Imagens divulgadas mostram o caça furtivo russo com quatro mísseis ar-ar montados externamente, elevando a carga total para dez projéteis BVR e sinalizando emprego prioritário em missões de proteção do espaço aéreo russo
Novas imagens divulgadas no dia 3 de julho , mostram um Su-57 da Força Aeroespacial Russa (VKS) equipado com quatro mísseis ar-ar guiados por radar ativo da família R-77 montados em pylons externos — uma configuração inédita que eleva a carga de combate além-do-alcance-visual do caça de quinta geração a até dez mísseis BVR (Beyond Visual Range).
A disposição, aparentemente voltada para operações de defesa aérea em profundidade do território russo, representa uma mudança tática relevante no emprego do único caça de quinta geração em serviço fora dos Estados Unidos e da China.
Dez mísseis BVR: o que muda na equação de combate
Normalmente, o Su-57 carrega até seis mísseis internamente: quatro unidades BVR de longo alcance — tipicamente o R-77M — nos dois compartimentos principais localizados entre as naceles dos motores, mais dois mísseis de curto alcance R-74M2 nos compartimentos laterais junto à raiz das asas.
O emprego exclusivo de carregamento interno é uma das marcas do projeto: manter o perfil furtivo do avião, preservando a seção transversal de radar reduzida que diferencia as aeronaves de quinta geração.
O R-77M, designado internamente como "Izdeliye 180", é a versão modernizada do R-77 original, com seeker AESA, motor de duplo pulso e aletas traseiras convencionais, tendo sido desenvolvido especificamente para carregamento interno no Su-57.
Ainda assim, a imagem divulgada sugere que pelo menos parte dos mísseis externos pode corresponder ao modelo mais antigo R-77-1 — cujas aletas em grade de maior envergadura impedem o carregamento interno nos compartimentos do Su-57 — embora a resolução da imagem não permita uma identificação definitiva da variante.
A adição de quatro mísseis externos eleva a carga ar-ar total do avião a dez unidades BVR, um acréscimo considerável de poder de fogo em missões onde a sobrevivência da aeronave não depende do perfil de baixa observabilidade.
Defesa aérea em território controlado: a lógica tática da configuração
A leitura predominante entre analistas é que o Su-57 fotografado estava operando em missão de defesa aérea sobre território sob controle russo, longe de ameaças ucranianas de alcance significativo.
Nesse cenário, abrir mão da furtividade em troca de maior volume de fogo faz sentido operacional: a Ucrânia não dispõe de mísseis ar-ar de longo alcance capazes de ameaçar aeronaves operando a partir de posições recuadas, e o risco para o Su-57 em tal configuração é consideravelmente menor do que em missões de penetração em espaço aéreo contestado.
O carregamento externo de mísseis e pods indica que as aeronaves operam longe do território hostil, seja para lançar ataques com mísseis de cruzeiro ou, mais provavelmente, para missões de defesa aérea.
Com dez projéteis BVR disponíveis, o Su-57 se torna uma plataforma de interceptação de alta capacidade, apta a engajar múltiplos alvos em sequência — relevante para neutralizar drones, mísseis de cruzeiro ou aeronaves inimigas que se aproximem do espaço aéreo russo.
O Su-57 reúne características excepcionais para esse papel. O sistema de sensores da aeronave inclui o radar AESA N036 Byelka com arranjo principal na proa e arrays laterais embutidos na fuselagem, além do sistema eletro-óptico 101KS Atoll com sensor IRST.
A suíte de sensores do Su-57 oferece detecção de alvos em ambiente congestionado com múltiplos rastreamentos simultâneos e fusão de dados integrada pelo sistema Sh-121. A autonomia de voo elevada permite patrulhamento e loitering por períodos prolongados — qualidade decisiva em missões de defesa aérea estendida.
R-77M versus R-77-1: diferença técnica que define o que está nas asas
A distinção entre os dois modelos visíveis na imagem não é trivial. O R-77M abandona as aletas em grade em favor de estabilizadores cruciformes recortados, o que reduz a seção transversal de radar e melhora a compatibilidade com os compartimentos internos do Su-57.
Sua característica mais destacada é o motor de duplo pulso de propelente sólido, que estende o alcance de 110 km — do R-77-1 — para uma faixa reportada de até 200 km, além do seeker de array de antena de fase ativa (AESA) que o torna significativamente mais difícil de ser bloqueado ou evadido por contramedidas eletrônicas.
O R-77-1, por sua vez, mantém as aletas em grade características da família original, com alcance estimado em cerca de 110 km e guiagem por radar ativo convencional. Apesar da inferioridade técnica em relação ao R-77M, o modelo mais antigo tem custo de produção reconhecidamente menor — e não há confirmação oficial sobre se a Rússia pretende encerrar sua fabricação.
Segundo informações disponíveis, a coexistência dos dois modelos no inventário da VKS é considerada provável no horizonte de médio prazo.
Histórico operacional: do combate em distância segura à expansão das capacidades
O Su-57 foi reportado pela primeira vez em operações ar-ar em 2022. Em janeiro de 2023, o Ministério da Defesa britânico registrou que os caças estavam "lançando mísseis ar-superfície ou ar-ar de longo alcance contra a Ucrânia" desde pelo menos junho de 2022 — com linguagem indicando que os disparos ocorriam de distâncias seguras, dentro do espaço aéreo russo.
Em maio de 2026, o Su-57 retornou a operações de combate, conduzindo pelo menos dez lançamentos de mísseis de cruzeiro em missões sobre a Oblast de Kursk, o Mar de Azov e a Crimeia. O número de aeronaves em serviço cresceu de forma consistente nos últimos anos, e o emprego operacional foi se tornando progressivamente mais complexo — da interceptação a distância às missões de supressão de defesa aérea adversária.
A configuração com dez mísseis BVR externos reforça essa trajetória de expansão de capacidades. Mais do que uma curiosidade tática, ela sinaliza que a VKS está explorando novos envelopes de emprego para o Su-57, ajustando o perfil da aeronave à realidade do conflito e às exigências de cada missão — sem necessariamente depender do perfil furtivo como condição exclusiva de emprego.



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