Batalhão de Polícia do Exército avaliou 11 duplas de cão e condutor em provas de detecção; seis obtiveram certificação operacional válida por um ano
O Batalhão de Polícia do Exército de Brasília (BPEB) realizou, em junho de 2026, a primeira certificação operacional de cães de guerra pertencentes a instituições externas ao Exército Brasileiro (EB), durante o III Encontro Cinotécnico.
O processo avaliou 11 duplas formadas por cão e condutor, oriundas de forças de segurança estaduais e federais, unidades do próprio Exército e canis civis, em provas práticas de detecção de drogas, armas e munições. Ao final, seis duplas receberam a certificação, com validade de um ano.
A iniciativa representa uma ampliação inédita da capacidade de referência cinotécnica do Exército, que passa a atestar formalmente a aptidão operacional de cães de outras instituições de segurança pública — algo que, até então, não havia sido feito de forma estruturada.
Avaliação em quatro cenários
As provas de certificação contaram com apoio técnico da Confederação Brasileira de Cinofilia e do Conselho Nacional de Adestramento (CBKC/CNA), e foram conduzidas por uma banca avaliadora composta por especialistas de diferentes instituições.
Os testes cobriram quatro cenários distintos: veículos, vegetação em campo aberto, bagagens e edificação urbana — ambientes que reproduzem situações reais de emprego operacional.
Nesta primeira edição, as provas foram limitadas à detecção de entorpecentes, armas de fogo e munições. O objetivo da Seção de Cães de Guerra do BPEB é expandir, nas próximas edições, as modalidades de avaliação para incluir detecção de explosivos, guarda e proteção — ampliando o escopo da certificação e tornando o processo mais próximo das demandas operacionais contemporâneas.
Os cães de guerra no Exército Brasileiro
O EB mantém hoje 413 cães de guerra distribuídos por 57 organizações militares em todo o país. As raças predominantes são o: Pastor Belga Malinois e o Pastor Alemão, ambas reconhecidas internacionalmente pela capacidade olfativa, resistência física e temperamento adequado ao trabalho em condições de estresse.
Os chamados "cães de trabalho" atuam em uma ampla gama de missões: resgates, patrulhamentos, abordagens, escoltas, controle de distúrbios, guarda de instalações estratégicas e detecção de substâncias ilícitas, explosivos e armamentos. Entre as missões institucionais, destacam-se as operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), nas quais os binômios cão-condutor têm presença crescente.
Considerados combatentes com status equivalente ao de qualquer militar, os animais chegam às unidades ainda filhotes, com menos de um ano de idade, e podem permanecer em atividade operacional por até oito anos.
Após esse período, têm assegurado o direito a permanecer na instituição pelo resto de sua vida, com suporte alimentar e veterinário, ou podem ser adotados — pelo próprio adestrador ou pela sociedade civil, conforme as Normas para o Controle de Caninos no Exército Brasileiro (NORCCAN).
Programação do III Encontro Cinotécnico
Além das provas de certificação, o III Encontro Cinotécnico incluiu um conjunto expressivo de atividades técnicas e doutrinárias. Foram realizadas palestras sobre biotecnologia da reprodução aplicada a cães de guerra, bem-estar animal, equipamentos de proteção individual para cães e histórico da cinotecnia nacional.
Uma mesa doutrinária reuniu especialistas e representantes de diversas instituições para atualização das normas de adestramento e emprego de cães em missões militares.
O evento contou com a participação presencial de 85 pessoas de 10 estados, reunindo representantes das três Forças Armadas, órgãos de segurança estaduais e federais, instituições de ensino e centros especializados em treinamento canino.
As apresentações também foram transmitidas por videoconferência a 23 organizações militares do Exército que empregam cães de guerra em suas atividades regulares.



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