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segunda-feira, 20 de julho de 2026

153 anos de Santos Dumont: relembre sua trajetória e os inventos que mudaram o mundo

Data de 20 de julho marca aniversário do patrono da Aeronáutica Brasileira, criador do 14-Bis e de uma série de dirigíveis pioneiros que mudaram a história da aviação mundial

A Força Aérea Brasileira (FAB) celebra nesta segunda-feira, 20 de julho, os 153 anos de nascimento de Alberto Santos Dumont, considerado o Pai da Aviação e patrono da Aeronáutica Brasileira. A data é lembrada anualmente pela FAB com solenidades e homenagens institucionais em referência ao inventor brasileiro, nascido em 1873 na Fazenda Cabangu, em Palmira, atual município de Santos Dumont, em Minas Gerais.

Origem e formação do inventor

Filho de Henrique Dumont, fazendeiro e engenheiro, e de Francisca Santos Dumont, Alberto teve formação marcada pelo contato com mecânica desde cedo. Estudou no Colégio Culto à Ciência, em Campinas, e depois no Instituto dos Irmãos Kopke e no Colégio Morethzon, no Rio de Janeiro. 

Em 1891, viajou pela primeira vez à França com a família, contato inicial com o que se tornaria o centro de sua vida profissional. Ao completar 18 anos, foi emancipado pelo pai, recebendo títulos de renda e ações que financiaram suas experiências posteriores com motores de combustão, área pela qual desenvolveu interesse imediato ao presenciar as exposições de motores a gasolina em Paris no fim do século XIX. 

Já em Paris, aprofundou-se nos estudos de mecânica e no motor de combustão, tema que se tornaria central em toda sua obra.

A série de balões e dirigíveis: uma trajetória de tentativa e erro

Antes do 14-Bis, Santos Dumont construiu uma sequência numerada de balões e dirigíveis que documenta, passo a passo, sua evolução como engenheiro autodidata. O balão "Nº7", projetado para corridas, nunca chegou a competir por falta de concorrentes à altura. Já o "Nº8" sequer chegou a existir como projeto concluído. 

Com o "Nº9", um dirigível menor e mais ágil, Dumont passou a transportar passageiros em seus voos por Paris — entre eles a cubana Aída de Acosta, que se tornou a primeira mulher no mundo a pilotar uma aeronave. 

Foi justamente por cruzar repetidas vezes os céus parisienses com esse modelo que Dumont ganhou o apelido carinhoso de "Le petit Santos" entre os franceses. O "Nº10", maior que os anteriores, foi descrito pelo próprio inventor como um "dirigível ônibus", antecipando conceitos de transporte aéreo coletivo que só se popularizariam décadas depois.

Esse histórico de experimentação culminou no já consagrado voo do 14-Bis, em 13 de setembro de 1906, quando o aparelho — mais pesado que o ar — subiu a 50 metros de altura em Paris, um marco técnico que o distingue dos dirigíveis a gás construídos até então. 

Semanas depois, na tarde de 23 de outubro de 1906, no Campo de Bagatelle, Santos Dumont arrebatou a Taça Archdeacon com um voo de 70 metros diante de grande público, feito que a FAB celebra em data distinta, o Dia do Aviador.

O Demoiselle e a democratização da aviação

Em 1908, já consolidado como pioneiro, Santos Dumont construiu o "Demoiselle", aeronave cujo desenho serviria de referência para praticamente todos os projetistas que vieram depois. Diferentemente de boa parte de seus projetos anteriores, tudo no Demoiselle era obra direta de Dumont, inclusive o motor — um indicativo do domínio técnico que havia acumulado em pouco mais de uma década de experimentação. 

O modelo se popularizou mundialmente e é apontado como o aparelho no qual uma geração inteira de aviadores aprendeu a voar, consolidando o papel de Santos Dumont não apenas como inventor, mas como formador de uma cultura aeronáutica global.

Reconhecimento institucional pela FAB

Santos Dumont foi consagrado patrono da Aeronáutica Brasileira em 4 de novembro de 1984, reconhecimento oficial por suas contribuições pioneiras à locomoção aérea mundial. A ligação entre o inventor e a Força Aérea, vai além do título simbólico: o sítio de nascimento, a Fazenda Cabangu, é um dos bens tombados sob tutela da FAB, e o coração do inventor está preservado no Museu Aeroespacial (MUSAL), no Rio de Janeiro. 

O Panteão da Pátria Tancredo Neves, em Brasília, também reserva espaço a Santos Dumont no livro de Heróis e Heroínas da Pátria.

Em anos de marcos redondos, como o sesquicentenário de nascimento completado em 2023, a Força Aérea promoveu homenagens especiais, incluindo sobrevoo de dirigível sobre a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em referência ao voo histórico de 19 de outubro de 1901, quando Santos Dumont confirmou ao mundo a dirigibilidade dos balões.

Um legado que ultrapassa o uso militar da aviação

Santos Dumont é frequentemente descrito como defensor da aviação enquanto instrumento de comunicação e paz, em contraste com o uso bélico que a tecnologia passou a ter durante a Primeira Guerra Mundial — período posterior à sua fase mais produtiva como inventor. 

Ainda assim, sua trajetória segue diretamente ligada à formação da identidade institucional da FAB, que reserva à sua memória tratamento equivalente ao de um fundador simbólico da aviação nacional.

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