Relatos ucranianos apontam emprego do MANPADS de origem chinesa na defesa antidrone; televisão russa chamou o sistema de "Iva" e a identificação não tem confirmação oficial
Forças russas passaram a empregar, o sistema portátil antiaéreo iraniano Misagh-2, para interceptar drones ucranianos na região de Rostov, junto à fronteira com a Ucrânia, segundo relatos e imagens divulgados por fontes ucranianas.
O emprego deste tipo de MANPAD, ocorre em meio à pressão crescente dos ataques ucranianos com aeronaves não tripuladas. Até o momento, não há confirmação oficial do modelo nem da origem do equipamento.
Um míssil de busca por calor, pensado para o disparo rápido
O Misagh-2 é um míssil superfície-ar portátil com buscador infravermelho passivo, concebido no conceito "dispare e esqueça". Depois do lançamento, o projétil acompanha sozinho a assinatura infravermelha do alvo, sem exigir guiamento contínuo do operador.
Na prática, isso permite que a equipe de tiro deixe a posição logo após o disparo, vantagem relevante para quem enfrenta drones e sabe que será procurado.
Da tecnologia chinesa à família Misagh
O Misagh-2 nasceu de tecnologia do chinês QW-1, míssil bastante exportado que serviu de base ao desenvolvimento iraniano. O texto afirma que o Irã começou a produzir o Misagh-1 em 2006 e, depois, desenvolveu o Misagh-2 com alterações na propulsão, no guiamento e em outros componentes.
A versão seguinte, o Misagh-3, recebeu espoleta de proximidade a laser e melhorias no buscador e na propulsão, com o objetivo de aumentar a capacidade contra alvos pequenos e com manobra.
Imagens da TV russa levantaram dúvidas sobre o modelo
A identificação do sistema, como Misagh-2 não é consensual. Imagens exibidas pelo canal Russia-1 mostraram um grupo móvel de defesa aérea na região de Rostov com um MANPADS fora do comum, o que levou a perguntas sobre o uso de sistemas de origem chinesa ou iraniana pela Rússia.
Segundo a reportagem, o armamento aparece em um grupo móvel de fogo da 51ª Divisão de Defesa Aérea, e os militares russos o chamaram de "Iva", denominação que não corresponde a nenhum MANPADS conhecido em serviço no país.
Analistas citados em outras publicações divergem. Alguns apontam semelhança com os chineses QW-18, QW-18A e QW-19, outros com a família iraniana Misagh, e não há origem confirmada, enquanto a China nega fornecer armas letais à Rússia.
A versão da Military Watch Magazine, baseada em relatos ucranianos, corresponde à hipótese iraniana. Até que haja confirmação oficial, a identificação precisa do míssil deve ser tratada com cautela.
Defesa antidrone e a hipótese do custo
As unidades russas montaram um número cada vez maior de grupos móveis de fogo, com metralhadoras, guerra eletrônica, sensores ópticos e mísseis antiaéreos de curto alcance. O objetivo é conter os drones ucranianos, hoje uma das ameaças mais persistentes a tropas e infraestrutura da Rússia.
A publicação considera possível que os sistemas iranianos tenham sido obtidos pelo custo menor ou por falta de material equivalente no país.
A relação militar entre Moscou e Teerã não seria inédita. A Coreia do Norte aparece como principal fornecedora estrangeira da Rússia, mas a Rússia já usou drones de ataque da série Shahed na Ucrânia e trabalhou com o Irã na produção local e na adaptação desses sistemas.
Mesmo assim, não há comprovação pública de como um eventual lote de MANPADS teria chegado às mãos russas.
O vínculo com a perda do F-15E
O Misagh-2, também entrou no debate por causa da queda de um F-15E Strike Eagle da USAF durante a guerra contra o Irã. A aeronave, do 494º Esquadrão de Caça, foi abatida em 3 de abril de 2026, sobre o oeste do Irã, por defesas aéreas da Guarda Revolucionária.
Segundo o presidente Donald Trump, o caça foi atingido por um míssil portátil de busca por calor. Fontes afirmam que, o modelo exato não foi estabelecido publicamente, e outra publicação especializada sustenta apenas a suspeita de um MANPADS de fabricação chinesa.
Fonte: Military Watch Magazine – tradução e adaptação textual: DefesaTvNews


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