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domingo, 2 de agosto de 2026

F/A-XX: Marinha dos EUA recebe US$ 897 milhões para acelerar busca por novo caça que irá substituir o Super Hornet

Verba bilionária busca resposta ao avanço chinês e coloca Boeing e Northrop Grumman em disputa final pelo caça de sexta geração naval

O Congresso dos Estados Unidos, aprovou um aporte adicional de US$ 897,3 milhões para o programa F/A-XX, o futuro caça de 6ª geração da Marinha dos EUA, destinado a substituir o F/A-18E/F Super Hornet, segundo o texto final da lei de apropriações de defesa para o ano fiscal de 2026, publicado pelo Comitê de Apropriações do Senado em 20 de janeiro. 

A decisão eleva o orçamento total do programa para cerca de US$ 972 milhões em recursos de pesquisa e desenvolvimento, um salto de mais de dez vezes em relação aos US$ 74 milhões inicialmente solicitados pelo Pentágono para o exercício, e ocorre em meio à preocupação de legisladores com o ritmo de modernização da aviação naval chinesa.

O reforço orçamentário chega após meses de incerteza sobre o futuro do F/A-XX, que chegou a ser deixado em segundo plano pelo Pentágono em favor do F-47, o programa Next Generation Air Dominance (NGAD) da Força Aérea, também conduzido pela Boeing. 

Segundo o Comitê de Apropriações, o Departamento de Defesa havia solicitado o desvio de parte dos recursos do F/A-XX para reforçar o F-47, sob o argumento de que manter dois programas de caças de sexta geração em paralelo poderia comprometer a entrega de ambos. 

O Congresso rejeitou essa lógica e determinou que a Marinha avance com a assinatura de um contrato único de Engenharia e Manufatura (EMD, na sigla em inglês) o quanto antes.

Um programa que já foi dado como enterrado duas vezes

O F/A-XX foi formalmente lançado em 2012, com requisitos operacionais definidos em 2015, como parte da família de sistemas Next Generation Air Dominance (NGAD), distinta do programa homônimo conduzido pela Força Aérea, ainda que compartilhem parte das tecnologias em desenvolvimento. 

Depois da eliminação da Lockheed Martin da disputa em 2025, restaram como concorrentes a Boeing, com uma variante embarcada derivada do F-47, e a Northrop Grumman, que já divulgou renderizações de um conceito ainda sem nome oficial nas redes sociais.

Na resolução continuada de 2025, o Congresso havia destinado cerca de US$ 454 milhões ao programa, na expectativa de que a Marinha assinasse o contrato EMD com um único fornecedor até março daquele ano. 

Segundo o próprio texto da lei orçamentária de 2026, no entanto, a maior parte desses recursos acabou sendo usada para prorrogar contratos já existentes, sem avanço real rumo ao chamado Marco B do programa — o que motivou a cobrança direta dos parlamentares por explicações sobre por que os recursos anteriores não foram integralmente empregados no desenvolvimento da aeronave.

Com o novo aporte, o Pentágono elevou o F/A-XX à categoria de programa prioritário ACAT-1, o que transfere a autoridade de decisão diretamente para o Gabinete do Subsecretário de Defesa para Aquisição e Sustentação. 

O comando da Marinha, sinalizou que o processo segue no cronograma para a definição do vencedor entre as duas fabricantes, com uma decisão que pode sair já em agosto, segundo o cronograma acelerado adotado pela força.

Fim da era Super Hornet

O F/A-XX é concebido como substituto direto do Super Hornet, apelidado de "Rhino" entre os aviadores navais, e não do F-35C, que segue como plataforma complementar dentro da ala aérea embarcada. A frota de F/A-18E/F, submetida a décadas de operação contínua em porta-aviões, terá sua última entrega em 2027, quando um lote final de 17 unidades encerrará a produção da aeronave.

Segundo análises do setor, o principal fator por trás da retomada acelerada do programa é o avanço da modernização militar chinesa. A Força Aérea do Exército de Libertação Popular expande sua frota do caça furtivo Chengdu J-20 rumo à marca de mil unidades, ao mesmo tempo em que operacionaliza o caça embarcado J-35 a partir dos grupos de porta-aviões com catapulta da classe Fujian. 

A China também testa em voo dois protótipos distintos de caças de sexta geração, o robusto Chengdu J-36 e o menor Shenyang J-50, este último com capacidade de operação embarcada.

Defesa de frota e ataque de longo alcance

Enquanto o F-35C é otimizado para penetração furtiva diurna e coordenação como nó sensor, mapeando ameaças e retransmitindo dados à frota, o F/A-XX é projetado como a plataforma de maior capacidade de carga da ala aérea, voltada à defesa aérea da força-tarefa e ao ataque pesado antissuperfície. 

O projeto prevê grande capacidade interna de combustível e motores de ciclo variável, com raio de combate sem reabastecimento superior a 1.600 quilômetros — alcance que permitiria aos porta-aviões americanos operar fora do envelope de ameaça de mísseis hipersônicos chineses, como o antinavio DF-27, mantendo ainda assim capacidade de projeção sobre o território chinês.

O caça também deve atuar como nó de comando para as chamadas Collaborative Combat Aircraft (CCA), drones derivados de programas como o X-47, que cumpririam funções de reconhecimento, guerra eletrônica e transporte adicional de armamento, absorvendo parte do risco operacional que hoje recai sobre pilotos humanos.

Estratégia para o Indo-Pacífico

Para analistas do setor, a retomada do F/A-XX se conecta diretamente à estratégia americana para a região do Indo-Pacífico, onde bases aéreas fixas no Japão, em Okinawa, Guam e nas Filipinas — as chamadas primeira e segunda cadeias de ilhas — são consideradas alvos vulneráveis a mísseis balísticos e de cruzeiro chineses de precisão. 

Um porta-aviões nuclear da classe Ford pode navegar a mais de 55 km/h, o que o torna, segundo a avaliação corrente entre planejadores navais, um ativo móvel e imprevisível diante de sistemas de rastreamento de longo alcance.

A frota de 11 porta-aviões de grande porte da Marinha dos EUA é apontada como recurso capaz de deslocar mais aeronaves de combate do que a maioria das forças aéreas nacionais do planeta. 

Combinando furtividade avançada, alcance estendido e enxames de drones descartáveis, o F/A-XX é apresentado pela Marinha como peça central para sustentar a mobilidade da força-tarefa naval e reduzir a dependência de bases terrestres fixas na eventualidade de um conflito na região.

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