Acidente na Califórnia é o 14º de um F-35 desde a entrada em serviço do caça em 2015; aeronave foi classificada como perda total pelo Corpo de Fuzileiros Navais
Um piloto do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, precisou ejetar-se nesta sexta-feira (31), de um caça Lockheed Martin F-35B Lightning II momentos antes de a aeronave cair próximo à pista da Estação Aérea do Corpo de Fuzileiros Navais (MCAS) Miramar, em San Diego, Califórnia.
O piloto foi levado a um hospital local em estado estável, com algumas escoriações, mas sem risco de morte. O Corpo de Fuzileiros Navais classificou o acidente como um "Class A mishap", a categoria mais grave usada pelas Forças Armadas americanas para acidentes aéreos, e ainda não divulgou a causa da queda.
O acidente, ocorreu por volta das 10h (horário local, próximo à linha de voo. A base aérea, é mundialmente famosa, por sediar a escola TOPGUN da Marinha dos EUA e por ter sido cenário de filmagens do filme original Top Gun 1 e 2.
Equipes de emergência foram acionadas rapidamente, e reportagens locais situaram os destroços ao sul da Miramar Road, próximo à Mitscher Way, dentro da instalação militar no norte de San Diego. A aeronave pertencia ao Marine Aircraft Group 11, integrante da 3ª Ala Aérea de Fuzileiros Navais (3rd Marine Aircraft Wing).
Imagens do local mostraram densa fumaça negra subindo dos destroços em um campo de terra, cercado por viaturas militares e civis de emergência. Espuma retardante de incêndio cobria parte do local enquanto as equipes trabalhavam ao redor da aeronave incendiada.
Registros aéreos mostraram o caça partido em duas grandes seções dentro de uma área bastante queimada, com uma coluna de fumaça negra visível a partir das vias próximas. O impacto provocou um incêndio de vegetação que se espalhou por vários acres antes de ser controlado pelos bombeiros no início da tarde.
O primeiro-tenente Blake Starbuck, porta-voz da MCAS Miramar, informou que as autoridades não puderam confirmar de imediato se a aeronave estava decolando ou pousando, qual era o tipo de missão em curso, ou se ela participava de algum exercício de treinamento.
Ele confirmou, no entanto, que o piloto ejetou antes de a aeronave atingir o solo e foi resgatado por equipes de emergência. Segundo Starbuck, "o piloto ejetou e foi transportado a uma unidade médica local em estado estável, para avaliação e tratamento de ferimentos sem risco de morte."
A variante de pouso vertical dos Fuzileiros Navais
O F-35B é a versão de decolagem curta e pouso vertical (STOVL) da família de três variantes do caça F-35. Seu sistema de propulsão combina um ventilador de sustentação (LiftFan) acionado por eixo, projetado pela Rolls-Royce, com dutos de controle de rolagem e um bocal de exaustão traseiro articulado, permitindo que a aeronave pouse na vertical e opere a partir de pistas muito mais curtas do que as exigidas por caças convencionais.
Essa capacidade permite que os F-35B dos Fuzileiros Navais operem a partir de navios de assalto anfíbio e bases expedicionárias com pistas de menos de 600 metros, dando às unidades destacadas acesso a um caça furtivo supersônico sem depender de um porta-aviões de porte integral ou de uma base aérea convencional já estabelecida.
Os equipamentos adicionais necessários para o voo vertical tornam o F-35B mecânica e visualmente distinto das demais versões do programa. Segundo a reportagem original, o custo unitário da aeronave gira em torno de US$ 109 milhões, o que torna a perda de sexta-feira significativa também do ponto de vista material para o Corpo de Fuzileiros Navais.
14º acidente da história do programa
O acidente de Miramar é a 14ª queda a destruir um F-35 desde a entrada em serviço do modelo com o Corpo de Fuzileiros Navais, em julho de 2015. Considerando uma definição mais ampla de perda de casco, 18 unidades já foram permanentemente retiradas de operação: 14 em decorrência de acidentes de queda e quatro após incidentes graves que não configuraram uma colisão convencional com o solo.
Esses quatro casos foram um incêndio de motor em 2014, na Base Aérea de Eglin; dois incêndios de aeronaves em 2016; e o pouso de emergência sobre a barriga da aeronave, após colisão com uma ave, registrado pela Coreia do Sul em 2022.
A perda do F-35A japonês em abril de 2019 segue sendo o único acidente fatal envolvendo o caça. Nos outros 13 casos, os pilotos sobreviveram, embora alguns tenham sofrido ferimentos — sete marinheiros também ficaram feridos quando um F-35C da Marinha dos EUA atingiu a borda do convés de voo do porta-aviões USS Carl Vinson, em janeiro de 2022.
O acidente anterior envolvendo um F-35 havia ocorrido em março deste ano, quando um F-35A da Força Aérea dos EUA caiu durante uma missão de treinamento sobre o Campo de Testes e Treinamento de Nevada — o piloto ejetou e sofreu ferimentos leves.
No ano passado, houve ainda dois acidentes com F-35, incluindo a queda em chamas de um F-35C da Marinha próximo à Estação Aérea Naval de Lemoore. Segundo a reportagem original, os acidentes recentes estão sendo tratados como eventos isolados, sem evidências até o momento de uma causa comum entre eles.



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