ADA revisa cronograma de testes de voo, critérios financeiros e exigências técnicas para a fase de desenvolvimento de protótipos do futuro caça de quinta geração indiano
A Aeronautical Development Agency (ADA), agência responsável pelo desenvolvimento do Advanced Medium Combat Aircraft (AMCA), reemitiu nesta semana a Solicitação de Proposta (RFP, na sigla em inglês) referente à fase de desenvolvimento de protótipos do programa.
O novo edital traz termos revisados e amplia o prazo para que os consórcios industriais já pré-selecionados apresentem suas propostas, com abertura marcada para o dia 28 de agosto.
A reabertura do processo atende a pedidos dos consórcios concorrentes, que solicitaram mais tempo para preparar a documentação técnica e comercial exigida. Entre as principais mudanças estão ajustes nos testes de voo, nas regras financeiras, no cálculo dos custos de manutenção, na infraestrutura de testes e nas responsabilidades sobre o manuseio de materiais fornecidos pelo governo.
O objetivo segue o mesmo: selecionar um parceiro industrial para conduzir a fase de desenvolvimento e voo dos protótipos.
O AMCA é o caça furtivo multifuncional de quinta geração desenvolvido pela ADA sob a Organização de Pesquisa e Desenvolvimento em Defesa (DRDO). O projeto prevê uma aeronave monoposto e bimotor, destinada à Força Aérea Indiana, com design de baixa assinatura de radar, compartimentos internos de armamento, aviônica avançada e fusão de sensores.
O Comitê do Gabinete para Segurança (CCS) já havia aprovado a fase de desenvolvimento de protótipos, com orçamento estimado entre US$ 1,8 a US$ 1,9 bilhão.
Três consórcios do setor privado disputam o contrato
O edital revisado foi enviado a três licitantes pré-qualificados do setor privado: a Tata Advanced Systems Limited (TASL), que concorre isoladamente; o consórcio formado por Larsen & Toubro e Bharat Electronics Limited, em parceria com a Dynamatic Technologies; e o grupo Bharat Forge-BEML, associado à Data Patterns.
A Hindustan Aeronautics Limited (HAL), tradicional fabricante de aeronaves militares indianas, não participa desta etapa específica de desenvolvimento de protótipos.
Segundo as condições do edital, a empresa vencedora terá até três meses após a assinatura do contrato para constituir uma nova companhia dedicada exclusivamente à execução do projeto. A operação será baseada no Centro de Integração Central e Testes de Voo da ADA, em Puttaparthi, no estado de Andhra Pradesh, cuja pedra fundamental foi lançada em maio de 2026.
Programa de testes de voo é ampliado
O novo edital expande o escopo da campanha de testes de voo do AMCA. O parceiro industrial selecionado precisará fabricar e testar cinco protótipos distintos. De acordo com o cronograma revisado, a campanha completa contemplará 1.800 voos de teste, a serem concluídos até o 84º mês do projeto.
Cronogramas anteriores do RFP já previam o primeiro voo do protótipo por volta do 30º mês após a assinatura do contrato, com a conclusão da campanha completa de testes antes de o programa avançar para a produção em série.
Novas regras financeiras e de manutenção
Uma das mudanças mais relevantes do edital revisado envolve o abandono da taxa Libor (London Interbank Offered Rate) como referência para cálculos de juros em pagamentos e reembolsos específicos do contrato. No lugar dela, passa a valer a taxa MCLR (Marginal Cost of Funds Based Lending Rate) do State Bank of India, principal banco público indiano.
A ADA também revisou a fórmula de custos de manutenção da frota de protótipos. O custo anual estimado para a manutenção dos cinco protótipos foi fixado em 5% do custo total das aeronaves.
As futuras revisões desses valores passam a ser vinculadas ao Índice de Preços ao Consumidor (CPI) e ao Índice de Preços no Atacado (WPI), substituindo o índice usado anteriormente, o CPI-IW (voltado especificamente a trabalhadores industriais).
Exigência de novo equipamento de teste
O edital revisado inclui uma exigência adicional de infraestrutura para o parceiro selecionado. Além do já previsto conjunto móvel de testes de Interferência Eletromagnética (EMI) e Compatibilidade Eletromagnética (EMC), o projeto passa a exigir a instalação de um Lightning Test Rig — equipamento dedicado para testar o comportamento da aeronave sob condições climáticas severas, incluindo descargas elétricas.
Responsabilidade sobre materiais é esclarecida
O edital atualizado também define com mais clareza a responsabilidade sobre materiais fornecidos pelo governo indiano ao parceiro industrial. Segundo as novas condições, a cobertura de seguro governamental valerá apenas durante o transporte desses materiais. Após a entrega, caberá ao parceiro selecionado armazenar, manusear e proteger os itens, seguindo os requisitos de segurança estabelecidos.
Próximos passos
O processo de avaliação técnica e comercial das propostas terá início após a abertura dos envelopes, em 28 de agosto de 2026. O edital revisado mantém o foco original: selecionar um parceiro industrial para trabalhar ao lado da ADA na construção e nos testes de voo dos protótipos do AMCA, dentro do cronograma técnico definido pelo programa.





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