CENTCOM confirma que três embarcações não tripuladas Corsair atacaram instalação de manutenção de submarinos e navios na costa sul do Irã, em nova escalada no Estreito de Hormuz
Os Estados Unidos empregaram, pela primeira vez, drones navais de ataque suicida em uma operação de combate, atingindo no domingo (12) uma instalação de manutenção de submarinos e navios na Base Naval de Bandar Abbas, no sul do Irã.
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), três embarcações não tripuladas do tipo Corsair, fabricadas pela empresa texana Saronic Technologies, executaram o ataque como parte de uma ofensiva mais ampla contra dezenas de alvos iranianos, com o objetivo declarado de reduzir a capacidade de Teerã de atacar embarcações comerciais que cruzam o Estreito de Hormuz.
Em comunicado publicado nas redes sociais nesta segunda-feira (13), o CENTCOM afirmou que os drones atingiram diretamente o porto da base, descrevendo o episódio como "a primeira vez que as forças americanas empregaram drones marítimos em operações de combate".
O texto ainda destacou que os ataques da noite anterior "degradaram a capacidade do Irã de continuar atacando o transporte marítimo comercial". A publicação foi acompanhada de um vídeo classificado como não sigiloso, mostrando uma pequena embarcação se aproximando de uma estrutura de doca elevada, onde aparentemente estava um submarino, seguida de explosão.
Horas depois, o Comando divulgou detalhes adicionais sobre a operação, confirmando o modelo e o fabricante das embarcações utilizadas. Até então, a nota inicial do CENTCOM não havia identificado nem o fornecedor do equipamento nem o alvo específico atingido.
Contexto da ofensiva no fim de semana
O ataque a Bandar Abbas integrou uma onda maior de operações lançadas pelos Estados Unidos no fim de semana contra o Irã, que somaram, segundo o CENTCOM, mais de 300 alvos atingidos ao longo da costa sul iraniana, incluindo a Ilha de Qeshm.
As forças americanas utilizaram uma combinação de aeronaves de caça, embarcações navais, drones aéreos de ataque suicida e, pela primeira vez, drones navais de ataque suicida contra sistemas de defesa aérea, radares costeiros, capacidades de mísseis e drones, além de pequenas embarcações iranianas.
Bandar Abbas está localizada na costa sul do Irã, às margens do Estreito de Hormuz, rota por onde passa cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo, e funciona como sede de parte significativa das forças navais iranianas.
A instalação já havia sido alvo de ataques anteriores no mesmo conflito: imagens de satélite obtidas em março mostraram fumaça saindo de um navio-tanque convertido, usado pelo Irã como embarcação de apoio móvel, atracado no local.
O Corsair e o histórico do uso de drones navais
O Corsair, produzido pela Saronic Technologies, é descrito pela fabricante como uma embarcação de superfície autônoma de 24 pés (cerca de 7,3 metros), movida a diesel, capaz de ser lançada a partir do mar.
O modelo já vinha sendo empregado pelo Pentágono desde março, segundo o CENTCOM, mas até então em funções de vigilância, segurança marítima e resgate — não em ataque.
Em junho, um drone Corsair operado pela Task Force 59, unidade da Marinha americana dedicada à integração de sistemas não tripulados e inteligência artificial em operações marítimas, resgatou dois aviadores do Exército dos EUA após a queda de um helicóptero AH-64 Apache nas proximidades de Omã — incidente atribuído pelo governo americano a um ataque iraniano.
Esse episódio já havia marcado o primeiro uso conhecido de uma embarcação militar não tripulada para resgate de pessoal no mar. Segundo o CENTCOM, a operação de domingo em Bandar Abbas é distinta: trata-se do primeiro emprego de drones navais especificamente em papel ofensivo de combate.
Reação iraniana e tensão regional
Agências de notícias semioficiais iranianas, como a Mehr, relataram explosões ouvidas por moradores em Bandar Abbas e na Ilha de Qeshm ao meio-dia de segunda-feira, aparentemente partindo da costa oeste da cidade.
O Irã, por meio do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC), afirmou ter realizado ataques retaliatórios contra instalações militares americanas no Bahrein, incluindo hangares de manutenção de helicópteros, uma estrutura que abrigaria uma aeronave P-8 e um centro de comando e controle de drones. Segundo o IRGC, a ação foi resposta às operações militares americanas em curso contra o Irã.
A Jordânia informou, na manhã desta segunda-feira, ter interceptado quatro mísseis iranianos que entraram em seu espaço aéreo, sem registrar feridos ou danos materiais, segundo fonte do Estado-Maior General jordaniano. Teerã afirmou que os mísseis eram voltados à retaliação contra os ataques dos EUA.
Em meio à escalada, o Irã segue em conversas com mediadores do Catar, Paquistão e Omã na tentativa de evitar novo agravamento do conflito, segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei. Ainda assim, o governo iraniano reiterou que utilizará "meios militares" sempre que considerar necessário para defender seus interesses, mantendo em paralelo a via diplomática.
Posição dos EUA sobre o Estreito de Hormuz
O presidente americano voltou a declarar, em publicação na Truth Social, que o Estreito de Hormuz "está aberto e continuará aberto, com ou sem o Irã", anunciando a retomada de medidas de segurança para embarcações comerciais na região. O CENTCOM reforçou que o Irã "não controla" o estreito, em resposta a declarações anteriores de Teerã sobre um suposto fechamento efetivo da via marítima.
Em 10 de julho, a Organização Marítima Internacional (IMO), órgão da ONU, já havia pedido aos Estados-membros que rejeitassem qualquer tentativa iraniana de impor controle unilateral sobre o trânsito no estreito, classificando a medida como violação do direito internacional.
Não há, até o momento, confirmação independente sobre o número de baixas ou a extensão exata dos danos causados pelo ataque a Bandar Abbas, além do que foi divulgado oficialmente pelo CENTCOM e por agências iranianas.

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