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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Airbus estuda esticar o A350 para criar rival direto do Boeing 777X, diz CEO da Rolls-Royce

Tim Clark. CEO da Rolls-Royce, afirma que decisão sobre o A350-2000 pode sair em até 12 meses; Emirates e CEO são apontados como fiéis da balança para o lançamento do programa

A Airbus avalia o desenvolvimento de uma versão esticada do A350, batizada informalmente de A350-2000, segundo declarações do CEO da Rolls-Royce, Tufan Erginbilgic, feitas a jornalistas durante o Farnborough International Airshow, na última terça-feira (21). 

A Rolls-Royce é fornecedora exclusiva de motores para o A350 e trabalha em conjunto com a Airbus nos estudos do novo modelo. Segundo Erginbilgic, a Airbus pode definir os planos de design da aeronave dentro de um ano, com as primeiras entregas previstas para o início da década de 2030.

A movimentação ocorre em meio à pressão da Emirates, maior operadora do Airbus A380 do mundo, que busca uma sucessora de maior capacidade para substituir parte de sua frota do superjumbo até 2038. 

O presidente da companhia aérea, Tim Clark, tem cortejado publicamente a Airbus por uma versão maior do A350 e, ao mesmo tempo, intensificou as críticas ao programa 777X da Boeing, chegando a sugerir que as dez primeiras unidades já fabricadas do modelo deveriam ser sucateadas e recicladas.

Duas rotas possíveis para o estiramento

De acordo com Erginbilgic, a Airbus avalia mais de uma alternativa de configuração para a nova variante. A opção mais moderada manteria os atuais motores Rolls-Royce Trent XWB, sem alterações estruturais profundas na motorização. 

Já a alternativa mais ambiciosa, associada ao nome A350-2000, exigiria um motor com maior empuxo e diâmetro maior, o que obrigaria a Rolls-Royce a desenvolver um novo propulsor.

Especialistas do setor apontam que a base técnica mais provável para esse novo motor seria uma evolução do Trent XWB-97, atualmente utilizado no A350-1000 e já próximo de seus limites de potência. 

Segundo análises da imprensa especializada, a Airbus tende a optar por um estiramento simples da fuselagem do A350-1000, mantendo asas, trem de pouso e a arquitetura geral da aeronave, com a extensão do comprimento como principal diferença em relação ao modelo atual.

A Airbus, por meio de comunicado, afirmou que nenhuma decisão formal foi tomada até o momento, mas reconheceu que existe demanda real de mercado por aeronaves wide-body de grande porte e que a companhia estuda possíveis evoluções do A350 para atender a esse nicho.

Emirates como fiel da balança

A movimentação da Airbus está diretamente ligada à posição da Emirates, que detém a maior carteira de pedidos do 777X, entre todas as companhias aéreas do mundo. Segundo análises do setor, a decisão da operadora de Dubai sobre migrar ou não para uma versão maior do A350 pode, na prática, viabilizar ou inviabilizar o programa. 

Tim Clark já declarou publicamente que a Emirates ainda não está plenamente confiante na performance do 777X e afirmou que o desempenho e o apelo comercial da aeronave da Boeing só devem ficar mais claros de um a dois anos após sua entrada em serviço.

O contexto reforça a disputa histórica entre Airbus e Boeing pelo segmento de aeronaves de grande porte, hoje dominado quase exclusivamente pelo 777X após a Airbus ter descontinuado a produção do A380.

Estratégia da Airbus para 2029

O possível lançamento do A350-2000 está inserido em uma atualização estratégica mais ampla apresentada pela Airbus durante o Farnborough Airshow, que projeta dobrar o lucro operacional ajustado da companhia para cerca de € 10 bilhões até 2029. 

Esse plano pressupõe o lançamento de duas aeronaves esticadas: o A220-500, voltado ao segmento de corredor único, e a versão maior do A350, no segmento wide-body.

Especificações técnicas projetadas (não oficiais)

Com base em estimativas de mercado e análises técnicas do setor aeronáutico, um eventual A350-2000 teria as seguintes características, ainda sem confirmação oficial da Airbus:

Um estiramento adicional de aproximadamente 4 a 6 metros em relação ao A350-1000, resultando em comprimento total estimado entre 78 e 80 metros — superior aos 75,3 metros do extinto A340-600. A capacidade projetada giraria entre 400 e 440 assentos em configuração típica, podendo superar 480 a 500 lugares em arranjos de alta densidade, um acréscimo de 40 a 70 assentos sobre o A350-1000 atual.

O alcance tende a ser reduzido em relação ao A350-1000 atual, ficando entre 7.500 e 8.400 milhas náuticas devido ao aumento de peso e arrasto, posicionando a aeronave em patamar semelhante ao do Boeing 777-9 em boa parte das rotas. 

A motorização dependeria da opção final de projeto: uma versão de menor estiramento poderia manter o Trent XWB-97 atual, enquanto uma versão mais ambiciosa demandaria um motor derivado de maior empuxo, possivelmente incorporando tecnologia UltraFan da Rolls-Royce, sobretudo para operação em condições de alta temperatura e altitude elevada.

Outras alterações estudadas incluem reforço do trem de pouso, reforços estruturais na fuselagem, saídas de emergência adicionais, ajustes pontuais na asa e aumento do peso máximo de decolagem (MTOW), estimado entre 340 e 365 toneladas.

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