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sábado, 1 de agosto de 2026

Exercício Membeca 2026: Comando Militar do Leste reúne 4.500 militares em maior adestramento do ano no Rio de Janeiro

General Tomás Paiva confirma aquisição de 98 blindados Centauro e revela negociações com a Turquia por drones de ataque durante apronto operacional no Campo de Instrução de Gericinó

Por: Anderson Gabino

O Comando Militar do Leste (CML) realizou, no dia 29 de julho, o apronto operacional do Exercício de Campanha Membeca 2026, considerado o maior adestramento da unidade neste ano, no Campo de Instrução de Gericinó (CIG), no Rio de Janeiro. 

A atividade reuniu cerca de 4.500 militares e aproximadamente 200 viaturas, com participação de todas as Organizações Militares da 1ª Divisão de Exército (1ª DE). O evento foi presidido pelo comandante do Exército, general de exército Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva.

Também estiveram presentes ao exercício, o comandante Militar do Leste, general de exército, Pedro Celso Coelho Montenegro, do comandante da 1ª Divisão de Exército, general de divisão, Fabiano Lima de Carvalho, do comandante da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada, general de brigada, Sergio Ricardo Reis Matos, do comandante da Brigada de Infantaria paraquedista, general de brigada, Ricardo Moussallem, além de oficiais-generais e comandantes de unidades da Guarnição do Rio de Janeiro.

Formatura e demonstrações no Campo Zenóbio da Costa

O apronto operacional foi estruturado em duas fases, realizadas no Campo de Parada General Zenóbio da Costa. Na fase estática, as tropas do CML se apresentaram em formatura, exibindo pessoal e meios em prontidão para operações no contexto de Defesa Externa, com demonstração de salto livre operacional.

Já na fase dinâmica, um Posto de Observação acompanhou demonstrações de capacidades das tropas do CML, incluindo emprego da cavalaria em reconhecimento e vigilância, tiro de caçador, apoio de fogo de artilharia, assalto aeroterrestre de paraquedistas, reconhecimento e ataque.

A Aviação do Exército, em coordenação de ataque com a infantaria mecanizada, realizou demonstrações de tiro por viaturas blindadas e com apoio de aeronaves, com ênfase na coordenação entre meios terrestres e aéreos, com o funcionamento de radar de artilharia antiaérea, defesa antidrone, Posto de Combate Tático.

Durante o deslocamento da comitiva para o CIG, foram apresentados tropas em eixo de progressão e de patrulha de combate, descontaminação de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear (DQBRN), escalada em montanha, trabalhos de engenharia, tiro real de artilharia, posicionamento de morteiros médios, apoio logístico e policiamento do Exército.

Também foram dispostos no terreno recursos de apoio ao combate, como a ponte Bailey — sistema modular de aço para restabelecimento de transporte e logística — e um hospital de campanha móvel e desdobrável, com capacidade para cirurgias e internações.

Forças participantes

O efetivo reuniu meios e combatentes da 1ª Divisão de Exército e de suas Grandes Unidades, entre elas a Brigada de Infantaria de Montanha, sediada em Juiz de Fora (MG), o Grupamento de Unidades Escola, vinculado à 9ª Brigada de Infantaria Motorizada, e o Grande Comando de Artilharia (AD/1). 

Também participaram a Brigada de Infantaria Pára-quedista e Organizações Militares Diretamente Subordinadas ao CML, como o 1º Batalhão de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear, além de tropas de engenharia, logística, comunicações e meios da Aviação do Exército.

Simulação viva será realizada em agosto

O Membeca 2026 foi concebido em etapas progressivas. A primeira consistiu em simulação construtiva, quando os Estados-Maiores planejaram ações táticas para solucionar problemas militares simulados no Teatro de Operações, com o objetivo de avaliar o adestramento dos quadros da 1ª DE no processo de planejamento e na tomada de decisões. 

Na sequência, ocorreu a simulação virtual, com uso de recursos tecnológicos para tomadas de decisão em contexto tático.

A etapa final será a simulação viva, prevista para ocorrer entre 10 e 15 de agosto, quando as tropas serão empregadas efetivamente no terreno, em condições mais próximas do emprego real, consolidando o planejamento desenvolvido ao longo do exercício.

Segundo o comandante do Exército, a atividade integra o Programa de Adestramento Avançado da Força. 

"Nós temos a responsabilidade do preparo, sob a coordenação do Comando de Operações Terrestres, que, atualmente, coordena 59 operações militares reais de emprego, além de todas essas operações de preparo. Esta, seguramente, faz parte do Programa de Adestramento Avançado. A gente enxerga, a cada dia, um Exército comprometido com a sua missão constitucional", afirmou o general Tomás Paiva.

Centauro: aquisição prevista de 98 blindados

À margem do evento, o comandante do Exército concedeu entrevista sobre os principais programas de modernização da força blindada. Questionado sobre o Projeto Centauro, Paiva confirmou que a previsão de aquisição é de 98 viaturas. 

O programa integra o Projeto Força Blindada, que também prevê a repotencialização das viaturas Cascavel — trabalho já em andamento no Arsenal de Guerra de São Paulo — com a incorporação de novos meios ópticos e eletrônicos, além da capacidade de emprego de mísseis anticarro embarcados. 

"Vai ficar bem interessante. Então, dá um patamar diferente para a nossa força de cavalaria mecanizada", declarou o general, ressaltando que os projetos são executados por fases ao longo de um horizonte de cinco a dez anos.

Busca por substituto do Leopard 1A5 ainda em avaliação

Sobre o processo de substituição dos carros de combate Leopard 1A5, o comandante afirmou que a prioridade atual é mapear as capacidades necessárias para manter a força blindada operante. 

Segundo Paiva, as duas Brigadas Blindadas do Exército, apesar de operarem viaturas antigas, mantêm sustentabilidade operacional graças a um sistema logístico integrado consolidado. 

"Hoje, eu diria para você que elas estariam combatendo num conflito como a Ucrânia. Estariam combatendo. Mesmo sendo um carro antigo", disse.

 

O general indicou que a decisão sobre a plataforma substituta — entre a continuidade com fornecedores alemães ou a opção por uma plataforma turca, citando como exemplo o Altay — ainda está em aberto e caberá ao Estado-Maior do Exército, ao Alto-Comando da Força e ao Ministério da Defesa, em busca da melhor solução logística integrada.

Negociações com a Turquia avançam para aquisição de drones de ataque

Questionado sobre a recente visita, de uma comitiva à Turquia, o comandante do Exército revelou que ele se encontrava junto desta comitiva, e que as conversas mais avançadas com a Turquia, tratam da aquisição de drones. 

Segundo o general, o interesse recai sobre aeronaves não tripuladas de ataque, de maior capacidade — classificadas como Capacidade 3 —, com possibilidade de emprego contra alvos, além de outros sistemas voltados ao reforço da detecção e do reconhecimento na fronteira brasileira. 

Não há, até o momento, confirmação oficial sobre valores, cronograma ou quantidade de sistemas em negociação.



















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