Casa Branca nega escassez, mas dados do Pentágono confirmam consumo elevado de mísseis ATACMS e interceptadores; Trump chama vazadores de "traidores" e ameaça penas de prisão
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou a abertura de novas investigações sobre os vazamentos que revelaram o esgotamento de estoques de munições do Pentágono durante a guerra contra o Irã, segundo informações publicadas pelo Wall Street Journal (WSJ) e confirmadas por outros veículos americanos nesta semana.
A medida foi tomada em Washington após semanas de reportagens descrevendo a redução significativa de itens estratégicos do arsenal americano, incluindo mísseis de precisão de longo alcance e interceptadores antiaéreos, consumidos ao longo de cinco meses de conflito.
Segundo autoridades da administração, a irritação do presidente cresceu por considerar que as revelações projetam fraqueza dos Estados Unidos diante de Teerã, justamente no momento em que Washington busca pressionar o regime iraniano a desmantelar seu programa nuclear.
Segundo a imprensa americana, a Casa Branca, pressionou o Departamento de Justiça a identificar e processar os responsáveis pelos vazamentos, com Trump classificando os autores como "traidores" e ameaçando publicamente "longas penas de prisão" para quem for identificado.
Origem da irritação presidencial
De acordo com o WSJ, a frustração de Trump se intensificou nas últimas semanas, e um alto funcionário da administração afirmou que as manchetes negativas sobre o tema deixaram o presidente "enlouquecido".
O jornal também relata que Trump teria demonstrado insatisfação com o secretário de Defesa, Pete Hegseth, durante uma reunião de gabinete em Camp David na semana passada — episódio noticiado inicialmente pelo Washington Post e negado publicamente pela Casa Branca, que, segundo o próprio Post, mantém a veracidade da reportagem.
Ainda conforme o WSJ, pouco depois do encontro em Camp David, Trump teria telefonado diretamente ao subsecretário de Defesa, Stephen Feinberg, responsável há um ano por um esforço de aceleração da produção de munições, para discutir o nível dos estoques do Pentágono.
Números e reportagens que motivaram as investigações
Reportagem da agência Reuters, publicada na terça-feira, indicou que o Exército americano consumiu parcela significativa de seu estoque de mísseis de precisão de longo alcance ao longo dos cinco meses de guerra.
Duas fontes ouvidas pela agência afirmaram que praticamente a totalidade dos mísseis ATACMS e dos Precision Strike Missiles disponíveis já teria sido utilizada. A própria Reuters, no entanto, informou não ter tido acesso direto aos números oficiais, e o Pentágono não divulgou publicamente os volumes remanescentes de seus estoques — o que impede confirmação independente das alegações.
Antes do início da ofensiva contra o Irã, há cerca de cinco meses, o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, e outros assessores seniores já haviam alertado Trump de que uma campanha militar de larga escala, poderia "baixar" significativamente os estoques de misseis interceptadores antiaéreos e ofensivos.
Casa Branca nega escassez generalizada
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, declarou publicamente que os Estados Unidos possuem "mais poder de fogo do que o necessário" para conduzir qualquer missão militar autorizada pelo presidente. Trump, por sua vez, escreveu na rede Truth Social que os estoques de munições de médio calibre seriam "efetivamente ilimitados", embora tenha reconhecido que os itens de ponta — como mísseis de precisão e interceptadores — estariam abaixo dos níveis desejados.
Segundo análise do Center for Strategic and International Studies (CSIS) citada pela imprensa americana, a reposição de quatro sistemas de mísseis fortemente utilizados durante o conflito poderia levar ao menos dois anos, e alguns estoques específicos poderiam demorar mais de três anos para retornar aos níveis anteriores à guerra — um cenário que, segundo analistas, favoreceria a estratégia iraniana de forçar Washington a desgastar seus próprios recursos militares.
Pedido bilionário ao Congresso
A administração federal, solicitou ao Congresso em diversas ocasiões desde abril, recursos para repor os estoques de munições, mas os pedidos permanecem sem aprovação definitiva.
Segundo documentos orçamentários do Pentágono, a Casa Branca busca um total sem precedentes de US$ 1,5 trilhão em financiamento anual para o Departamento de Defesa, dos quais US$ 350 bilhões seriam viabilizados por meio de reconciliação orçamentária — mecanismo que permite aprovação no Senado por maioria simples, sem necessidade dos 60 votos normalmente exigidos.
Do total solicitado, US$ 52,9 bilhões são destinados especificamente a munições. Um pedido adicional de US$ 67 bilhões, majoritariamente para cobrir custos da guerra contra o Irã, inclui US$ 21 bilhões voltados à reposição dos estoques esgotados durante o conflito.
Suspeitas internas
Segundo a CNN, funcionários da Casa Branca afirmaram que Trump não atribui a Hegseth a responsabilidade pelos vazamentos, direcionando sua irritação exclusivamente aos responsáveis pelas divulgações.
Parte da administração suspeita que as informações estejam sendo repassadas por integrantes do próprio governo contrários à continuidade da guerra, na tentativa de pressionar o presidente a encerrar o envolvimento militar americano no conflito.

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