Programa emergencial adaptou o sistema laser-guiado APKWS aos Strike Eagles após ataques maciços de drones iranianos expuserem o alto custo de usar mísseis AIM-120 e AIM-9 contra alvos baratos
Diante do crescimento da ameaça, representada por drones de fabricação iraniana, a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) conduziu, em 2025, uma integração emergencial de foguetes guiados a laser em seus caças F-15E Strike Eagle baseados no Oriente Médio.
A revelação foi feita pelo Brig. Gen. Mark A. Massaro, chefe do Air Force Test Center, durante a conferência Air, Space & Cyber da Air & Space Forces Association (AFA), realizada em National Harbor, Maryland, no dia 16 de setembro.
Segundo Massaro, a nova capacidade foi validada e colocada em operação em cerca de uma semana, um ritmo considerado incomum para um programa de integração de armamento.
Do conceito à linha de frente em nove dias
O sistema em questão é o Advanced Precision Kill Weapon System (APKWS), originalmente concebido como munição ar-superfície: um kit de guiamento a laser acoplado aos foguetes não guiados Hydra-70, transformando-os em armas de precisão.
A Força Aérea, já havia testado o conceito em papel ar-ar em 2019, em caças F-16 Fighting Falcon, mas por anos o projeto permaneceu como prova de conceito, sem aplicação real em combate. O cenário mudou com a intensificação do uso de drones iranianos em conflitos recentes. O sistema foi primeiro apressado para os F-16 em 2024 e, na sequência, priorizado para os F-15E em 2025.
De acordo com Massaro, nove dias após o início dos testes, em maio do ano passado, o armamento já estava sendo instalado em Strike Eagles em operação no exterior.
"Ao final da primeira semana, já tínhamos demonstrado, tanto do ponto de vista de desenvolvimento quanto operacional, que se tratava de uma capacidade utilizável, e implantamos essa capacidade ainda na primeira semana", afirmou Massaro. "Levamos parte da nossa equipe de manutenção e de testadores para o teatro de operações, para ajudar naquela primeira semana."
Segundo o general, o episódio ilustra a capacidade do Air Force Test Center de "fazer a ponte entre o conceito bruto e o poder de combate decisivo". Massaro participou dos testes do APKWS quando comandava a 96ª Ala de testes, unidade responsável pelos testes de desenvolvimento de armamentos da Força Aérea, em conjunto com a 53ª Ala, encarregada dos testes operacionais.
O custo por trás da urgência
A pressão para adaptar o APKWS ao uso ar-ar tem origem econômica. Até então, a USAF dependia de mísseis AIM-120 AMRAAM, guiados por radar, e AIM-9 Sidewinder, guiados por infravermelho, para abater os relativamente baratos drones Shahed, de fabricação iraniana usados em ataques do tipo "one-way attack" (munições suicidas).
Cada AMRAAM custa cerca de US$ 1 milhão, enquanto os AIM-9 variam entre centenas de milhares de dólares, dependendo da variante — o modelo mais avançado, o AIM-9X, custa em torno de US$ 500 mil, segundo dados citados pela reportagem original.
O desequilíbrio ficou evidente no ataque maciço do Irã contra Israel, em 13 de abril de 2024, quando Teerã lançou cerca de 300 projéteis entre drones, mísseis balísticos e mísseis de cruzeiro, numa tentativa de saturar as defesas aéreas israelenses.
Caças F-15E dos esquadrões 335th e 494th Fighter Squadron, cada um carregando até oito mísseis ar-ar, além de F-16 do 121st Fighter Squadron, tentaram interceptar os drones sobre o Iraque. A intensidade do ataque esgotou rapidamente o estoque de mísseis de várias aeronaves, e três tripulações de F-15E chegaram a tentar, sem sucesso, lançar bombas JDAM guiadas a laser contra os drones.
Embora os caças americanos tenham contribuído para neutralizar o ataque, o custo da operação foi considerado elevado, o que impulsionou o esforço de adaptação do APKWS — cujo preço unitário gira em torno de US$ 35 mil, segundo oficiais da Força Aérea citados na matéria original.
