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quarta-feira, 29 de julho de 2026

Brasil e Coreia do Sul assinam memorando para facilitar lançamentos comerciais em Alcântara

Memorando entre KASA e AEB simplifica licenciamento para empresas sul-coreanas e abre caminho para novo lançamento da Innospace em setembro

Brasil e Coreia do Sul assinaram, no dia 27 de julho, um memorando de entendimento sobre cooperação espacial durante visita de Estado do presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, a Brasília, quando se reuniu com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio da Alvorada. 

O acordo, firmado entre a Korea AeroSpace Administration (KASA) e a Agência Espacial Brasileira (AEB), prevê simplificação das regras de licenciamento para lançamentos comerciais no Centro Espacial de Alcântara, no Maranhão, além de cooperação em compartilhamento de dados de satélite, exploração lunar e desenvolvimento da indústria espacial.

O entendimento representa o primeiro acordo de cooperação espacial da agência sul-coreana com um país latino-americano e dá sequência a conversas bilaterais iniciadas em fevereiro deste ano, quando Lula visitou Seul e os dois países elevaram a relação ao nível de Parceria Estratégica, com a adoção do Plano de Ação 2026-2029.

Segundo informações do governo brasileiro, o memorando espacial foi um dos cinco atos assinados durante a cerimônia no Palácio da Alvorada, ao lado de entendimentos nas áreas de educação, energia, tecnologia industrial e esportes. 

Não há confirmação, até o momento, de que o pacote tenha incluído sete memorandos abrangendo também defesa, comércio e cadeias de suprimentos, como chegou a ser divulgado por veículos internacionais — a lista oficial brasileira aponta cinco documentos assinados na ocasião.

Foco em lançamentos comerciais

Um dos principais objetivos do acordo é reduzir barreiras regulatórias e burocráticas para empresas aeroespaciais sul-coreanas que queiram operar a partir do Centro Espacial de Alcântara. 

A localização da base, próxima à Linha do Equador, oferece vantagens geográficas para determinadas missões orbitais, reduzindo o consumo de combustível em certas trajetórias — segundo a AEB, esse ganho de eficiência pode chegar a 30% em missões específicas.

Ao simplificar os procedimentos de licenciamento, o entendimento busca criar um ambiente mais previsível para lançamentos comerciais e facilitar o acesso de empresas sul-coreanas à infraestrutura brasileira, num momento em que o governo federal negocia cerca de 20 contratos com multinacionais interessadas em utilizar a base espacial maranhense.

Outras frentes de cooperação

Além das operações de lançamento, as duas agências espaciais acertaram cooperação em desenvolvimento da indústria e da economia espacial, regras de licenciamento, compartilhamento de dados de satélite, exploração lunar e atividades científicas, tecnológicas e comerciais ligadas ao uso pacífico do espaço.

O precedente da missão HANBIT-Nano

O acordo dá continuidade a uma cooperação que já vinha se desenvolvendo entre os dois países. Em dezembro de 2025, a empresa sul-coreana Innospace realizou, a partir de Alcântara, a primeira tentativa de lançamento comercial da Coreia do Sul, com o foguete HANBIT-Nano, na missão Spaceward, levando oito pequenos satélites e cargas úteis do Brasil, da Índia e da Coreia do Sul.

O veículo sofreu uma anomalia e caiu pouco depois da decolagem, falha posteriormente atribuída a um vazamento de gás — segundo reportagens da imprensa brasileira, o foguete explodiu cerca de 33 segundos após o lançamento. 

Ainda assim, a tentativa marcou o primeiro lançamento orbital comercial em território brasileiro em 22 anos e serviu de base operacional para o novo memorando. A Innospace já havia realizado, em 2023, o lançamento bem-sucedido do veículo suborbital Hanbit-TLV, durante a Operação Astrolábio, também a partir de Alcântara.

No dia 22 de junho, a Innospace obteve nova autorização da AEB para outro lançamento a partir do Centro Espacial de Alcântara — desta vez do foguete suborbital SEBIT, contratado pela Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil S.A. (ALADA), criada em 2024 para captar clientes internacionais para a base. 

O voo, previsto para o segundo semestre de 2026, tem como objetivo validar o sistema em condições reais após o revés de 2025.

Novo lançamento previsto para setembro

Após a cúpula, Lula convidou Lee Jae-myung a retornar ao Brasil em setembro para acompanhar, presencialmente, um novo lançamento de foguete a partir de Alcântara. "Possivelmente em setembro teremos, na Base de Alcântara, um novo lançamento de foguete", afirmou o presidente brasileiro, dizendo fazer questão de acompanhar o evento pessoalmente.

Lee, por sua vez, declarou que o acordo deve fortalecer a cooperação em lançamentos comerciais, compartilhamento de dados de satélite e exploração espacial, ampliando ainda mais a colaboração entre os setores espaciais dos dois países.

Parte de uma agenda bilateral mais ampla

O memorando espacial integrou um pacote mais amplo de acordos assinados durante a visita de Estado, que também tratou de comércio bilateral — que somou aproximadamente US$ 11 bilhões em 2025, segundo Lula — e da cooperação em defesa, área em que Lee citou a compra do cargueiro C-390 Millennium, da Embraer, pelas Forças Armadas sul-coreanas, como símbolo da parceria entre os dois países.

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