Análise apontam que satélites russos, incluindo o Cosmos 2573, passaram sobre a Base aérea, na Arábia Saudita, antes do ataque que feriu 12 militares dos EUA e destruiu um AWACS avaliado em centenas de milhões de dólares
Uma investigação da rede televisiva CNN, revelou que 14 satélites espiões russos realizaram manobras orbitais e sobrevoaram a Prince Sultan Air Base, na Arábia Saudita, dois dias antes de o Irã lançar um ataque com mísseis e drones contra a instalação, em 27 de março de 2026.
Segundo fontes americanas e internacionais de inteligência ouvidas pela emissora, o momento e a sequência das passagens dos satélites deram a Teerã, acesso a um amplo espectro de dados que teriam ajudado o país a conduzir alguns dos ataques mais precisos já registrados contra ativos militares dos Estados Unidos na região.
O ataque à Prince Sultan Air Base
O ataque de 27 de março contra a Prince Sultan Air Base, envolvendo pelo menos um míssil e vários drones, feriu 12 militares americanos e danificou ou destruiu equipamentos militares importantes dos EUA, incluindo um Boeing E-3 Sentry, aeronave do sistema Airborne Warning and Control System (AWACS), capaz de rastrear aeronaves e mísseis a centenas de quilômetros de distância.
A base localizada nas proximidades de Riade, abriga há décadas, uma presença estratégica americana na região.
Um dos pontos que mais chamou atenção dos investigadores foi, a precisão do ataque contra a aeronave AWACS. Mesmo com a aeronave fora de sua localização habitual antes da guerra, as forças iranianas conseguiram localizá-la e destruí-la.
O que os satélites russos teriam coletado
Segundo à apuração, o momento e a sequência das passagens dos satélites deram a eles acesso a um amplo espectro de dados que, de acordo com autoridades americanas e fontes internacionais de inteligência, ajudaram Teerã a realizar alguns de seus ataques mais precisos contra ativos americanos.
A CNN, não teve acesso às imagens produzidas pelos satélites russos, mas utilizou dados orbitais de rastreamento, com apoio técnico do Project Aurora e da empresa americana Kayhan Space.
Entre os satélites identificados está o Cosmos 2573, apontado pela reportagem como um dos satélites russos mais avançados envolvidos no episódio. O Cosmos 2573, possui capacidades detalhadas de imagem, incluindo radar de abertura sintética (SAR), tecnologia que permite coletar informações mesmo sob condições de nebulosidade ou escuridão, e detectar mudanças físicas em ativos de alto valor.
Ao todo, a rede mostrou imagens do satélite russo Cosmos 2573 sobrevoando a Prince Sultan Air Base, junto a outros 13 satélites espiões russos, dois dias antes do ataque.
Segundo apurado por veículo russo que também acompanhou o caso, os satélites teriam realizado tanto reconhecimento visual quanto possível interceptação de comunicações sobre o objeto observado. Não há, até o momento, confirmação independente sobre esse segundo aspecto, cabendo cautela quanto ao alcance exato das capacidades empregadas.
Suspeita de cooperação de inteligência mais ampla
Fontes ouvidas pela CNN, sugerem que a colaboração não teria se limitado a um episódio isolado. Segundo interlocutores da emissora, dados de satélites russos também poderiam estar sendo usados para planejar outros ataques contra bases americanas, centros de comando, instalações logísticas e infraestrutura naval no Oriente Médio.
O caso da Prince Sultan Air Base, não é o único episódio em que se levantou a suspeita de repasse de inteligência espacial russa ao Irã.
Em declarações anteriores, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou ter recebido informações de que satélites russos fotografaram a mesma base por três vezes nos dias anteriores ao ataque — em 20, 23 e 25 de março — dizendo estar "100% confiante" de que a Rússia compartilhava essas informações com o Irã.
As declarações de Zelensky, no entanto, partem de canais próprios de inteligência ucraniana e não se confundem com a apuração independente conduzida pela CNN.
Posição da Casa Branca
O tema ganhou repercussão política nos Estados Unidos. Questionado publicamente se acreditava que a Rússia estaria ajudando o Irã a atingir bases americanas no Oriente Médio, o presidente Donald Trump disse não acreditar nessa hipótese, afirmando conhecer bem o presidente russo Vladimir Putin e sustentando que o próprio líder russo lhe teria garantido, pessoalmente, que isso não estava ocorrendo.
Não há, até o momento, confirmação oficial de Moscou ou de Washington sobre o teor exato dessa conversa, e a Casa Branca não se pronunciou formalmente sobre as conclusões da investigação da CNN.
Fonte: CNN — "CNN Investigates: Iran has improved targeting of US assets. Here's how Russian satellites likely have helped" (https://edition.cnn.com/2026/09/16/world/video/russia-spy-satellites-iran-intelligence-strikes-us-assets-digvid-invs) — tradução e adaptação textual: DefesaTvNews

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