Gripens brasileiros cumprem missões de defesa aérea, escolta e patrulha no exercício SALITRE 2026, no Chile, ao lado de aeronaves de outras cinco nações
Seis caças F-39E Gripen, da Força Aérea Brasileira (FAB),participaram do exercício multidomínio SALITRE 2026, realizado na Base Aérea de Cerro Moreno, em Antofagasta, no Chile, marcando a primeira participação do caça brasileiro em uma operação multinacional fora do território nacional.
Ao lado de aeronaves de outros cinco países, os F-39E brasileiros cumpriram missões de defesa aérea, escolta e patrulha durante o treinamento, que reuniu mais de 1.500 militares e cerca de 60 aeronaves, com mais de 250 horas de voo somadas em diferentes missões no local.
Operação conjunta sob comando único
Operando a partir da Base Aérea de Cerro Moreno, os Gripen brasileiros atuaram junto a aeronaves do Chile, da Argentina, da Colômbia, dos Estados Unidos e do Paraguai, em operações aéreas típicas de guerra convencional, com as forças aéreas participantes atuando sob um único comando e em coalizão.
As aeronaves cumpriram missões de escolta, varredura, patrulha aérea de combate e defesa aérea, tanto dentro do alcance visual (WVR) quanto além do alcance visual (BVR), empregando a suíte de guerra eletrônica do caça e sistemas táticos como o radar de varredura eletrônica ativa (AESA) e o sensor infravermelho de busca e rastreamento de alvos (IRST).
Avanço do Programa Gripen no Brasil
Para o diretor-geral da Saab Brasil, Peter Dölling, a participação do F-39E no SALITRE 2026 representa mais um passo na evolução do Programa Gripen no país e reflete o avanço constante da implementação da aeronave na FAB.
Segundo ele, ao operar pela primeira vez em um exercício multinacional fora do Brasil, o Gripen reforça a interoperabilidade entre forças aéreas amigas e contribui para a cooperação em defesa na região.
Dölling afirmou ainda que, para a Saab, acompanhar a FAB nessa etapa reafirma o valor de uma parceria construída com visão de longo prazo, transferência de tecnologia e desenvolvimento de capacidades estratégicas para o Brasil.
Nas missões de defesa aérea, os F-39E ficaram responsáveis por proteger as aeronaves aliadas contra a força oponente simulada.
Consciência situacional e compartilhamento de dados
O tenente-coronel Vítor Bombonato, comandante do 1º Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), destacou que a consciência situacional proporcionada pelos sistemas e sensores do Gripen E permite que um grande volume de dados seja fundido e apresentado ao piloto de forma simplificada, auxiliando o processo decisório.
Segundo o oficial, a esquadrilha ainda ganha superioridade ao compartilhar essas informações entre os próprios F-39E, o que maximiza as chances de vitória.
Preparação e alcance da aeronave
A preparação para o SALITRE foi conduzida por meio de exercícios realizados pouco mais de um mês antes no Brasil, com a participação de outros esquadrões da Força Aérea Brasileira, além da recriação do cenário de Antofagasta no simulador do Gripen, em Anápolis.
Bombonato afirmou que, mesmo sendo a primeira vez que pilotos brasileiros voaram na região, o ambiente operacional pareceu bastante familiar assim que a esquadrilha chegou ao Chile.
Ele destacou ainda o alcance do Gripen E como outro ponto relevante da operação, afirmando que seria possível realizar o voo direto de Anápolis a Antofagasta, cobrindo a longa distância sem necessidade de reabastecimento em voo.
Os caças Gripen somaram mais de 50 surtidas e acumularam mais de 100 horas de voo, incluindo os trajetos de ida e volta, mantendo altos índices de disponibilidade ao longo do exercício.


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