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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Secretário de Guerra critica aliados europeus e anuncia revisão da presença militar dos EUA

Secretário de Guerra Pete Hegseth critica aliados europeus em Bruxelas e condiciona contribuições financeiras dos EUA ao cumprimento de metas de gastos em defesa

O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou nesta quinta-feira (18), durante reunião de ministros da Defesa da Otan em Bruxelas, uma revisão de até seis meses na postura e na presença militar americana na Europa. 


O objetivo declarado é avaliar como Washington tem apoiado a aliança, como os países parceiros têm contribuído e se a realidade no terreno corresponde ao modelo que o presidente Donald Trump e o próprio Hegseth descrevem como ideal para a Otan, batizado internamente de "Otan 3.0". 


A revisão, segundo o secretário, incluirá consultas ao Congresso americano e aos países aliados, e busca garantir que a Europa assuma de forma irreversível a responsabilidade primária por sua própria defesa convencional.


Discurso em Bruxelas marca tom mais duro com aliados


Durante sua fala perante os ministros da Defesa da Otan, Hegseth classificou de "vergonhosa" a recusa de alguns aliados europeus em conceder às forças americanas acesso a bases no continente para o lançamento de ataques contra o Irã, afirmando que essa postura colocou em risco militares americanos ao negar acesso, apoio logístico e sobrevoo que, segundo ele, deveriam ser assegurados de forma previsível. 


O secretário também afirmou que a Otan tem funcionado, até aqui, como "uma via de mão única", e que esse modelo chegou ao fim.


"Estamos redobrando nosso esforço para fazer da Otan aquilo que ela sempre deveria ter sido: uma aliança equilibrada, com a Europa na liderança de sua própria defesa — a Otan 3.0", afirmou Hegseth durante o discurso em Bruxelas.


Contribuições financeiras dos EUA passam a depender de metas de gastos


Segundo Hegseth, as contribuições financeiras anuais dos Estados Unidos à Otan passarão a ser condicionadas ao cumprimento, pelos demais países-membros, das metas de investimento em defesa estabelecidas pela aliança.


"Nossas contribuições anuais à Otan vão depender do cumprimento, pelos demais países, de suas metas de gastos em defesa; onde os aliados não investirem com urgência, nossas contribuições vão diminuir", disse o secretário.


O governo dos EUA, tem pressionado os parceiros da Otan a destinarem 5% do Produto Interno Bruto a despesas de defesa, meta estabelecida durante a cúpula da aliança em Haia. 

Secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, durante reunião de ministros da Defesa da Otan em Bruxelas

De acordo com dados divulgados pela própria Otan no início deste ano, 31 dos 32 países-membros atingiram a marca de 2% do PIB em gastos de defesa em 2025, ante 18 países em 2024. Hegseth afirmou que vários aliados já avançam de forma consistente em direção à meta de 5%, alguns inclusive à frente do cronograma estabelecido.


O secretário também citou o compromisso dos Estados Unidos de investir mais de 1 trilhão de dólares em defesa em 2026, com previsão de elevar esse valor a 1,5 trilhão de dólares em 2027, valores que, segundo ele, reforçam o que classificou como um "arsenal da liberdade" americano, capaz de proteger tanto os interesses nacionais dos EUA quanto a própria capacidade de dissuasão da Otan.


O que é a "Otan 3.0" e o que muda na presença americana


De acordo com Hegseth, a chamada Otan 3.0 representa uma versão pós-Guerra Fria da aliança, voltada a capacidades militares reais de dissuasão dentro do próprio continente europeu e liderada pelos países europeus, não pelos Estados Unidos. 


O conceito foi inicialmente apresentado em fevereiro deste ano pelo subsecretário de Defesa para Políticas, Elbridge Colby, que já defendia, à época, que caberia aos países europeus assumir a responsabilidade primária por sua segurança.


O secretário de Guerra americano fez questão de afirmar que a revisão anunciada não representa a saída dos Estados Unidos da Otan nem de suas obrigações dentro da aliança. 


Segundo ele, o objetivo é reposicionar o papel americano como o de um parceiro na defesa europeia, e não mais como seu principal condutor, ao mesmo tempo em que assegura que os parceiros europeus da Otan assumam, de fato, maior protagonismo em sua própria defesa.


"Vamos acompanhar de perto os aliados que não fizerem isso, que disserem 'não', 'talvez' ou 'vamos esperar para ver' justamente nos momentos em que isso for mais necessário", afirmou Hegseth. "É uma revisão em que alguns países vão ser reprovados, e outros vão passar com louvor."


Revisão ocorre em meio a cortes de tropas e tensões sobre o Irã


O anúncio da revisão acontece poucas semanas depois de os Estados Unidos comunicarem aos aliados que deixariam de disponibilizar determinados navios de guerra e aeronaves em caso de ataque a algum país-membro, decisão que levou parceiros europeus e o Canadá a buscarem alternativas para preencher as lacunas deixadas. 


O comandante supremo aliado da Otan, sempre um militar americano, já trabalha em planos alternativos para a defesa do continente europeu diante dessa mudança de postura.


Em maio, o Pentágono já havia anunciado a retirada de 5 mil militares americanos da Alemanha, decisão que gerou preocupação entre parlamentares republicanos dos comitês de Forças Armadas do Senado e da Câmara dos Representantes, que pediram um processo de revisão mais deliberado e em coordenação próxima com o Congresso e os aliados.


O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, destacou, durante o mesmo encontro em Bruxelas, que os países da aliança aumentaram seus gastos em defesa em 90 bilhões de dólares no último ano, alta de 20% em relação a 2024.


Próximo encontro será em Ankara


Os países membros da Otan devem se reunir novamente em julho, em Ankara, na Turquia, encontro que conta com expectativa de presença do presidente Donald Trump. O encontro deve ser o próximo momento de avaliação prática das diretrizes anunciadas por Hegseth em Bruxelas, em meio ao processo de revisão da presença militar americana no continente europeu.

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