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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Chefe do Estado-Maior da Armada revela cronograma de renovação da esquadra até 2035

Almirante apresentou mapa de aquisições na Academia de Marinha; programas de submarinos, helicópteros ASW e navio polivalente logístico registram atrasos em relação ao planejamento anterior

A Marinha de Portuguesa apresentou, em uma sessão realizada na Academia de Marinha em maio de 2026, o cronograma atualizado de renovação da esquadra portuguesa para o período entre 2022 e 2035. 

A apresentação foi conduzida pelo Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante Jorge Nobre de Sousa, que assumiu o cargo em dezembro de 2024, e detalhou os principais programas de aquisição de meios navais, aéreos embarcados e sistemas não tripulados previstos para a próxima década. 

Entre as novidades apresentadas estão o início de um novo programa de submarinos em 2028, a aquisição de oito helicópteros para guerra antissubmarino (ASW) a partir de 2030 e um navio polivalente logístico (NAVPOL/LPD) com início previsto para 2032.

O mapa apresentado pelo Almirante Jorge Nobre de Sousa organiza a renovação da esquadra portuguesa em dez linhas de programas distintos, cobrindo desde meios de superfície até veículos não tripulados, com horizonte de execução até 2035. 

A iniciativa se insere no processo mais amplo de modernização das Forças Armadas portuguesas, que já vinha sendo conduzido desde a gestão do então Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante Henrique Gouveia e Melo, antecessor de Nobre de Sousa no cargo.

Submarinos e helicópteros ASW com início adiado

Um dos pontos de maior atenção no cronograma apresentado é o programa de novos submarinos, cujo início está previsto para 2028. 

A substituição da frota de submarinos da Classe Tridente já vinha sendo discutida publicamente havia mais de um ano, com o próprio Gouveia e Melo abordando o tema em entrevistas e conferências, incluindo estudos sobre modelos sul-coreanos como alternativa aos projetos alemães, considerando fatores como custo e afinidade tecnológica com a base industrial já empregada por Portugal.

Paralelamente, o programa de helicópteros ASW, com previsão de aquisição de oito aeronaves, terá início em 2030, conforme o mapa apresentado. Esses helicópteros deverão operar em conjunto com as fragatas de nova geração e os novos submarinos, reforçando a capacidade de guerra antissubmarino da Marinha portuguesa em um contexto de crescente atenção da NATO à atividade submarina no Atlântico Norte.

LPD e navios de patrulha costeiros sofrem atrasos

O programa de aquisição do navio polivalente logístico, também identificado como NAVPOL ou LPD (Landing Platform Dock), aparece no novo cronograma com início previsto para 2032. Trata-se de um atraso expressivo em relação ao planejamento anterior, que projetava o início da aquisição para 2026 ou 2027. 

O LPD é voltado a operações de projeção de força, apoio logístico e transporte de tropas e equipamentos, capacidade atualmente limitada na esquadra portuguesa.

Os Navios de Patrulha Costeiros (NPC), destinados a substituir as classes Argos, Centauro, Minho e Tejo, também registram atraso significativo. Segundo o cronograma apresentado, o programa terá início em 2029, embora informações públicas anteriores indicassem que a entrega do primeiro navio da série estava prevista originalmente para 2025. 

Vale citar que, segundo dados disponíveis, o programa dos NPCs já havia sido confirmado desde 2023, com previsão de construção por estaleiro português a partir de 2025 — cronograma que, segundo o próprio material apresentado, não foi cumprido.

Fragatas, reabastecedores e Plataforma Naval Multifuncional

O mapa também contempla programas já em andamento ou próximos de conclusão, como o de fragatas de nova geração, destinado a substituir as fragatas da Classe Vasco da Gama, e o de navios reabastecedores, ambos com atividade concentrada entre 2022 e 2029. 

A modernização das fragatas atuais e a aquisição de navios de patrulha oceânicos completam o conjunto de programas de superfície, com prazos que se estendem até 2030.

A Plataforma Naval Multifuncional, projeto que resultou no NRP D. João II — navio construído em estaleiro na Romênia e com entrega prevista para 2026 —, também está incluída no cronograma, com execução entre 2022 e 2027. 

O navio foi concebido como uma espécie de "porta-drones", com capacidade de lançar e recuperar veículos não tripulados aéreos, terrestres e submarinos, ampliando o controle do espaço aéreo e marítimo a baixo custo operacional.

Veículos não tripulados completam o pacote

Por fim, o cronograma prevê um programa contínuo de aquisição de veículos não tripulados, com execução entre 2026 e 2035, o mais longo entre todos os apresentados. 

A ênfase em sistemas não tripulados reflete uma tendência observada em diversas marinhas ocidentais, acelerada pelas lições extraídas do conflito na Ucrânia desde 2022, especialmente no que se refere ao emprego de drones aéreos e marítimos em ambientes de combate naval.

O conjunto de programas apresentado por Nobre de Sousa confirma que a Marinha portuguesa pretende renovar mais da metade de sua frota até 2035, um esforço que, segundo dados públicos anteriores, já havia sido dimensionado em torno de 17 novos navios. 

Os atrasos verificados nos programas do LPD e dos NPCs, no entanto, indicam desafios de execução orçamentária e de cronograma industrial que acompanham o processo de modernização da esquadra.

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