Departamento de Estado notificou o Congresso sobre o pacote, que inclui motores, sistemas de guerra eletrônica e treinamento; negócio ainda depende de aprovação dos parlamentares americanos
O Departamento de Estado dos Estados Unidos aprovou, nesta quinta-feira (17), a possível venda de 48 caças F-35A Lightning II, da Lockheed Martin, à Arábia Saudita, em um pacote estimado em US$ 24,3 bilhões.
A operação, que ainda precisa passar pelo crivo do Congresso americano, marcaria a primeira vez que um país árabe recebe o caça de quinta geração — até o momento, Israel é o único operador do F-35 no Oriente Médio.
O anúncio foi feito em Washington, e ocorre em um momento em que a Arábia Saudita se vê cada vez mais envolvida no conflito no Oriente Médio, incluindo os ataques promovidos pelos rebeldes houthis.
Segundo o Departamento de Estado, o pacote apoiará "os objetivos de política externa e segurança nacional dos Estados Unidos, ao melhorar a segurança de um importante aliado fora da Otan que representa um fator de estabilidade política e progresso econômico na região do Golfo".
O que compõe o pacote
De acordo com a notificação enviada ao Congresso, o lote inclui 48 caças F-35A de decolagem e pouso convencionais, além de 49 motores Pratt & Whitney F135-PW-100 — um para cada aeronave e um sobressalente.
O pacote, vai além das aeronaves em si: contempla sistemas de comunicação segura e navegação, equipamento criptográfico, suporte de guerra eletrônica, peças de reposição, serviços de manutenção e equipamentos de apoio a aeronaves e munições.
O acordo também prevê, treinamento de pessoal saudita, com simuladores e outros equipamentos de instrução incluídos. Software, documentação técnica, transporte, apoio a reabastecimento em voo e suporte de engenharia e logística do governo americano completam a lista de itens cobertos pela proposta.
Segundo o órgão americano, a aquisição ajudaria a Arábia Saudita a deter ameaças atuais e futuras, além de ampliar suas capacidades ar-ar e ar-solo.
O pacote também tornaria as forças sauditas mais interoperáveis com tropas dos Estados Unidos, de países da região e da Otan. Washington afirmou ainda que Riade deve conseguir incorporar as novas aeronaves e os equipamentos associados às suas Forças Armadas sem dificuldades.
Washington garante que "equilíbrio militar" na região será mantido
Apesar do porte e da sofisticação da proposta, o Departamento de Estado afirmou que a venda "não alterará o equilíbrio militar" na região — uma referência à política de longa data dos Estados Unidos de assegurar que Israel mantenha a chamada "vantagem militar qualitativa" (QME, na sigla em inglês) sobre potenciais adversários regionais.
Até hoje, os EUA autorizaram a venda de F-35 apenas a seus aliados mais próximos, incluindo países europeus da Otan e Israel.
Uma venda efetiva, representaria uma mudança significativa na política americana, com potencial de alterar o equilíbrio de poder militar no Oriente Médio e testar, na prática, esse compromisso histórico de Washington com a vantagem qualitativa israelense.
Autoridades israelenses — únicas operadoras do caça na região até o momento — já haviam manifestado preocupação com a venda do F-35 a Riad, apesar dos esforços para normalizar relações entre os dois países. Segundo apuração internacional, Israel ainda não havia se manifestado oficialmente sobre o anúncio até a publicação desta matéria.
Pedido direto ao governo Trump
A Arábia Saudita, maior compradora de armamentos americanos, busca o caça há anos como parte da modernização de sua força aérea e do esforço para conter ameaças regionais, sobretudo do Irã. Segundo a Reuters, o reino fez um apelo direto ao presidente americano Donald Trump no início de 2025 para a compra das aeronaves, o que configuraria a aquisição de duas esquadrilhas do jato.
A questão do F-35 também esteve, no passado, entrelaçada a esforços diplomáticos mais amplos. O governo do então presidente Joe Biden chegou a explorar a possibilidade de fornecer o caça à Arábia Saudita como parte de um acordo abrangente que incluiria a normalização de relações entre Riade e Israel — negociação que, à época, não avançou.
A embaixada saudita em Washington celebrou o anúncio, classificando a proposta como um novo passo na cooperação de defesa entre os dois países. "A proposta de venda do F-35 reflete a força e a natureza duradoura da parceria estratégica entre Arábia Saudita e Estados Unidos e o avanço contínuo de nossa cooperação em defesa", declarou a embaixada, em publicação na rede social X.
Próximos passos
O Departamento de Estado não informou prazo para a eventual entrega das aeronaves. A venda ainda precisa ser aprovada pelo Congresso americano, e veículos internacionais apontam que o negócio está longe de ser garantido, diante de possível resistência de parlamentares e de um histórico de negociações de F-35 na região que não avançaram no passado.
Fonte: Reuters — "US clears way for $24.3 billion military aircraft sale to Saudi Arabia" (17/09/2026) / Tradução e adaptação: DefesaTVNews

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