Iniciativa fortalece a Economia Azul, apoia a conservação marinha e acelera a implantação do Planejamento Espacial Marinho no Brasil
A Marinha do Brasil (MB) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciaram novos investimentos voltados ao desenvolvimento sustentável da Amazônia Azul durante cerimônia realizada a bordo da Fragata Tamandaré (F200), na Base Naval de Mocanguê, em Niterói (RJ).
O evento marcou avanços da iniciativa BNDES Azul, programa criado para apoiar projetos ligados à conservação marinha, à economia do mar e ao Planejamento Espacial Marinho (PEM).
A iniciativa reúne instrumentos financeiros e técnicos destinados ao fortalecimento da governança dos espaços marítimos brasileiros, promovendo ações voltadas à pesquisa científica, inovação, infraestrutura sustentável, restauração ambiental e desenvolvimento econômico associado ao ambiente costeiro e oceânico.
O anúncio ocorreu em um momento de crescente atenção à Amazônia Azul, área marítima sob jurisdição brasileira que abrange aproximadamente 5,7 milhões de quilômetros quadrados e concentra atividades estratégicas para a economia nacional.
BNDES Azul fortalece a Economia do Mar
Lançado em 2024, o programa BNDES Azul busca estimular investimentos capazes de conciliar desenvolvimento econômico e conservação ambiental. Durante a cerimônia, o superintendente de Meio Ambiente do BNDES, Nabil Moura Kadri, destacou a importância da integração entre diferentes áreas para impulsionar o setor.
Segundo ele, o programa demonstra que é possível articular desenvolvimento, inovação, conservação e planejamento em uma mesma estratégia de longo prazo, criando um ambiente mais favorável para investimentos sustentáveis relacionados ao oceano brasileiro.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ressaltou que a proteção dos recursos marítimos também depende da capacidade de defesa e monitoramento dos espaços sob jurisdição nacional.
Durante sua participação, o presidente do BNDES destacou a importância da presença das Forças Armadas na proteção dos recursos pesqueiros, energéticos e naturais existentes na Amazônia Azul, associando a segurança marítima ao desenvolvimento sustentável e à soberania nacional.
Planejamento Espacial Marinho avança na Região Norte
Um dos principais anúncios do evento foi a formalização do apoio ao Consórcio PEM Norte Azul, responsável pela elaboração dos estudos técnicos necessários para a implementação do Planejamento Espacial Marinho na Região Norte.
A iniciativa abrangerá os estados do Maranhão, Pará e Amapá e será responsável pela produção de diagnósticos, levantamentos e análises que subsidiarão o futuro Plano de Gestão do Espaço Marinho da região.
O Planejamento Espacial Marinho foi instituído no Brasil por decreto presidencial em 2025 e integra compromissos assumidos pelo país junto à Organização das Nações Unidas (ONU). Seu objetivo é organizar os diferentes usos do ambiente marinho, reduzindo conflitos entre atividades econômicas, ampliando a segurança jurídica para investidores e fortalecendo a conservação ambiental.
A meta do governo brasileiro é concluir a implementação do PEM em todo o território marítimo nacional até 2030.
Marinha destaca importância estratégica da Amazônia Azul
Durante a cerimônia, o Diretor-Geral de Navegação da Marinha, Almirante de Esquadra Sílvio Luís dos Santos, ressaltou o papel central do mar para a economia brasileira.
Segundo o oficial, mais de 95% do comércio exterior nacional é realizado por via marítima, enquanto recursos energéticos e minerais estratégicos para o país estão localizados em áreas marítimas sob jurisdição brasileira.
O almirante destacou ainda que o fortalecimento da economia do mar depende diretamente da capacidade de conhecer, monitorar, proteger e utilizar de forma sustentável os recursos existentes na Amazônia Azul.
Projetos voltados à conservação dos recifes de coral
Outro destaque do evento foi a formalização do apoio financeiro a dois projetos selecionados pela iniciativa BNDES Corais, voltada à proteção e recuperação dos recifes brasileiros.
Um dos projetos será conduzido pela Conservação Internacional Brasil (CI Brasil) na região Abrolhos-Trindade, considerada uma das áreas de maior biodiversidade marinha do Atlântico Sul. A iniciativa busca ampliar o conhecimento científico sobre habitats marinhos, fortalecer o planejamento costeiro e aumentar a resiliência dos recifes diante das mudanças climáticas.
Também foi contemplado um projeto do Instituto Coral Vivo, que atuará entre os estados da Bahia e Ceará. As ações incluem recuperação de populações de corais, mitigação de impactos causados pelo turismo, apoio a comunidades tradicionais e promoção do uso sustentável dos recursos costeiros.
As iniciativas buscam preservar ecossistemas considerados fundamentais para a biodiversidade marinha e para atividades econômicas como turismo, pesca e proteção natural do litoral contra eventos extremos.
Com informações e fotos: Agencia Marinha de Notícias



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