais eficiente. Além do custo por hora de voo significativamente inferior ao de aeronaves de caça, o Reaper possui elevada autonomia e capacidade de permanecer longos períodos em patrulha aérea, tornando-se uma plataforma ideal para missões persistentes de vigilância e interceptação.
Outro fator considerado estratégico é a capacidade de carga da aeronave. Dependendo da configuração, o MQ-9 pode transportar múltiplos lançadores de foguetes LAU-131, permitindo o emprego simultâneo de dezenas de foguetes APKWS guiados.
Isso cria a possibilidade de enfrentar ataques em massa conduzidos por enxames de drones, algo que vem preocupando cada vez mais os planejadores militares ocidentais.
A empresa destacou que a integração foi realizada em prazo reduzido, evidenciando a rapidez com que a indústria norte-americana vem tentando adaptar sistemas existentes às novas exigências operacionais do combate moderno. Esta iniciativa demonstra a flexibilidade da plataforma MQ-9 para incorporar novos sensores e armamentos em ritmo acelerado.
A adoção do APKWS também reforça uma tendência crescente nas forças armadas dos Estados Unidos: utilizar sistemas mais baratos e escaláveis para enfrentar ameaças assimétricas sem consumir estoques estratégicos de mísseis avançados.
O conceito ganhou força após operações no Mar Vermelho e no Oriente Médio, onde drones e munições vagantes passaram a representar ameaças constantes contra navios e bases militares americanas.
Embora o MQ-9 Reaper tenha sido originalmente concebido para missões de reconhecimento e ataque contra alvos terrestres, os testes recentes indicam que a plataforma poderá assumir futuramente novas funções no ecossistema de defesa aérea norte-americano, atuando como interceptador persistente de baixo custo em ambientes de conflito de média e alta intensidade.

Nenhum comentário:
Postar um comentário