Segundo porta-aviões da classe Gerald R. Ford se aproxima da entrega após anos de atrasos ligados a elevadores de armas e sistema de lançamento eletromagnético
O segundo porta-aviões nuclear da classe Gerald R. Ford, o USS John F. Kennedy (CVN-79), deixou na quarta-feira, 12 de agosto, o estaleiro da Newport News Shipbuilding, da Huntington Ingalls Industries (HII), na Virgínia, para dar início aos testes de aceitação no mar.
A saída ocorre após anos de atrasos e mudanças de equipamento determinadas pela Marinha e pelo Congresso norte-americano. A embarcação passa agora por uma etapa decisiva antes de ser formalmente incorporada à frota americana.
Testes avaliam sistemas críticos antes da entrega
Em comunicado divulgado nas redes sociais na quarta-feira, a HII informou que o Kennedy deixou sua divisão de Newport News Shipbuilding para iniciar os testes de aceitação no mar, que avaliarão sistemas e componentes importantes da embarcação.
A companhia destacou que os testes irão verificar: propulsão, sistemas de armas e outros equipamentos, cujos resultados serão avaliados pela Junta de Inspeção e Levantamento (Board of Inspection and Survey) da Marinha dos Estados Unidos, responsável por decidir se o navio atende às especificações contratuais antes da entrega.
Os testes de aceitação sucedem os chamados "builder's trials", fase anterior concluída pelo estaleiro em fevereiro, quando o navio passou cerca de uma semana no mar, na primeira navegação de sua história. Antes disso, o Kennedy já havia sido submetido a testes iniciais de propulsão nuclear no Rio James, em setembro de 2025.
Atrasos ligados a elevadores de armas e sistema de lançamento
O cronograma do CVN-79 sofreu sucessivas revisões ao longo dos últimos anos. Entre os fatores que motivaram os atrasos estão a certificação do Sistema Avançado de Aparelhamento (Advanced Arresting Gear, AAG) e os trabalhos nos Elevadores Avançados de Armas (Advanced Weapons Elevators, AWE), além da incorporação, ainda durante a construção, de capacidades que normalmente seriam adicionadas somente após a entrega.
Até o momento, sete dos onze elevadores avançados de armas do navio já foram entregues. Diferentemente do USS Gerald R. Ford (CVN-78), primeiro navio da classe, que segue sem capacidade de operar o caça de quinta geração F-35C Lightning II, o Congresso americano determinou que o CVN-79 fosse capaz de embarcar o Joint Strike Fighter já em seu primeiro destacamento operacional.
Em junho, um trenó de carga morta (deadload sled) foi lançado do convés de voo do Kennedy por meio do sistema eletromagnético de lançamento de aeronaves (EMALS), durante testes realizados em 26 de junho de 2026.
Entrega prevista para 2027 em meio a lacuna na frota de porta-aviões
O cronograma atual prevê a entrega formal do porta-aviões à Marinha para março de 2027. O executivo-chefe da HII, Chris Kastner, afirmou a analistas neste ano que a companhia estava concentrada em deixar o Kennedy pronto para os testes de aceitação até o fim de 2026.
A entrega da embarcação ganha relevância estratégica em um momento de transição para a frota americana de porta-aviões. O USS Nimitz (CVN-68), navio líder de sua classe e projetado para cerca de 50 anos de serviço, está programado para iniciar sua desativação em 2026, o que deve reduzir o número de porta-aviões ativos de 11 para 10 até a chegada do Kennedy à frota.
O Congresso exige que a Marinha mantenha 11 porta-aviões em operação, e a chegada do CVN-79 é vista como um passo para fechar essa lacuna. Outros dois porta-aviões da classe Ford seguem em construção em Newport News: os futuros USS Enterprise (CVN-80) e USS Doris Miller (CVN-81).



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