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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

FAA reúne conselho para analisar falha de software no Boeing 737 MAX e mantém certificação suspensa

Problema nas versões 14 e 14.1 do computador de voo pode desativar a navegação vertical (VNAV) após uma arremetida; Boeing e GE Aerospace trabalham para acelerar a correção definitiva

A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA), irá reunir nesta sexta-feira (2), um Conselho de Revisão de Ações Corretivas (CARB) para avaliar uma falha de software que afeta determinados Boeing 737 MAX. 

Em um cenário específico de arremetida, o problema pode impedir que os pilotos tenham acesso à orientação automática de voo. 

O painel vai definir se a condição representa risco que exija novas medidas. Enquanto isso, a agência mantém em suspenso a certificação do 737 MAX 10, que concluiu os ensaios em voo de certificação em julho. Segundo a Reuters, executivos de companhias aéreas não esperam que o conselho classifique o caso como risco significativo à segurança.

O que o conselho da FAA pode decidir

O CARB, faz parte do processo regular de aeronavegabilidade continuada da FAA e, por si só, não significa que a aeronave tenha sido considerada insegura. Segundo a agência, esses conselhos reúnem especialistas técnicos para avaliar riscos e as medidas de mitigação propostas. 

Se a análise concluir que existe uma condição insegura a ser corrigida, o processo pode terminar na emissão de uma Diretriz de Aeronavegabilidade (AD). De acordo com a orientação da FAA, o conselho antecede essa etapa e não a substitui.

Depois da reunião, o leque de desfechos vai desde a aceitação dos procedimentos atuais dos pilotos, até a correção do software, até a exigência de medidas provisórias adicionais ou de mudanças obrigatórias.

A Boeing afirma já ter informado todos os operadores do 737 sobre o problema e reforçado os procedimentos existentes para lidar com esses casos raros. A fabricante diz que seus engenheiros trabalham em uma atualização de software para resolver a falha de forma permanente.

A posição do governo americano, por ora, é que não há motivo para manter a frota MAX em solo, segundo a Reuters. O secretário de Transportes, Sean Duffy, disse na quarta-feira (30) que a atualização de software não foi classificada como problema sério de segurança. 

A FAA, descreve a questão como algo que pode aumentar a carga de trabalho dos pilotos em casos raros. Duffy ressaltou, porém, que a resposta seria bem diferente caso o CARB identifique um problema de segurança.

Como a falha afeta o 737 MAX

O problema, está nas versões 14 e 14.1 do software do computador de gerenciamento de voo (FMC) do 737 MAX, desenvolvido pela GE Aerospace. A falha só aparece em uma sequência muito específica de eventos. 

O avião voa uma aproximação de precisão automática, os pilotos abortam o pouso e arremetem, e depois alteram a rota programada no FMC. Nessa situação, a aeronave pode deixar de seguir a trajetória vertical programada sem aviso.

Em vez de gerenciar automaticamente subida, descida e restrições de altitude por meio da função de navegação vertical (VNAV), o avião passa para um modo de automação mais simples. Isso não é perigoso em si, mas obriga os pilotos a perceber a mudança, selecionar o modo adequado e controlar de forma mais ativa o perfil vertical. 

A carga de trabalho na cabine pode aumentar bastante, o que preocupa porque a arremetida costuma ocorrer perto do solo. Nesse momento, a tripulação já lida com mudanças de configuração, navegação em espaço aéreo restrito e instruções do controle de tráfego aéreo (ATC).

Os pilotos mantêm o controle da aeronave, e o piloto automático continua disponível.

Um problema conhecido desde 2024

A história do caso é mais longa do que sua divulgação sugere. A Boeing recebeu a primeira notificação de uma companhia aérea em novembro de 2024, analisou o assunto e concluiu em fevereiro de 2025 que não se tratava de questão de segurança. 

Novas informações de operadores, recebidas este ano, levaram a empresa a conduzir uma revisão formal de segurança e enviar os resultados à FAA. A Boeing havia indicado que uma correção permanente só chegaria em 2028, mas agora trabalha para antecipar a solução.

Certificação do MAX 10 em compasso de espera

As consequências atingem as duas variantes mais novas da família. A FAA certificou o 737 MAX 7 em 3 de agosto, e a CBS News informou que isso ocorreu com a versão 14 do software. O MAX 10, por sua vez, usou a versão 14.1 durante os testes de certificação. 

O administrador da FAA, Bryan Bedford, afirmou que a agência não certificará o MAX 10 enquanto não estiver satisfeita com a solução do problema. Segundo ele, ainda não há conclusão sobre se a falha é uma questão de segurança de voo.

Entre as companhias americanas, Alaska Airlines, American Airlines, Southwest Airlines e United Airlines afirmam que suas aeronaves em serviço não utilizam o software afetado, segundo a CBS News. 

Southwest e United informaram à Boeing que não aceitarão aviões novos equipados com ele e preferem uma versão anterior até a solução do problema. A canadense WestJet usa o software, mas diz não ter registrado ocorrências relacionadas em operação.

O atraso pesa para clientes como Alaska e United. A Alaska tem 105 encomendas firmes de MAX 10, mais 35 opções, e esperava receber o primeiro avião na próxima primavera do hemisfério norte, antes de o problema vir à tona. 

A United tem mais de 160 aeronaves do modelo encomendadas e espera o tipo há anos. A reunião desta sexta-feira deve dar a indicação mais clara até agora sobre o que a Boeing enfrenta: uma correção de software acelerada e relativamente simples, ou uma interrupção mais profunda na certificação e nas entregas.

Fonte: Simple Flying – FAA Set To Convene Review Board To Address Boeing 737 MAX Software Glitch – tradução e adaptação textual: DefesaTvNews

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