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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Estados Unidos miram transformar o AC-130J Ghostrider em plataforma de ataque de longo alcance com novo míssil AGM-190A

Nova combinação com radar AESA pode transformar o tradicional gunship da Força Aérea dos EUA em plataforma de ataque stand-off com alcance superior a 400 milhas náuticas

O Comando de Operações Especiais dos Estados Unidos (USSOCOM) está se preparando para iniciar testes do AC-130J Ghostrider equipado com o novo míssil de cruzeiro leve AGM-190A Havoc Spear e um radar AESA de varredura eletrônica ativa. 

A combinação promete transformar profundamente o perfil operacional do tradicional gunship, ampliando sua capacidade de ataque de precisão para distâncias superiores a 400 milhas náuticas.

As informações foram divulgadas durante a SOF Week 2026, realizada em Tampa, na Flórida, poucos dias após o Air Force Special Operations Command (AFSOC) confirmar oficialmente a designação do novo armamento.

A iniciativa marca uma mudança importante na doutrina de emprego do AC-130J. Historicamente utilizado em missões de apoio aéreo aproximado orbitando áreas de combate em baixa velocidade, o Ghostrider poderá passar a operar em ataques stand-off, permanecendo fora do alcance de grande parte das defesas antiaéreas modernas.

Novo sistema amplia autonomia de detecção e engajamento

O projeto integra um míssil de longo alcance a um radar AESA embarcado, permitindo que a aeronave detecte, acompanhe e ataque alvos sem depender integralmente de plataformas externas para aquisição de dados de alvo.

Além da simples integração de um novo armamento, o programa busca inserir o AC-130J de forma mais profunda nas futuras “kill chains” conjuntas das Forças Armadas dos EUA, conectando sensores, comunicações, sistemas de missão e munições guiadas em uma arquitetura mais resiliente e adaptável para guerras modernas de operações especiais.

AC-130J mantém forte capacidade de apoio aproximado

O AC-130J Ghostrider é atualmente uma das aeronaves de apoio aéreo mais fortemente armadas em operação no mundo.

Baseado na célula do cargueiro C-130J Super Hercules, o modelo recebeu o pacote Precision Strike Package (PSP), que inclui consoles avançados de gerenciamento de missão, sistemas robustos de comunicação, sensores eletro-ópticos e infravermelhos, além de sofisticados sistemas de controle de tiro.

A aeronave é equipada com quatro motores turboélice Rolls-Royce AE2100D3, cada um produzindo cerca de 4.700 hp, permitindo alcance aproximado de 3.000 milhas antes do reabastecimento em voo. Atualmente, a frota operacional da USAF conta com cerca de 37 unidades do AC-130J.

A tripulação inclui:

  • dois pilotos;
  • dois oficiais de sistemas de combate;
  • quatro aviadores de missão especial.

Essa estrutura permite que o Ghostrider execute processos de aquisição e engajamento de alvos com maior coordenação do que aeronaves de ataque monoposto.

Arsenal atual ainda exige aproximação do alvo

O armamento tradicional do AC-130J é voltado principalmente para:

  • apoio aéreo aproximado;
  • interdição aérea;
  • reconhecimento armado;
  • escolta de comboios;
  • apoio a tropas em contato;
  • defesa pontual.

Entre os sistemas embarcados estão:

  • canhão automático de 30 mm;
  • obuseiro de 105 mm;
  • bombas GBU-39 Small Diameter Bomb;
  • GBU-69 Small Glide Munition;
  • mísseis AGM-114 Hellfire;
  • AGM-176 Griffin.

Embora essas armas permitam ataques de precisão, seus alcances ainda obrigam o AC-130J a operar relativamente próximo da área-alvo, expondo a aeronave a ameaças como:

  • sistemas SAM móveis;
  • armas antiaéreas de curto alcance;
  • MANPADS;
  • artilharia pesada.

AGM-190A Havoc Spear amplia alcance para mais de 740 km

O AGM-190A Havoc Spear surge justamente para preencher essa lacuna operacional. Segundo a empresa Leidos, responsável pelo programa, o míssil pertence à classe de 200 libras e demonstrou alcance superior a 400 milhas náuticas — cerca de 740 quilômetros — durante testes realizados a partir de aeronaves C-130.

A arma foi desenvolvida com arquitetura modular e software de sistema aberto, permitindo futuras adaptações de missão. Em março de 2025, um voo de testes realizado a partir de um AC-130J — quando o projeto ainda utilizava a designação “Black Arrow” — validou:

  • integração com a aeronave;
  • transferência de waypoints;
  • precisão de navegação;
  • desempenho do sistema;
  • integração com o Battle Management System do Naval Surface Warfare Center.

Radar AESA permitirá busca e rastreamento em longas distâncias

Outro elemento central do programa é a instalação de um radar AESA embarcado. Documentos orçamentários do USSOCOM para o ano fiscal de 2027 indicam recursos destinados à aquisição, integração e testes do novo radar no âmbito do Precision Strike Package.

O orçamento prevê:

  • US$ 58,8 milhões para atualizações do programa;
  • US$ 8,5 milhões para aquisição de um radar AESA;
  • US$ 4,6 milhões para instalação;
  • US$ 17,3 milhões em atualizações de software e hardware.

A Northrop Grumman deverá fornecer o sistema a partir de sua unidade em Linthicum, Maryland, com primeira entrega prevista para janeiro de 2029. Embora o modelo exato ainda não tenha sido oficialmente confirmado, especialistas apontam o AN/APG-83 SABR como principal candidato.

O radar, derivado de tecnologias empregadas nos F-22 Raptor e F-35 Lightning II, oferece:

  • busca aérea e terrestre de longo alcance;
  • rastreamento simultâneo de múltiplos alvos;
  • mapeamento de alta resolução;
  • operação em condições climáticas adversas;
  • maior resistência à guerra eletrônica.

Ghostrider poderá atuar fora do alcance de muitas defesas aéreas

Especialistas observam que a nova configuração não transformará o AC-130J em um bombardeiro penetrador stealth. A aeronave ainda dependerá de apoio de inteligência, guerra eletrônica e supressão de defesas inimigas em cenários altamente contestados.

Ainda assim, o novo conceito operacional muda significativamente a forma de emprego do Ghostrider.

Com o AGM-190A, o AC-130J poderá atacar:

  • centros de comando;
  • radares;
  • lançadores de mísseis;
  • instalações logísticas;
  • embarcações leves;
  • alvos sensíveis de oportunidade;

sem precisar permanecer orbitando diretamente sobre a área de combate.

Após os lançamentos, a aeronave ainda poderá continuar fornecendo:

  • vigilância;
  • retransmissão de comunicações;
  • apoio aéreo;
  • reconhecimento;
  • coordenação tática.

Programa mira cenários do Indo-Pacífico e guerra moderna

Analistas avaliam que a combinação entre o AGM-190A Havoc Spear e o radar AESA responde diretamente às novas exigências operacionais enfrentadas pelos Estados Unidos, especialmente em cenários de alta intensidade no Indo-Pacífico.

Enquanto o míssil amplia drasticamente o alcance ofensivo da aeronave, o radar fortalece sua capacidade orgânica de aquisição de alvos. Já as atualizações do Precision Strike Package integram todo o sistema ao processo de decisão e engajamento da tripulação.

Caso os testes confirmem o desempenho esperado, o AC-130J poderá deixar de ser apenas uma plataforma clássica de apoio aproximado para assumir também funções estratégicas de ataque stand-off em guerras futuras, onde permanecer sobre o alvo já não é mais uma opção viável.

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