Relatório preliminar dos investigadores alemães revela que o pino de segurança do trem de nariz nunca chegou a ser instalado durante manutenção do Dreamliner D-ABPQ; caso reacende comparação com acidente da British Airways em 2021
Um pino de trava, projetado para impedir o recolhimento do trem de pouso dianteiro do Boeing 787, permaneceu dentro de sua caixa de armazenamento quando um Dreamliner da Lufthansa sofreu o colapso do trem de nariz no Aeroporto de Frankfurt (FRA), constataram os investigadores alemães.
A descoberta oferece uma explicação mais clara, até agora para o incidente ocorrido em 4 de junho, envolvendo o Boeing 787-9 da Lufthansa de matrícula D-ABPQ, embora o Departamento Federal Alemão de Investigação de Acidentes Aeronáuticos (BFU) ainda não tenha confirmado tal episódio como sendo o final.
Técnicos trabalhavam em uma falha, envolvendo o sistema de controle das portas do trem de pouso principal, enquanto a aeronave estava estacionada em uma posição de terminal e sendo preparada para um voo com destino a Los Angeles.
O procedimento de manutenção, exigia que a alavanca do trem de pouso fosse movida para a posição "para cima". Pinos de trava deveriam ter impedido o recolhimento do próprio trem de pouso enquanto os técnicos testavam o sistema.
Os investigadores constataram que os pinos haviam sido instalados em ambos os conjuntos do trem de pouso principal. Já o pino de trava do trem de nariz, identificável por sua bandeirola vermelha de advertência, não havia sido instalado.
Quando os técnicos moveram a alavanca do trem de pouso, o trem de nariz recolheu-se e a parte frontal da aeronave caiu sobre o pátio. O relatório preliminar não explica por que o pino do trem de nariz foi deixado na caixa de armazenamento, nem atribui responsabilidade a qualquer indivíduo.
A aeronave estava se preparando para operar o voo LH450 da Lufthansa, com destino ao Aeroporto Internacional de Los Angeles (LAX) quando o colapso ocorreu por volta das 12h45, horário local.
Nenhum passageiro havia embarcado, mas técnicos, tripulação de voo, comissários e equipe de solo estavam a bordo da aeronave. O BFU informou que havia 28 pessoas a bordo e outras seis diretamente envolvidas no lado externo. Várias pessoas ficaram feridas.
A Lufthansa informou inicialmente que dois comissários de bordo e funcionários de prestadores de serviço precisaram de atendimento hospitalar. Imagens do acidente mostraram as rodas do nariz se movendo para frente à medida que o trem se dobrava, fazendo o nariz da aeronave cair sobre o pavimento. Um trabalhador de solo que estava próximo se afastou instantes antes da queda do nariz.
O acidente se assemelha fortemente a um incidente ocorrido em 2021, envolvendo um Boeing 787-8 da British Airways, no Aeroporto de Heathrow, em Londres. Naquele caso, os técnicos também realizavam um procedimento de manutenção que exigia o acionamento do trem de pouso. Um pino de trava havia sido instalado, mas o técnico o inseriu em um orifício adjacente, em vez da posição correta de travamento.
A Air Accidents Investigation Branch do Reino Unido constatou que o orifício incorreto podia fornecer indicações táteis e sonoras que faziam o pino parecer corretamente instalado. O trem de nariz recolheu-se quando os técnicos selecionaram a alavanca do trem de pouso para a posição "para cima".
O acidente da Lufthansa difere em um aspecto importante: os investigadores não encontraram o pino de trava do trem de nariz no orifício errado. Eles o encontraram dentro de sua caixa de armazenamento.
O BFU não informou se, os dois acidentes compartilham problemas mais profundos de procedimento ou de fatores humanos. A D-ABPQ era uma das aeronaves mais novas da Lufthansa. A Boeing entregou o 787-9 em janeiro de 2026, e a aeronave entrou em serviço comercial no mês seguinte.
O colapso causou danos substanciais e obrigou a Lufthansa a cancelar o voo para Los Angeles. A companhia aérea ainda não divulgou publicamente uma data para o retorno da aeronave ao serviço.

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