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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Encouraçado classe Trump: o que os militares chineses realmente pensam do novo navio dos EUA

Análise feita por jornal Chine, reconhece méritos táticos do novo navio de guerra americano, mas destaca custo "exorbitante" e riscos de atraso podem ameaçar outros programas navais americanos

Artigo publicado em 21 de agosto, pelo China National Defense News (CNDN), jornal oficial do Exército de Libertação Popular (PLA), analisou o programa do encouraçado classe Trump, proposto pela Marinha dos EUA, e concluiu que o projeto reúne vantagens táticas pontuais, mas enfrenta obstáculos de custo, maturidade tecnológica e coerência doutrinária que colocam em dúvida sua viabilidade. 

A avaliação chinesa, foi comentada pelo pesquisador Lyle Goldstein, diretor da China Initiative da Watson School, na Brown University, em artigo de opinião publicado pela Defense News em 3 de setembro.

O programa do encouraçado classe Trump foi anunciado pelo presidente Donald Trump em 22 de dezembro de 2025 e se tornou um dos temas mais controversos entre as novas iniciativas de estratégia marítima da atual administração americana. 

Segundo relatório do Congressional Budget Office (CBO) citado no artigo original, a construção de 15 unidades entre 2028 e 2056 custaria US$ 275 bilhões, com o 1º navio da classe, orçado em US$ 23,4 bilhões.

Vantagens reconhecidas pelo lado chinês

A publicação, reconhece que grandes embarcações "podem continuar a executar certas missões de combate mesmo quando as comunicações estão sendo interferidas", e que seus cascos oferecem resistência a danos superior à de navios de pequeno ou médio porte. 

O texto chinês também observa que, plataformas menores e distribuídas dependeriam excessivamente de enlaces de dados estáveis, uma fragilidade que o encouraçado, em tese, não teria. A análise ainda menciona que, o navio norte-americano contaria com propulsão nuclear e, possivelmente, capacidade de portar mísseis com ogivas nucleares.

Custo elevado e riscos técnicos

Apesar dessas ressalvas favoráveis, o tom predominante do artigo chinês é de ceticismo. O documento classifica como "exorbitante" o custo do programa, apontando que a opção pela propulsão nuclear em vez da convencional eleva o valor em 55%. 

A análise chama a atenção ainda para um detalhe frequentemente omitido em estimativas oficiais: os custos de descarte de resíduos nucleares e desmantelamento das embarcações após a desativação não estão incluídos no valor de US$ 275 bilhões.

O jornal militar chinês também critica a maturidade tecnológica do projeto, citando "projetos não finalizados" como fator de risco para atrasos e estouros de orçamento. 

Como o encouraçado, poderá carregar canhões eletromagnéticos (railguns), armas hipersônicas e sistemas a laser, a abordagem de "construir primeiro a plataforma, instalar o equipamento depois" é apontada como um agravante. 

Para sustentar o argumento, a publicação cita os programas do destroier classe Zumwalt e do Littoral Combat Ship (LCS) como exemplos recentes de iniciativas navais americanas marcadas por problemas semelhantes.

Contradição doutrinária

Um dos pontos, mais destacados pela análise chinesa, é a aparente contradição entre o encouraçado classe Trump e o conceito de Operações Marítimas Distribuídas (Distributed Maritime Operations), doutrina que a Marinha dos EUA vem promovendo nos últimos anos.

Esta doutrina, prioriza a dispersão de capacidades de detecção, comando e ataque entre múltiplos nós, justamente para reduzir o impacto de perdas concentradas em poucos navios de grande porte. Nesse contexto, o texto chinês também questiona se grandes combatentes de superfície seguem vulneráveis demais a submarinos silenciosos, mísseis hipersônicos e enxames de drones.

Atrasos na indústria naval americana

A avaliação do PLA, demonstra ainda conhecimento detalhado sobre os gargalos da indústria naval dos Estados Unidos, afirmando que os principais estaleiros do país enfrentam atrasos médios de cinco anos, com o ciclo de entrega de uma embarcação passando de aproximadamente cinco anos no início dos anos 2000 para cerca de onze anos atualmente. 

Segundo a publicação, a construção dos encouraçados nucleares poderia atrasar ainda mais os programas de porta-aviões e submarinos, com reflexos diretos no equilíbrio naval da região Ásia-Pacífico — área de interesse direto para Pequim.

Interesse chinês em propulsão nuclear

O artigo de Goldstein, observa que a própria China tem manifestado interesse em navios de superfície com propulsão nuclear, citando o estudo aprofundado que Pequim realizou sobre o cruzador de batalha russo Almirante Nakhimov, recentemente reformado. 

Ainda assim, o autor argumenta que investir em plataformas tão ambiciosas seria imprudente para os EUA neste momento, dado o quadro de dificuldades na construção naval e o processo de contenção orçamentária enfrentado pelo país.

Para Goldstein, o mais provável é que a Marinha dos Estados Unidos volte a priorizar áreas em que já detém vantagem consolidada, como a guerra submarina e o campo emergente dos sistemas não tripulados, reduzindo o papel de grandes combatentes de superfície. 

Segundo o autor, essa reorientação sinaliza que o encouraçado classe Trump muito provavelmente nunca será de fato construído — cenário que, segundo ele, seria bem-vindo por parte dos estrategistas chineses, que veriam no avanço do projeto uma forma de desgastar recursos do rival americano.


Fonte: Defense News — artigo de opinião de Lyle Goldstein, publicado em 3 de setembro de 2026, com base em análise do China National Defense News / Tradução e Adaptação textual: DefesaTvNews

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