Operação Potiguar 2 reúne cerca de 160 militares e servidores civis para lançamento do veículo de sondagem VS-30 V16, no Rio Grande do Norte
A Força Aérea Brasileira (FAB) iniciou, no dia 31 de agosto, os trabalhos de montagem e integração da Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM-R) no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim, no Rio Grande do Norte.
A operação, batizada de Potiguar 2, segue até 19 de setembro e tem como objetivo qualificar, em condições reais de voo, o sistema de recuperação da plataforma, que será lançada por meio do veículo de sondagem VS-30 V16.
Integração e testes da plataforma
Cerca de 160 militares e servidores civis de diferentes organizações da FAB participam da operação. Na primeira semana, os trabalhos se concentraram na integração e no balanceamento da PSM-R, plataforma que transportará diversos experimentos científicos.
Cada sistema embarcado passa por verificações funcionais, e o conjunto responsável pela recuperação é submetido a testes que simulam as condições previstas para o voo.
Segundo o coordenador-geral da Operação Potiguar 2, o principal desafio da missão está na articulação entre as equipes envolvidas.
O principal desafio é a coordenação de todas as equipes e organizações militares para compor uma operação. Aqui temos o IAE, a equipe do CLBI, os esquadrões de transporte que trouxeram o material, a equipe que fará o resgate e os helicópteros que levarão essas equipes. Essa coordenação de cada um deles é o principal desafio de um coordenador geral, afirmou.
O veículo de sondagem VS-30 V16
O VS-30 V16 é desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), organização militar da FAB subordinada ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). Lançado por trilho e dotado de estabilização aerodinâmica e por rotação, o veículo tem massa total de aproximadamente 1.600 quilogramas.
Antes do lançamento, a equipe técnica verifica o sistema conhecido como ioiô, responsável por auxiliar no controle da velocidade de rotação antes da separação da carga útil.
A carga útil, com massa estimada em 401 quilogramas, concentra os experimentos científicos que dependem do ambiente de microgravidade — condição alcançada durante parte do voo, em altitudes superiores a 100 quilômetros. A preparação inclui testes de integração, conferência de interfaces e validação de cada equipamento embarcado.
Protocolos de segurança
Todos os procedimentos seguem rigorosos requisitos de segurança. No CLBI, o acompanhamento do veículo é feito por sistemas de rastreamento e telemetria, e cada etapa — do transporte à montagem na plataforma de lançamento — obedece a protocolos estabelecidos, com coordenação integrada entre as equipes.
Um centro histórico
Inaugurado em 1965, o CLBI foi o primeiro centro de lançamentos espaciais da América do Sul. Sua localização, próxima ao equador magnético, ao Oceano Atlântico e a importantes estruturas logísticas, favorece as operações de lançamento e contribui para a segurança das atividades.
Ao longo de sua história, o Centro participou de mais de 400 lançamentos de foguetes e acompanhou mais de 3 mil veículos, incluindo o rastreamento de foguetes Ariane, em cooperação com a Agência Espacial Europeia (ESA), além do apoio ao monitoramento de veículos lançados a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA).
Os resultados da Operação Potiguar 2 devem contribuir para o desenvolvimento de tecnologias voltadas a futuras pesquisas em microgravidade, além de gerar conhecimento e capacitação em engenharia e ciência e tecnologia espacial — dados que poderão subsidiar novas pesquisas e aplicações tecnológicas em benefício da sociedade brasileira.




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