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segunda-feira, 27 de julho de 2026

Mar de Azov vira novo campo de batalha entre drones ucranianos e navios russos

Unidade "Magyar's Birds", comandada por Robert "Magyar" Brovdi, amplia ofensiva contra embarcações russas na Crimeia dentro da operação "Molochko", enquanto Moscou intensifica ataques a portos ucranianos como Odessa

Unidades de drones das Forças Armadas da Ucrânia, atingiram mais de 180 embarcações e outros alvos marítimos ao redor da península da Crimeia nas últimas três semanas, em uma ofensiva que abriu uma nova frente na guerra contra a Rússia. 

Os ataques, conduzidos a partir de posições no interior do sul ucraniano, têm como objetivo isolar a Crimeia e elevar o custo da ocupação russa da península, anexada por Moscou em 2014. A campanha, batizada de "Molochko", integra o esforço mais amplo de Kiev para deslocar a iniciativa estratégica no quinto ano da guerra em larga escala.

Unidade opera dia e noite no Mar de Azov e Mar Negro

Segundo o comandante de batalhão identificado apenas pelo codinome "Ray", da brigada Magyar's Birds, a unidade trabalha ininterruptamente, lançando drones a cada poucos minutos durante as operações. 

Em visita recente acompanhada pela agência Reuters, a equipe relatou ter atingido um navio cargueiro e um guindaste flutuante no Mar Negro, além de uma subestação de energia no sul da Crimeia — informações que a agência não conseguiu verificar de forma independente.

Os ataques fazem parte de um confronto crescente em águas estratégicas nas últimas semanas, período em que a Rússia também intensificou ofensivas contra portos ucranianos e embarcações de carga internacionais.

Escalada nas duas frentes: terra e mar

Nos últimos meses, as forças de drones ucranianas concentraram ataques em ligações rodoviárias e ferroviárias na faixa do sul ucraniano ocupado que conecta a Crimeia ao território russo, o que provocou escassez de combustível e estado de emergência na península, além de danos sistemáticos a instalações de energia e gás.

Agora, os ataques se voltam também para petroleiros, navios de carga seca e outras embarcações, ampliando o esforço de Kiev para pressionar as forças russas por meio do estrangulamento logístico. 

Desde o início da nova fase da campanha, em julho, as forças sob comando de Brovdi relataram média de cerca de seis embarcações atingidas por dia, segundo boletins divulgados pelo próprio comandante em tom irônico, com uso de emojis.

Os ataques também afetaram a travessia de balsas entre a região oriental da Crimeia e a região russa de Krasnodar, na altura de Kerch, que teria perdido cerca de 75% de sua capacidade operacional — dado também não confirmado de forma independente pela Reuters.

Segundo Brovdi, o objetivo da campanha é "acabar com o mito" do domínio naval russo e estabelecer controle total sobre as águas territoriais da Ucrânia. Sidharth Kaushal, pesquisador sênior do centro de estudos britânico Royal United Services Institute (RUSI), avaliou que os ataques ucranianos à logística terrestre russa acabaram elevando o tráfego marítimo pelo Mar de Azov, o que, por consequência, ampliou o número de alvos navais disponíveis. 

Para ele, a ofensiva marítima representa uma "continuação lógica" da campanha ucraniana voltada à Crimeia.

Rússia intensifica ataques a portos e navios ucranianos

Em contrapartida, a Rússia também elevou o ritmo de ataques ao sul da Ucrânia, com foco na cidade de Odessa e em portos responsáveis por escoar parte significativa da produção agrícola do país por meio de um corredor marítimo. 

Na semana anterior, ao menos três pessoas morreram em ataques a Odessa e Mykolaiv, outra cidade portuária do país. De acordo com a autoridade portuária de Kiev, apenas nas duas primeiras semanas de julho a Rússia atacou portos ucranianos 23 vezes e embarcações civis 17 vezes, o que tem gerado dificuldades logísticas para o comércio exterior ucraniano. 

As exportações agrícolas — grãos e óleos vegetais — seguem como a principal fonte de divisas do país, com mais de 90% do volume escoado a partir de portos da região de Odessa pelo corredor marítimo. A Rússia, por sua vez, afirma que seus ataques têm como alvo infraestrutura usada para armazenamento de cargas militares e combustível.

Drones FP-1 e FP-2: alcance ampliado e operação móvel

Os drones FP-1 e FP-2, de fabricação ucraniana, são a espinha dorsal do arsenal empregado pela unidade de Ray. Ambos os modelos voam de forma automática até a zona de operação, quando pilotos — muitas vezes localizados a grande distância — assumem o controle remoto para o ataque final. 

Minutos após o lançamento do último drone, realizado com o auxílio de um pequeno propulsor a jato, a equipe de lançamento já recolhe o equipamento e se prepara para deslocamento: nenhum local de lançamento é reutilizado, e as equipes costumam ser enviadas a novas posições com poucas horas de antecedência.

Avanços tecnológicos permitiram que os lançamentos ocorressem a mais de 100 quilômetros da linha de frente, mas as equipes seguem sendo alvo prioritário de forças russas equipadas com drones. "Esta é uma guerra constante — uma disputa contínua de medidas e contramedidas", afirmou Ray, que comanda o nono batalhão de sua brigada, batizado de Kairos.

Já o comandante de esquadrão identificado como "Panama" disse que ele e os demais militares seguem motivados pelos "resultados tangíveis" das operações. Segundo ele, além de complicar a logística russa, a campanha tem contribuído para elevar o moral das tropas ucranianas. "É ótimo que nosso ritmo esteja tão alto, mas ainda precisamos sustentá-lo", declarou.

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