Manual da Força Aérea Indiana mira nacionalização de aviônicos, radares e sistemas de armas em meio a gargalos na cadeia de suprimentos russa
A Força Aérea Indiana (IAF), lançou oficialmente o manual "Sankalp-2026", um roteiro detalhado para a produção nacional de peças e sistemas destinados à sua frota majoritariamente de origem russa.
O documento, batizado de " Sankalp 2026: Problem Statements of Indian Air Force" (Declarações de Problemas da Força Aérea Indiana), foi apresentado no dia 30 de julho, em Nova Délhi durante seminário conjunto entre a IAF e a Sociedade de Fabricantes de Defesa da Índia (SIDM).
O evento contou com a presença do ministro de Estado da Defesa, Sanjay Seth, e do chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, marechal-do-ar A.P. Singh.
Foco nos caças Su-30MKI e MiG-29
O manual concentra sua prioridade na sustentação das frotas de caças Sukhoi-30MKI e MiG-29, que juntas somam cerca de 340 caças em operação. A iniciativa surge em resposta às interrupções nas cadeias de suprimento provocadas pelo conflito entre Rússia e Ucrânia, que encareceram e tornaram escassas peças críticas historicamente importadas da Rússia.
Entre os objetivos declarados está a substituição de aviônicos russos por sistemas nacionais, a modernização de radares e a integração de armamentos desenvolvidos na Índia, como o míssil ar-ar de longo alcance Astra.
O documento também trata da necessidade de produzir internamente componentes de aviônica, sistemas de guerra eletrônica e peças de motores aeronáuticos — classificados, em terminologia militar, como unidades de reposição em linha (LRUs, na sigla em inglês).
Tejas e o radar Uttam entram no pacote de nacionalização
O manual não se limita à frota russa. O caça leve Teja, também aparece como prioridade, com destaque para a necessidade de nacionalizar por completo seus sistemas de aviônica e guerra eletrônica.
Um dos pontos centrais é a integração do radar AESA Uttam, de desenvolvimento nacional, que deve ampliar significativamente a capacidade de combate da aeronave.
Conceito "Plant-in-Plant" e centros tecnológicos
Como parte da estratégia, a IAF está avaliando o modelo batizado "Plant-in-Plant", no qual empresas privadas passam a alocar equipes diretamente dentro das instalações de seus Depósitos de Reparo de Base (BRDs). A proposta busca acelerar reparos, revisões e a produção nacional de peças, reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros.
A força aérea já mantém Centros Tecnológicos Nodais (NTCs) em diferentes BRDs, em parceria com institutos de tecnologia (IITs) e com a Organização de Pesquisa e Desenvolvimento em Defesa (DRDO).
Segundo o manual, cerca de 300 projetos já foram conduzidos nesses centros para contornar gargalos de suprimento junto a fabricantes estrangeiros, sobretudo de peças críticas. O próximo passo previsto é ampliar a participação da indústria privada nacional para elevar a escala de produção.
Escopo se estende a helicópteros americanos e caças Rafale
O documento também identifica necessidades de nacionalização de peças para helicópteros de origem americana e para os caças Rafale, de fabricação francesa, sinalizando que o esforço de autossuficiência não se restringe à frota de origem soviética/russa.
A SIDM reforçou a importância de integrar de forma coordenada design, certificação, controle de qualidade, manufatura e sustentação ao longo de todo o ciclo de vida dos equipamentos.
A iniciativa se insere na estratégia mais ampla da Índia sob o programa Aatmanirbhar Bharat (Índia Autossuficiente), no qual a autonomia em defesa é tratada não apenas como meta de desenvolvimento industrial, mas como imperativo de segurança nacional diante de um cenário geopolítico instável.



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