Navio com radar AN/SPY-6(V)1 será incorporado à Marinha dos EUA em 3 de outubro, em Whittier, na primeira cerimônia do tipo no estado desde 2013
O futuro USS Ted Stevens (DDG 128), destróier da Classe Arleigh Burke na configuração Flight III, chegou a Whittier, no Alasca, em 27 de setembro, a menos de uma semana da cerimônia de comissionamento.
O evento está marcado para este sábado, 3 de outubro, e será o primeiro comissionamento de um navio da Marinha dos EUA no Alasca desde 2013, quando o USS Anchorage (LPD 23) entrou em serviço.
O navio é um dos mais avançados meios de superfície da Marinha americana e, segundo a imprensa especializada, reforça a presença dos EUA em uma região cada vez mais relevante para as operações no Ártico e no Pacífico Norte.
Um destróier batizado em homenagem a um senador do Alasca
O nome do navio homenageia Ted Stevens, piloto do Corpo Aéreo do Exército na Segunda Guerra Mundial que representou o Alasca no Senado dos EUA por quatro décadas e se tornou uma voz influente nos gastos de defesa.
A escolha de Whittier, cerca de 60 milhas a sudeste de Anchorage, no Prince William Sound, foi defendida pela delegação do Alasca no Congresso e por autoridades estaduais, e aprovada em março pelo então secretário da Marinha, John Phelan.
O DDG 128, foi construído pela Ingalls Shipbuilding, da Huntington Ingalls Industries, em Pascagoula, no Mississippi. Em comunicado, o secretário interino da Marinha, Hung Cao, afirmou que o navio está pronto para responder ao chamado do país, dissuadir agressões e proteger os interesses dos EUA.
Depois da cerimônia, o Ted Stevens seguirá para o porto-base definitivo, em Norfolk, na Virgínia, onde já esteve em 15 de maio de 2026. Ou seja, a presença no Alasca, por ora, é ligada ao comissionamento, e não a um desdobramento permanente na região.
Flight III: radar AN/SPY-6(V)1 e mais capacidade elétrica
A configuração Flight III é a mais recente da Classe Arleigh Burke. O Ted Stevens é equipado com o radar de defesa aérea e antimíssil AN/SPY-6(V)1, projetado para detectar e rastrear com mais precisão aeronaves, mísseis de cruzeiro e mísseis balísticos.
Esta versão, incorpora geração elétrica e capacidade de refrigeração bem superiores às das variantes anteriores, o que permite sustentar o radar e outros sistemas de combate avançados. Em conjunto com o sistema Aegis e o armamento de mísseis do navio, o radar amplia o papel dos Flight III na defesa aérea e antimíssil integrada.
Frota sob pressão no Oriente Médio
A frota de Arleigh Burke, enfrenta desgaste por idade e pelo ritmo operacional elevado. O navio-líder da classe, USS Arleigh Burke, foi batido de quilha em 1988 e comissionado em julho de 1991.
O emprego de destróieres Arleigh Burke, contra alvos iranianos é documentado: o USS Michael Murphy (DDG 112), por exemplo, lançou mísseis Tomahawk contra alvos no Irã em 10 de junho, segundo o Comando Central dos EUA (CENTCOM).
Apesar da idade do projeto, os Arleigh Burke seguem significativamente mais avançados que os destróieres russos em serviço, ao contrário do que ocorre em comparação com China e Coreia do Norte, que já incorporaram destróieres modernos.
Alasca, Ártico e a geografia da questão
O Alasca e a Rússia são separados pelo Estreito de Bering, e os territórios dos dois países chegam a cerca de 90 km de distância nos pontos mais próximos. Vale ressaltar que essa distância se refere à fronteira entre os territórios, e não ao porto de Whittier, situado no litoral sul do Estado.
Ainda de acordo com a publicação, um Flight III operando a partir da região poderia contribuir com defesa aérea e antimíssil, vigilância marítima e missões de ataque de longo alcance em águas próximas à Rússia e ao Ártico.
A Marinha mantém operações de segurança marítima em altas latitudes, exercícios e treinamento em clima frio, e os EUA têm ampliado o foco na capacidade de atuar no Ártico à medida que a Rússia expande sua infraestrutura militar no norte.
Contexto: reivindicações territoriais e presença russa
Em dezembro de 2023, o governo dos EUA anunciou a ampliação de suas reivindicações sobre cerca de 1 milhão de quilômetros quadrados de leito marinho, boa parte no Ártico. Do lado russo, a Rússia prioriza o Ártico para o emprego de seus equipamentos mais capazes, incluindo os cruzadores nucleares da Classe Kirov.
Fonte: Military Watch Magazine – U.S. Navy Deploys Newest Destroyer Within Missile Range of Russia's Arctic Bases – tradução e adaptação textual: DefesaTvNews
Nenhum comentário:
Postar um comentário