Translate

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Rússia amplia defesa antidrone com míssil de busca por calor de origem iraniana, segundo fontes ucranianas

Relatos ucranianos apontam emprego do MANPADS de origem chinesa na defesa antidrone; televisão russa chamou o sistema de "Iva" e a identificação não tem confirmação oficial

Forças russas passaram a empregar, o sistema portátil antiaéreo iraniano Misagh-2, para interceptar drones ucranianos na região de Rostov, junto à fronteira com a Ucrânia, segundo relatos e imagens divulgados por fontes ucranianas. 

O emprego deste tipo de MANPAD, ocorre em meio à pressão crescente dos ataques ucranianos com aeronaves não tripuladas. Até o momento, não há confirmação oficial do modelo nem da origem do equipamento.

Um míssil de busca por calor, pensado para o disparo rápido

O Misagh-2 é um míssil superfície-ar portátil com buscador infravermelho passivo, concebido no conceito "dispare e esqueça". Depois do lançamento, o projétil acompanha sozinho a assinatura infravermelha do alvo, sem exigir guiamento contínuo do operador. 

Na prática, isso permite que a equipe de tiro deixe a posição logo após o disparo, vantagem relevante para quem enfrenta drones e sabe que será procurado.

Da tecnologia chinesa à família Misagh

O Misagh-2 nasceu de tecnologia do chinês QW-1, míssil bastante exportado que serviu de base ao desenvolvimento iraniano. O texto afirma que o Irã começou a produzir o Misagh-1 em 2006 e, depois, desenvolveu o Misagh-2 com alterações na propulsão, no guiamento e em outros componentes. 

A versão seguinte, o Misagh-3, recebeu espoleta de proximidade a laser e melhorias no buscador e na propulsão, com o objetivo de aumentar a capacidade contra alvos pequenos e com manobra.

Imagens da TV russa levantaram dúvidas sobre o modelo

A identificação do sistema, como Misagh-2 não é consensual. Imagens exibidas pelo canal Russia-1 mostraram um grupo móvel de defesa aérea na região de Rostov com um MANPADS fora do comum, o que levou a perguntas sobre o uso de sistemas de origem chinesa ou iraniana pela Rússia. 

Segundo a reportagem, o armamento aparece em um grupo móvel de fogo da 51ª Divisão de Defesa Aérea, e os militares russos o chamaram de "Iva", denominação que não corresponde a nenhum MANPADS conhecido em serviço no país. 

Analistas citados em outras publicações divergem. Alguns apontam semelhança com os chineses QW-18, QW-18A e QW-19, outros com a família iraniana Misagh, e não há origem confirmada, enquanto a China nega fornecer armas letais à Rússia. 

A versão da Military Watch Magazine, baseada em relatos ucranianos, corresponde à hipótese iraniana. Até que haja confirmação oficial, a identificação precisa do míssil deve ser tratada com cautela.

Defesa antidrone e a hipótese do custo

As unidades russas montaram um número cada vez maior de grupos móveis de fogo, com metralhadoras, guerra eletrônica, sensores ópticos e mísseis antiaéreos de curto alcance. O objetivo é conter os drones ucranianos, hoje uma das ameaças mais persistentes a tropas e infraestrutura da Rússia. 

A publicação considera possível que os sistemas iranianos tenham sido obtidos pelo custo menor ou por falta de material equivalente no país.

A relação militar entre Moscou e Teerã não seria inédita. A Coreia do Norte aparece como principal fornecedora estrangeira da Rússia, mas a Rússia já usou drones de ataque da série Shahed na Ucrânia e trabalhou com o Irã na produção local e na adaptação desses sistemas. 

Mesmo assim, não há comprovação pública de como um eventual lote de MANPADS teria chegado às mãos russas.

O vínculo com a perda do F-15E

O Misagh-2, também entrou no debate por causa da queda de um F-15E Strike Eagle da USAF durante a guerra contra o Irã. A aeronave, do 494º Esquadrão de Caça, foi abatida em 3 de abril de 2026, sobre o oeste do Irã, por defesas aéreas da Guarda Revolucionária. 

Segundo o presidente Donald Trump, o caça foi atingido por um míssil portátil de busca por calor. Fontes afirmam que, o modelo exato não foi estabelecido publicamente, e outra publicação especializada sustenta apenas a suspeita de um MANPADS de fabricação chinesa.

Fonte: Military Watch Magazine – tradução e adaptação textual: DefesaTvNews

Nenhum comentário: