Alerta para encolhimento contínuo da frota de caças americanos e para o risco de congelamento do orçamento recorde da Força Espacial com o início do novo ano fiscal
A Associação das Forças Aéreas e Espaciais (Air & Space Forces Association - AFA) enviou, este mês, uma carta aos líderes do Congresso americano exigindo que a aquisição anual do caça F-35A Lightning II seja elevada para, no mínimo, 60 aeronaves — mais do que o dobro das 38 unidades previstas no pedido orçamentário da Força Aérea dos EUA para o ano fiscal de 2027.
Em paralelo, a associação alertou que o orçamento recorde da Força Espacial, de US$ 71,1 bilhões, corre o risco de ser congelado por uma resolução de continuidade orçamentária prevista para entrar em vigor em 1º de outubro, ameaçando programas estratégicos de alerta e rastreamento de mísseis e de satélites de designação de alvos.
A matemática de uma frota em declínio
O pedido da Força Aérea para o ano fiscal de 2027 prevê 38 F-35As — uma melhora em relação às 24 aeronaves solicitadas em 2026, mas ainda muito aquém do que a própria comunidade de defesa considera necessário.
Analistas indicam que seriam necessários cerca de 72 caças por ano para reverter o processo de encolhimento da frota. Líderes da Guarda Nacional Aérea chegaram a argumentar que o número ideal seria próximo de 100 aeronaves anuais, apenas para compensar o ritmo de desativações.
Em sua carta ao Congresso, a AFA foi direta: "Financiar a produção do F-35A à taxa máxima executável possível... não menos de 60 aeronaves por ano."
A associação pediu ainda que o Pentágono receba autoridade de aquisição plurianual para o F-35 — um mecanismo que permitiria garantir preços menores ao comprometer a compra de um volume maior de aeronaves ao longo de vários anos de uma só vez. Considerando todos os ramos das Forças Armadas americanas, o plano para 2027 solicita um total de 85 F-35s.
Não são apenas caças — é o espaço também
O outro ponto central da carta diz respeito à Força Espacial. Com um pedido de US$ 71,1 bilhões para 2027 — mais do que o dobro do financiamento aprovado em 2026 —, o orçamento do ramo é o mais ambicioso desde sua criação. O plano prevê cerca de US$ 5 bilhões para sistemas de alerta e rastreamento de mísseis, US$ 7 bilhões para satélites de designação de alvos aerotransportados, além de bilhões adicionais para lançamentos e novos centros de operações.
O problema é que quase metade desse montante de aquisição deveria ser viabilizada pelo processo de reconciliação orçamentária — que, neste momento, está profundamente incerto no Capitólio.
O general aposentado Burt Field, presidente e CEO da AFA, foi categórico em sua posição:
"O Congresso não pode permitir que a incerteza do processo de dotações orçamentárias e reconciliação se torne um motivo para subfinanciar as capacidades e os recursos de que nossos Aviadores, Guardiões e famílias militares precisam. Esses investimentos em nossa Força Aérea e Força Espacial são críticos demais para serem deixados de lado."
Por que o momento é decisivo
O calendário político torna o cenário ainda mais delicado. Com o início do novo ano fiscal em 1º de outubro e eleições de meio de mandato no horizonte, o Pentágono deve abrir 2027 operando sob uma resolução de continuidade orçamentária — um mecanismo que congela os gastos nos níveis do ano anterior e impede o lançamento de novos programas.
A situação se agrava com a redução do pacote de reconciliação: o que deveria injetar US$ 350 bilhões adicionais foi enxugado para US$ 60 bilhões, colocando em risco direto 14 das 38 aeronaves F-35A solicitadas, além de parcelas significativas dos programas da Força Espacial.
Para a Força Aérea e a Força Espacial americanas, portanto, a batalha mais importante deste outono não se trava sobre nenhum oceano ou fronteira. Ela acontece dentro de um projeto de lei de gastos — e a AFA está se certificando de que o Congresso ouça esse recado.
Fonte: Afterburner/MiGFlug, com base em informações da Air & Space Forces Magazine, Air & Space Forces Association e Aviation A2Z. / Tradução e Adaptação textual: DefesaTvNews

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