Exercício Dragon Rider conectou aeronave, drones, fuzileiros navais e centro de comando ao longo de mais de 320 km no sul da Inglaterra
A Marinha Real do Reino Unido (Royal Navy) concluiu o Exercício Dragon Rider, no qual um helicóptero Wildcat HMA2 modificado atuou como nó de retransmissão de dados entre múltiplos drones, fuzileiros navais e equipes de comando espalhados pelo sul da Inglaterra.
Realizado entre a Península de Lizard, Somerset e a Planície de Salisbury, o teste cobriu mais de 320 km e foi conduzido pelo Maritime Aviation Strike Operational Advantage Group, sediado na Base Aérea Naval de Yeovilton (RNAS Yeovilton), conforme informações publicadas pela Marinha Real em 5 de agosto.
Helicóptero como elo de comunicação entre drones e centro de controle
Durante o exercício, uma aeronave especialmente modificada transmitiu imagens e dados coletados por sistemas não tripulados até um centro de controle instalado em Yeovilton.
Com isso, o Wildcat deixou de depender exclusivamente de seus próprios sensores para localizar alvos, passando a funcionar como uma espécie de portal aéreo entre drones posicionados à frente, operadores em terra e comandantes a bordo de um navio ou de um grupo-tarefa naval.
A arquitetura busca resolver uma limitação conhecida dos pequenos drones táticos. O peso reduzido facilita o lançamento a partir de terra ou de embarcações, mas também restringe a potência disponível para comunicações e, consequentemente, o alcance dos enlaces diretos de controle.
Ao posicionar o Wildcat em altitude, entre os drones e a estação de controle, a Marinha Real consegue contornar parcialmente as restrições de horizonte de rádio e o bloqueio causado pelo relevo.
Um único helicóptero pode receber diversos sinais de vídeo simultaneamente, redistribuí-los e permitir que operadores assumam o controle das aeronaves a distâncias maiores do que as normalmente suportadas pelas estações terrestres.
Da fase inicial em Cornualha ao salto de escala em Dragon Rider
O Wildcat, equipado com sensores e sistemas de comunicação adicionais, funcionou como retransmissor entre vários drones em operação no sul da Inglaterra e uma instalação central de controle. Os participantes receberam múltiplos sinais de vídeo em tempo real, trocaram mensagens seguras e assumiram o controle dos drones através da rede formada.
O Dragon Rider é a segunda fase de um processo que começou com o Exercício Eagles Eye, realizado na Cornualha em janeiro de 2026. Naquela primeira etapa, um Wildcat do 815 Naval Air Squadron recebeu dados de um drone RQ-20 Puma da própria Marinha Real e de um drone Providence operado pela empresa UAV Aerosystems.
A tripulação do 700X Naval Air Squadron, também controlou o drone de dentro do helicóptero. As imagens captadas e combinadas a informações de sensores terrestres, foram usadas para localizar e acompanhar um veículo em movimento, em preparação para um engajamento simulado com mísseis Martlet.
A principal novidade do Dragon Rider está na escala da operação. Enquanto o Eagles Eye demonstrou que uma tripulação poderia receber informações de vários sensores e controlar um drone a partir do Wildcat, o exercício mais recente conectou plataformas e operadores dispersos por centenas de quilômetros.
O controle deixou de estar vinculado a uma única cabine e passou a poder ser transferido entre o centro de Yeovilton, o helicóptero e outros nós da rede — um modelo pensado para viabilizar o lançamento de drones a partir de diferentes navios ou por fuzileiros navais operando em terra.
Rede em malha e próximos passos
Nesse tipo de rede em malha, cada rádio pode retransmitir dados de outro nó da cadeia. Caso uma rota seja bloqueada, interferida ou fique indisponível, a informação pode ser redirecionada por outros transmissores ativos.
O arranjo melhora a resiliência das comunicações, mas não elimina restrições ligadas à largura de banda, à interferência eletrônica e à detectabilidade de emissões ativas. O próximo passo anunciado pela Marinha Real é a integração de comunicações via satélite, o que permitiria controlar drones destacados no exterior a partir de uma instalação no Reino Unido.
Aplicação contra embarcações rápidas e vigilância costeira
A aplicação operacional mais evidente da tecnologia está no combate a embarcações de ataque rápido e no monitoramento de aproximações costeiras. Durante o Exercício Tamber Shield 2026, realizado na Noruega, helicópteros Wildcat britânicos já haviam operado com drones contra lanchas rápidas nos fiordes ao redor de Bergen.
Em um ambiente desse tipo, vários drones Providence ou Puma poderiam ser posicionados à frente de uma fragata para observar diferentes enseadas, rastrear contatos ocultos pelo relevo e transmitir suas localizações ao Wildcat.
O helicóptero permaneceria atrás dos sensores avançados, combinando as imagens recebidas com dados de radar, e só se aproximaria quando fosse necessária identificação visual ou um engajamento com mísseis Martlet.
No Mar do Norte, nos fiordes noruegueses ou nas aproximações do Báltico, esse arranjo permitiria monitorar diversos canais, fundeadouros e rotas de navegação sem manter vários Wildcats simultaneamente no ar.
A arquitetura também poderia apoiar a proteção de grupos de porta-aviões, o reconhecimento prévio a um desembarque de fuzileiros navais ou a designação de uma embarcação hostil além do alcance visual direto.
Para o Reino Unido e seus parceiros na Joint Expeditionary Force, o modelo oferece uma forma de cobrir uma área mais ampla com um número limitado de aeronaves tripuladas, reduzindo o tempo em que os helicópteros permanecem ao alcance de defesas aéreas hostis.

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