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domingo, 5 de julho de 2026

Força Aérea dos EUA inaugura primeiras instalações operacionais do B-21 Raider em Ellsworth

Modernização de US$ 2 bilhões transforma a base sul-dakotenha no primeiro hub operacional do bombardeiro furtivo de sexta geração; aeronaves devem chegar em 2027

A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) deu um passo concreto e inédito rumo à operacionalização do B-21 Raider ao aceitar formalmente as duas primeiras instalações construídas especificamente para o bombardeiro furtivo de sexta geração na Base Aérea de Ellsworth, na Dakota do Sul. 

A cerimônia ocorreu durante visita do secretário da Força Aérea, Troy Meink, à base nos dias 30 de junho e 1º de julho, marcando a transição oficial do programa do estágio de desenvolvimento para o de implantação operacional. As estruturas concluídas integram um programa de modernização de infraestrutura avaliado em aproximadamente US$ 2 bilhões.

As instalações entregues

As duas instalações formalmente aceitas durante a visita de Meink foram o Low Observable Restoration Facility, orçado em US$ 161 milhões, e o Wash Rack and General Maintenance Hangar, avaliado em US$ 81 milhões. Ambas são os primeiros projetos concluídos dentro do vasto esforço de construção em curso em Ellsworth.

O Low Observable Restoration Facility não é um hangar convencional. O edifício, com controle climático rigoroso, foi projetado para permitir que equipes de manutenção inspecionem, limpem e reparem os materiais absorventes de radar do B-21 em ambiente interno controlado, reduzindo o tempo de manutenção e preservando as capacidades de baixa observabilidade da aeronave. 

Trata-se de uma exigência técnica crítica: diferentemente de aeronaves convencionais, a manutenção da assinatura furtiva do Raider depende de procedimentos altamente especializados, sensíveis a variações de temperatura e umidade. 

Já o Wash Rack and General Maintenance Hangar tem função complementar. A estrutura vai dar suporte a inspeções de rotina, lavagem, serviços gerais e manutenção ordinária para manter o bombardeiro pronto para operações. Juntos, os dois hangares formam o núcleo inicial da infraestrutura de sustentação do Raider em Ellsworth. 

Ao comentar a aceitação das instalações, Meink declarou que "assumir a posse dessas instalações é um passo em direção ao emprego de capacidades avançadas em escala" e que "a infraestrutura concluída hoje é verdadeiramente inovadora, permitindo preservar a vantagem tecnológica e entregar a dissuasão de longo alcance da qual nossa nação depende." 

O comandante da 28ª Asa de Bombardeiros, coronel Jonathan Keller, explicou a Meink como a unidade está equilibrando as operações em curso com o B-1B e a construção das instalações do B-21. "A base está voando ativamente com o B-1 globalmente enquanto, ao mesmo tempo, constrói a infraestrutura para a próxima geração do poder aéreo", afirmou Keller. 

"Receber as chaves das nossas primeiras instalações do B-21 é algo empolgante para os nossos aviadores, nossas equipes de engenharia civil e os parceiros comunitários que apoiam nossa missão de ataque de longo alcance." 

Um modelo para o futuro

Ellsworth não será apenas uma base operacional. A instalação foi selecionada como a primeira base operacional principal e unidade de treinamento formal para o novo bombardeiro. Isso significa que todos os futuros pilotos e mecânicos de B-21 deverão passar pela Dakota do Sul antes de integrar esquadrões em outras instalações.

Após a entrega formal das estruturas, equipes da 28ª Asa de Bombardeiros começaram a equipar ambas as instalações com sistemas de tecnologia da informação seguros, equipamentos de comunicação, mobiliário e sistemas de suporte de missão necessários antes da chegada da primeira aeronave B-21 de produção. 

A questão da chegada das primeiras aeronaves tem uma particularidade relevante. Segundo o secretário Meink, uma das aeronaves de teste atualmente em fase de testes de voo na Base Aérea de Edwards, na Califórnia, será a primeira a ser transferida para Ellsworth. 

"A aeronave de teste vai para lá", disse Meink. "Vamos converter a aeronave de teste em aeronave operacional em algum momento. Elas irão para lá e começarão a fazer as coisas necessárias para preparar a base para receber as aeronaves operacionais de longo prazo." A chegada está prevista para 2027.

A transição enquanto o B-1B ainda voa

A operação de Ellsworth não para durante a transição. Enquanto se prepara para o novo bombardeiro, a base continua operando sua frota de B-1B Lancer. Essa continuidade é estratégica: manter o B-1B em serviço ativo durante o período de implantação do Raider reduz o risco de lacunas na capacidade de ataque de longo alcance norte-americana — um imperativo em um ambiente de segurança que o Pentágono descreve como crescentemente contestado, especialmente diante das capacidades militares em expansão de China e Rússia. 

A projeção da Força Aérea é que o B-21 alcance uma taxa de prontidão operacional superior a 80%, bem acima dos 50% a 60% historicamente registrados pelo B-2 Spirit. Isso é possível em parte pela arquitetura modular do Raider, que facilita atualizações e reduz o tempo fora de linha por manutenção. 

O programa e a frota planejada

O B-21 é desenvolvido pela Northrop Grumman sob o programa Long Range Strike Bomber da Força Aérea, com contrato de desenvolvimento e manufatura firmado em outubro de 2015. O orçamento federal norte-americano para o ano fiscal de 2026 prevê US$ 10,3 bilhões para o programa do B-21, dos quais US$ 4,5 bilhões estão alocados para a expansão da produção.

A Força Aérea planeja adquirir ao menos 100 unidades do B-21 Raider, que vão substituir gradualmente o B-1B Lancer e o B-2 Spirit enquanto operam em conjunto com a versão modernizada do B-52J Stratofortress. No entanto, líderes do Pentágono têm defendido abertamente uma revisão da linha de base para 145 ou mais aeronaves, com algumas fontes citando a possibilidade de até 185 unidades. 

Projetado como o primeiro bombardeiro estratégico operacional de sexta geração do mundo, o Raider combina furtividade avançada, conectividade de rede segura, arquitetura aberta de sistemas de missão e longa autonomia. A aeronave foi concebida para penetrar espaços aéreos contestados protegidos por sistemas modernos de defesa antiaérea integrada e executar ataques de precisão contra alvos fortemente defendidos em profundidade no território adversário.

Próximas bases

O modelo de Ellsworth deverá se replicar. Após a Dakota do Sul, as próximas bases operacionais do B-21 estão planejadas para a Base Aérea de Whiteman, no Missouri, e a Base Aérea de Dyess, no Texas. Whiteman já abriga o B-2 Spirit e conta com infraestrutura de furtividade existente, enquanto Dyess representará o retorno de capacidade nuclear àquela instalação pela primeira vez desde os anos 1990. 

A conclusão das primeiras instalações dedicadas ao B-21 em Ellsworth representa, na prática, o encerramento da fase de desenvolvimento como etapa dominante do programa e o início da era operacional do bombardeiro mais avançado já construído pelos Estados Unidos.

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