Do F-16 ao F-15E: a trajetória do AGR-20F FALCO
Batizada de AGR-20F FALCO, a versão ar-ar do foguete APKWS foi empregada pela primeira vez em F-16 ainda em 2024.
Posteriormente, teve início o trabalho de integração ao F-15E na Base Aérea de Eglin, na Flórida, conduzido em meados de 2025 pelo Air Force Seek Eagle Office (AFSEO), vinculado à 96ª Ala — a mesma equipe que já havia liderado a integração do sistema aos F-16.
"Essa foi uma abordagem de teste muito integrada entre as áreas operacional e de desenvolvimento", explicou Massaro.
"Estávamos sobrepondo missões exatamente no mesmo dia, voando juntos. Na segunda semana, com nossos mantenedores e alguns pilotos já no teatro de operações, os testadores operacionais continuavam refinando as táticas, e conseguíamos transmitir essas táticas atualizadas por telefone e meios digitais. Ao final daquela segunda semana, já tinham táticas atualizadas, equipamento e tudo pronto, e conseguiram empregar a capacidade rapidamente depois disso."
No início de 2025, a equipe enfrentou dificuldades para encontrar uma forma de fixar os foguetes no F-15E e conectá-los à aeronave de modo que pudessem ser disparados. Em maio daquele ano, uma solução foi encontrada, e a integração passou a ser prioridade máxima. Tripulações de outros esquadrões, conduziram missões de teste e disparos reais contra alvos em terra e sobre a água.
A Força Aérea, não revelou o local exato onde o sistema foi empregado pela primeira vez em combate, mas fontes oficiais confirmaram que, o uso ar-ar do APKWS ocorreu inicialmente no Oriente Médio, área de responsabilidade do Comando Central dos EUA (CENTCOM).
Capacidade técnica e limitações
Os foguetes APKWS são fornecidos em pods de sete unidades, sendo possível instalar múltiplos pods por aeronave — o F-15E pode carregar até 42 foguetes APKWS. Diferentemente dos mísseis mais caros de "disparar e esquecer" (fire-and-forget), o guiamento do APKWS exige que o alvo seja iluminado por laser ("lased") durante todo o engajamento, o que torna o sistema mais adequado para neutralizar alvos de voo lento, como os drones de ataque suicida do tipo one-way attack.
Ameaça em escala crescente com a Operação Epic Fury
Desde o início da Operação Epic Fury, em 28 de fevereiro, o Irã já disparou mais de 6.000 drones e 1.500 mísseis balísticos, com números em crescimento, segundo autoridades americanas citadas na reportagem original.
O que há dois anos era considerado um evento excepcional tornou-se, segundo a publicação, uma ameaça rotineira. F-16 que operam nas proximidades do Estreito de Ormuz, do Golfo Pérsico e do Golfo de Omã — regiões onde o Irã tem repetidamente atacado embarcações, incluindo navios da Marinha americana, com drones e mísseis — passaram a voar com pods de APKWS para caçar esses alvos.
Helicópteros Apache do Exército dos EUA também já dispõem de capacidade recém-implementada de disparo de foguetes APKWS em função ar-ar, reforçando a necessidade de proteção das bases americanas na região.
O ex-comandante do Air Forces Central, Ten. Gen. Derek C. France, que deixou o cargo no mês passado, classificou o uso do APKWS como um dos principais avanços de sua gestão. "Do ponto de vista técnico, é uma questão de 'preciso de mais armamento no meu avião', e é isso que o APKWS oferece: um pod com sete unidades contra um único AIM-9. Você consegue abater muito mais drones quando eles chegam em enxames", disse France.
Fonte: Air & Space Forces Magazine, por Chris Gordon (18 de setembro de 2026) — https://www.airandspaceforces.com/air-force-f-15s-drone-busting-rockets-middle-east/ — Tradução e adaptação textual: DefesaTVNews



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