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quinta-feira, 16 de julho de 2026

Embraer entra na disputa contra Airbus e Boeing por encomenda da Ethiopian Airlines

Companhia aérea africana estuda aquisição de até 35 jatos de corredor único e amplia plano de expansão global com novo aeroporto de US$ 12,5 bilhões.

A Ethiopian Airlines, está avaliando propostas da Airbus, Boeing e Embraer para uma nova encomenda de jatos de corredor único (narrowbodies), com uma decisão final prevista para as próximas semanas. O anúncio foi feito no dia 12 de julho, pelo Diretor Comercial (CCO) da companhia, Lemma Yadecha, logo após a inauguração dos voos regulares para as Ilhas Maurício. 

A disputa envolve a aquisição firme de 25 aeronaves, com opções de compra para mais 10 unidades, integrando a estratégia de expansão internacional da transportadora de bandeira da Etiópia.

Modelos sob análise e concorrência acirrada

De acordo com informações obtidas pela Bloomberg, a maior transportadora aérea do continente africano está analisando detalhadamente as ofertas das três maiores fabricantes globais. 

Os modelos sob escrutínio técnico e comercial incluem a família de jatos regionais E-Jets E2 da brasileira Embraer, a linha de aeronaves A220 da europeia Airbus, e o menor modelo da família 737 MAX da norte-americana Boeing (embora ainda não esteja totalmente esclarecido se a análise foca na variante 737-8 ou no futuro 737-7).

Esta nova movimentação reforça especulações de mercado registradas anteriormente. Em maio de 2026, rumores de bastidores já indicavam que a Ethiopian Airlines estava examinando de perto uma potencial encomenda de 20 jatos Airbus A220 para reforçar suas rotas de média densidade.

Infraestrutura e expansão de frota de carga

As futuras aquisições de aeronaves estão diretamente alinhadas ao planejamento estratégico de longo prazo da Ethiopian Airlines, que visa consolidar sua posição como um dos principais hubs de conexão global do planeta. 

Como pilar dessa ambição, a companhia aérea realiza um investimento direto massivo no futuro Aeroporto Internacional de Bishoftu. Avaliado em 12,5 bilhões de dólares, o novo aeroporto de Adis Abeba contará com quatro pistas de pouso e decolagem. As obras de terraplenagem e construção do empreendimento de alta eficiência ecológica (greenfield) tiveram início em janeiro de 2026.

Paralelamente ao desenvolvimento de infraestrutura de solo, a companhia também projeta um salto em sua capacidade de carga aérea. Yadecha confirmou a repórteres que a diretoria da empresa está em fase final de deliberação para a compra de 16 aeronaves cargueiras de grande porte, com opções contratuais para mais oito unidades adicionais.

Farnborough Airshow e o atual perfil da frota

Com as declarações oficiais do CCO apontando para uma definição nos próximos dias, analistas de mercado sugerem que os anúncios formais de ambos os contratos — de jatos de corredor único e de cargueiros — possam ocorrer durante a renomada feira aeroespacial de Farnborough (Farnborough Airshow), que acontecerá no final deste mês.

A Ethiopian possui um histórico recente de anúncios em grandes feiras do setor. No ano passado, durante o Paris Air Show, a empresa assinou um acordo de compra com a canadense De Havilland Canada (DHC) para duas aeronaves Twin Otter Classic 300-G. A primeira dessas duas unidades foi oficialmente entregue à operadora no mês passado.

Atualmente, o perfil da frota da companhia africana possui forte dominância de aeronaves fabricadas pela Boeing, com aproximadamente 50 jatos norte-americanos em atividade. Na frota de longo curso, a Ethiopian também opera com sucesso 22 jatos Airbus A350-900 e quatro unidades do maior A350-1000. De acordo com os registros de inteligência de mercado da plataforma ch-aviation, a empresa não possui, neste momento, nenhuma aeronave fabricada pela Embraer em sua frota operacional ativa.

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