Boeing e GE Aerospace divergem sobre impacto do problema no mid-seal da turbina para a liberação da certificação ETOPS da aeronave
A Boeing informou que, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA), ainda não autorizou o início dos testes de voo de longo alcance do 777-9, devido a um problema de durabilidade identificado em um componente da turbina GE9X, fabricada pela GE Aerospace.
A informação, foi divulgada por executivos das duas empresas durante uma conferência de investidores promovida pelo banco Morgan Stanley, em meados de setembro de 2026, e trouxe à tona interpretações distintas entre fabricante e fornecedora sobre o real impacto da falha no cronograma do programa.
O problema está concentrado no chamado mid-seal, peça responsável por conectar as seções dianteira e traseira do motor GE9X e por equilibrar a distribuição de potência entre os estágios da turbina.
Segundo a GE, o projeto original do componente se mostrou menos resistente do que o previsto, o que levou a fabricante a desenvolver uma versão redesenhada. Até o momento, no entanto, a FAA não concluiu a certificação dessa nova peça.
Boeing associa atraso à certificação ETOPS
O CEO da Boeing, Kelly Ortberg, declarou em 16 de setembro que a liberação do plano de testes de voo para a certificação ETOPS (Extended-range Twin-engine Operational Performance Standards) do 777-9 depende diretamente do recebimento, pela FAA, do plano de certificação da GE para o mid-seal redesenhado.
A certificação ETOPS é o que autoriza aeronaves bimotoras a operar em rotas longas sobre o mar e em regiões remotas, distantes de aeroportos de alternativa.
"Até que tenhamos o plano de certificação do mid-seal completo, não conseguimos autorização para iniciar esse teste de voo ETOPS", afirmou Ortberg, segundo informações repassadas na conferência. O executivo disse esperar que essa liberação ocorra "muito em breve", mas reconheceu que o imbróglio deve gerar "um pequeno desafio" para o programa entre o momento atual e o fim de 2026.
GE minimiza dependência entre as duas certificações
Já o diretor financeiro da GE Aerospace, Rahul Ghai, apresentou uma leitura diferente do problema um dia depois das declarações de Ortberg. Segundo ele, a certificação ETOPS do 777-9 não depende, tecnicamente, do novo mid-seal, já que o componente atualmente em uso segue operacional.
"A certificação ETOPS não precisa do novo mid-seal. O mid-seal existente funciona. Esse sempre foi o plano", disse Ghai, que também informou que os testes da FAA voltados à validação do componente redesenhado devem ser concluídos "nos próximos meses" — sem detalhar, contudo, uma data específica.
A GE afirmou ainda que, o novo mid-seal já foi incorporado à sua linha de produção e que a entrega de motores GE9X atualizados à Boeing teve início neste trimestre. No mercado financeiro, as ações da companhia fecharam cotadas a US$ 325,48, recuo de 2,98% em relação ao pregão anterior, o que colocou o valor de mercado da GE Aerospace em torno de US$ 337,7 bilhões.
Programa segue dentro do prazo, diz Boeing
Apesar do impasse pontual em torno da certificação ETOPS, a Boeing sustenta que o esforço mais amplo de certificação de tipo do 777-9 segue dentro do cronograma previsto, com os testes de voo avançando sob a chamada autorização de inspeção de tipo (TIA, na sigla em inglês).
Ortberg reiterou que as primeiras entregas da aeronave à Boeing continuam previstas para 2027, e a liderança do programa 777-9 já indicou que o jato deve entrar em serviço com uma autorização ETOPS de 180 minutos.
O executivo também citou outro fator de risco para o programa: a possibilidade de uma greve de engenheiros representados pelo sindicato SPEEA (Society of Professional Engineering Employees in Aerospace), categoria com a qual a Boeing negocia atualmente um novo contrato coletivo de quatro anos.
Até o momento, não há confirmação oficial da FAA sobre prazo para aceite do plano de certificação do mid-seal redesenhado, tampouco uma nova data estimada para o início efetivo dos testes ETOPS do 777-9.



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