Translate

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Submarino nuclear, Gripen FX-2 e Fragata Tamandaré: os destaques do orçamento de Defesa em 2027

Novo PAC financia 16 projetos das Forças Armadas, incluindo o Programa Nuclear da Marinha, o caça Gripen FX-2 e o sistema de mísseis Astros 2020

Imagem gerada por IA

O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, encaminhado pelo Governo Federal ao Congresso Nacional, reserva R$ 10,2 bilhões para 16 projetos de defesa inseridos na carteira do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). 

Os recursos contemplam iniciativas da Marinha, do Exército e da Força Aérea Brasileira, com impacto direto na geração de empregos e na transferência de tecnologia para a Base Industrial de Defesa Nacional, segundo a Mensagem Presidencial que acompanha o projeto de lei.

De acordo com o documento, os investimentos seguem as diretrizes da Política Nacional de Defesa, que relaciona a Defesa Nacional à garantia da soberania, à integridade territorial e à manutenção de Forças Armadas modernas, integradas e progressivamente mais autônomas em tecnologias estratégicas.

Marinha do Brasil concentra maior fatia dos recursos navais

Entre os destaques está o Programa Nuclear da Marinha (PNM), que recebe R$ 1,4 bilhão para 2027. O programa é responsável pelo desenvolvimento do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (Labgene), da infraestrutura do ciclo do combustível nuclear e da Planta Nuclear Embarcada, elementos considerados centrais para a autonomia tecnológica do país em área estratégica.

Já o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), conduzido em parceria com o governo da França, terá R$ 852,5 milhões. O projeto prevê a construção do submarino de propulsão nuclear, com execução física de 29% até 2027, além da continuidade do Submarino Nuclear Convencionalmente Armado (SNCA), cuja Seção C Preliminar deve ser concluída no período, com início da construção do casco resistente.

No campo dos submarinos convencionais, os documentos indicam que as unidades Riachuelo, Humaitá e Tonelero já foram incorporadas ao setor operativo da Marinha, enquanto o submarino Almirante Karam segue em fase de comissionamento e preparação para provas de mar. 

A infraestrutura do Complexo Naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro — que abrange a Base de Submarinos da Ilha da Madeira e o Complexo de Manutenção Especializada —, deve atingir 83% de execução física em 2027, com aporte de R$ 215,7 milhões para o Estaleiro e Base Naval de Construção de Submarinos.

O orçamento também contempla R$ 115 milhões para a construção dos Navios-Patrulha de 500 toneladas da Classe Macaé, com entrega total prevista de 12 embarcações destinadas à fiscalização de águas brasileiras e ao combate a ilícitos transnacionais. 

Outro projeto naval relevante é o Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), com R$ 900 milhões para 2027, ano em que está prevista a entrega final da primeira fragata da série, batizada Tamandaré, das quatro contratadas até 2030 para a proteção da Amazônia Azul.

Exército recebe aporte para blindados, Astros e monitoramento de fronteira

O Exército Brasileiro conta com quatro projetos na carteira do PAC. O programa Forças Blindadas recebe R$ 1 bilhão, destinado a reativar a produção nacional de viaturas blindadas, com previsão de entrega de 116 unidades em 2027. O Projeto Astros 2020, voltado ao Sistema de Defesa Estratégico de Mísseis e Foguetes, tem R$ 671,4 milhões alocados e deve alcançar 27,9% de execução física até o fim do ano.

A Implantação do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron) recebe R$ 467 milhões, com meta de 28,2% de execução física, enquanto o Sistema de Aviação do Exército — que inclui aeronaves, veículos aéreos não tripulados e equipamentos de sensoriamento — tem R$ 520 milhões previstos, com execução estimada em 47,4% ao final de 2027.

FAB avança com entrega de caças Gripen e cargueiros KC-390

Na Força Aérea Brasileira, o Projeto FX-2 é o de maior valor entre os programas aeronáuticos, com R$ 2,8 bilhões destinados à aquisição de caças Gripen multiemprego de última geração, fabricados na Suécia. Do total de aeronaves contratadas, 12 já foram entregues e estão em operação, com mais quatro previstas ao longo de 2027 — além de armamentos, simuladores de voo e transferência de tecnologia associados ao contrato.

O Projeto KC-390, cargueiro multimissão empregado em transporte logístico, reabastecimento em voo e evacuação aeromédica, recebe R$ 571,8 milhões, com a entrega de mais uma aeronave estimada para o ano. Já o Projeto KC-X, voltado à ampliação da capacidade de transporte aéreo estratégico, tem dotação de R$ 10,2 milhões para sua conclusão, com meta de atingir 100% de execução física em 2027.

O Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro (Sisdabra) recebe R$ 337,5 milhões, valor direcionado à modernização estrutural e de aviônicos das aeronaves A-29, além da aquisição de sistemas embarcados e de solo para ampliar a capacidade de vigilância e resposta da FAB.

Programas conjuntos e ações humanitárias completam o pacote

Para o emprego conjunto das Forças Armadas, o Projeto HX-BR — voltado à manutenção final de helicópteros de médio porte — recebe R$ 500 mil, com estimativa de 47 unidades em operação até o fim de 2027. 

Já o Projeto TH-X, direcionado à aquisição de helicópteros de instrução aérea básica, conta com R$ 413 milhões, prevendo quatro aeronaves para a Marinha e quatro para a Aeronáutica no período, dentro de um total de 27 unidades a serem entregues.

O documento orçamentário também prevê R$ 262 milhões para a Operação Acolhida, iniciativa humanitária de apoio a imigrantes que atua desde 2018 com emprego das Forças Armadas, e R$ 204,4 milhões para ações emergenciais em terras indígenas, conduzidas em conjunto com o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

Fonte: Governo Federal

Nenhum comentário: