Washington planeja reestruturar obrigações militares e pressiona aliados europeus diante de tensões transatlânticas crescentes.
Em um movimento que eleva a pressão sobre a arquitetura de segurança na Europa, os Estados Unidos pretendem reduzir significativamente as contribuições militares de prontidão reservadas para o suporte a aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em períodos de crise.
De acordo com informações publicadas pelo periódico alemão Der Spiegel e confirmadas por fontes da agência Reuters, as reduções propostas por Washington afetam diretamente vetores estratégicos convencionais, incluindo caças de combate, navios de guerra, aeronaves de reabastecimento em voo e sistemas não tripulados, além da retirada integral de submarinos dos planos de contingência da Aliança.
O plano foi apresentado formalmente a altos funcionários dos Estados-membros na sede da OTAN, em Bruxelas, pelo enviado americano Alexander Velez-Green, atuando em coordenação com as diretrizes do Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth.
A proposta estipula que o Pentágono planeia disponibilizar apenas metade do número anterior de bombardeiros estratégicos para a Aliança. No espectro aéreo, o contingente de caças americanos mobilizáveis deverá sofrer uma redução de um terço.
No plano naval, a Marinha dos EUA reduzirá a oferta de contratorpedeiros (destroyers) e cessará por completo o fornecimento de submarinos para os planejamentos operacionais de emergência da OTAN.
A reestruturação também transfere encargos tecnológicos: a Europa será compelida a prover as suas próprias plataformas de drones de reconhecimento, enquanto os EUA cortarão substancialmente o fornecimento de modelos armados.
A iniciativa surge em um momento de tensões sem precedentes na Aliança Atlântica. O presidente americano Donald Trump tem criticado de forma reiterada os aliados europeus pelo nível de despesas militares e prometeu retirar milhares de soldados posicionados na Alemanha.
O cenário diplomático foi tensionado ainda mais por ambições de Washington em assumir o controle da Groenlândia (território ultramarino dinamarquês) e por críticas severas da Casa Branca à suposta falta de apoio europeu na reabertura do Estreito de Ormuz para a navegação mercantil, no contexto da guerra contra o Irã.
Diante deste panorama, o governo americano chegou a manifestar publicamente que cogita a desvinculação da Aliança e questionou o cumprimento do pacto de defesa mútua.
Os detalhes operacionais específicos sobre a nova composição e a transição das forças deverão ser formalizados pelos Estados Unidos durante uma conferência de geração de forças programada para o início de junho. Questionado pela reportagem, o Ministério da Defesa da Alemanha não emitiu comentários imediatos sobre o impacto das medidas.
Oficialmente, a liderança da OTAN adotou uma postura de readequação institucional. Uma porta-voz da Aliança confirmou ao Spiegel que o planeamento de forças sofria historicamente de uma "dependência excessiva" em relação aos recursos norte-americanos.
O gabinete da organização enfatizou que, com o recente incremento nos investimentos de defesa por parte dos países europeus e do Canadá, a reorganização das responsabilidades militares dentro da Aliança apresenta-se como um passo lógico para a reformulação estratégica regional.




Nenhum comentário:
Postar um comentário