Programa Joint Strike Fighter registra aumento em desenvolvimento e produção, mas custo de ciclo de vida total projetado cai para US$ 1,93 trilhão
O Departamento de Guerra (DoW) dos Estados Unidos, elevou a estimativa de custo de aquisição do programa F-35 Lightning II para US$ 536,2 bilhões, um aumento de aproximadamente US$ 51 bilhões — ou pouco mais de 10% — em relação à projeção anterior de US$ 485,2 bilhões.
O novo número, divulgado no mais recente Relatório de Aquisição Selecionada Modernizado (MSAR, na sigla em inglês), cobre as aeronaves e os motores que o governo americano planeja adquirir, e reflete altas tanto nos custos de desenvolvimento quanto de produção do caça furtivo fabricado pela Lockheed Martin.
Segundo o documento, os custos de pesquisa, desenvolvimento, teste e avaliação (RDT&E) subiram cerca de US$ 19 bilhões, chegando a US$ 106,6 bilhões, enquanto os custos de aquisição propriamente ditos aumentaram em quase US$ 32 bilhões.
O relatório é a principal ferramenta usada pelo Pentágono para acompanhar a evolução orçamentária de grandes programas de armamento, e a nova rodada de números reacende o debate sobre o peso financeiro do caça de quinta geração no orçamento de defesa americano.
Alta atinge as três variantes do caça
Em dólares constantes de 2012, o custo unitário recorrente de "flyaway" — que engloba aeronave e motor — aumentou nas três versões do F-35.
O F-35A, variante convencional usada pela Força Aérea, passou a custar US$ 78 milhões, alta de 7,3% frente aos US$ 72,7 milhões anteriores.
O F-35C, versão para operações em porta-aviões usada pela Marinha, subiu para US$ 93,4 milhões, um acréscimo de 6,6% sobre os US$ 87,65 milhões.
Já o F-35B, modelo de decolagem curta e pouso vertical (STOVL) operado pelo Corpo de Fuzileiros Navais, teve a maior variação entre as três: US$ 110,3 milhões, alta de 10,5% em relação aos US$ 99,78 milhões anteriores.
Esses valores são estimativas em dólares históricos. O Escritório do Programa Conjunto do F-35 (Joint Program Office) informou que os preços em valores correntes para cada variante nos lotes de produção mais recentes são classificados como informação não classificada controlada e não podem ser divulgados publicamente.
Modernização Block 4 e upgrade de motor pressionam custos de desenvolvimento
Parte do aumento nos gastos de desenvolvimento está associada a uma estimativa revisada para o Power Thermal Management Upgrade (upgrade de gerenciamento de energia e térmico), que incorpora requisitos e premissas atualizados.
O programa também revisou os cronogramas da modernização Block 4, do upgrade do núcleo do motor F135 e das melhorias no sistema de gerenciamento de energia e térmico, o que adicionou tempo e custo ao cronograma geral.
Cerca de US$ 900 milhões do aumento de US$ 19 bilhões em desenvolvimento são atribuídos a estimativas refinadas das capacidades do Block 4.
O pacote Block 4 tem como objetivo aprimorar armamentos, sensores e a fusão de sensores do F-35. O programa está priorizando 55 capacidades, entre elas melhorias na cadeia de destruição ("kill chain") para missões de superioridade aérea e de supressão de defesas aéreas inimigas (SEAD), além da integração de novas armas ao caça.
Radar APG-85 e contratos dos Lotes 18 e 19 elevam custos de produção
O aumento de quase US$ 32 bilhões nos custos de aquisição inclui o futuro radar APG-85, custos mais altos de suporte à produção, o requisito de produção do Power Thermal Management Upgrade, além dos custos reais reportados pelos contratados e da precificação negociada para os Lotes 18 e 19 de produção.
Em setembro de 2025, o Pentágono e a Lockheed Martin fecharam um contrato de US$ 24,29 bilhões para 296 unidades do F-35 referentes aos Lotes 18 e 19. Acordos separados para os motores desses lotes foram avaliados em US$ 6,6 bilhões, o que resulta em uma média combinada implícita de aproximadamente US$ 104,4 milhões por aeronave e motor, considerando o conjunto das variantes.
Inflação e mudança no mix de compras dos fuzileiros navais
A inflação e o encarecimento de matérias-primas também contribuem para a estimativa mais alta. O Pentágono está deslocando parte das compras planejadas do F-35 para anos orçamentários posteriores, o que expõe essas aquisições futuras a pressão inflacionária adicional.
O Corpo de Fuzileiros Navais, por sua vez, está alterando parte de seu mix de aquisições planejado, direcionando parte das compras para o F-35C — variante mais cara entre as três — em detrimento de outras configurações.
Custo de ciclo de vida projetado recua apesar da alta na aquisição
Apesar do aumento na estimativa de aquisição, o custo total de ciclo de vida projetado pelo Pentágono para o programa F-35 caiu de aproximadamente US$ 2,06 trilhões para cerca de US$ 1,93 trilhão. Essa estimativa de ciclo de vida cobre os custos mais amplos de operação e sustentação da frota ao longo de sua vida útil projetada.
A avaliação mais recente mostra, portanto, um cenário misto: custos projetados mais altos para o desenvolvimento e a aquisição da frota planejada, ao mesmo tempo em que o custo total projetado ao longo da vida útil do programa recuou.
Não há, até o momento, detalhamento oficial adicional sobre como as duas tendências — alta na aquisição e queda no ciclo de vida — se equilibram nas projeções de longo prazo do Pentágono.



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