Pentágono confirma o retorno dos B-1B Lancer aos Estados Unidos uma semana depois da detenção de suspeitos; possível ligação com o Irã é investigada, mas não há conclusão oficial
O Departamento de Guerra (DoW) dos Estados Unidos, confirmou neste domingo (4) que, todos os bombardeiros destacados na RAF Fairford, base em Gloucestershire, no oeste da Inglaterra, retornaram às suas bases de origem em território americano.
O anúncio, foi feito uma semana depois da prisão de cinco homens nas proximidades da instalação, e a base vinha sendo usada como ponto de lançamento de bombardeiros pesados B-1B durante a guerra com o Irã. O comunicado não explica o motivo da saída.
Pentágono confirma o retorno, mas não explica o motivo
Em nota, um funcionário do Pentágono disse que a segurança operacional impedia a confirmação dos deslocamentos em tempo real, mas que agora era possível reconhecer que todos os bombardeiros enviados a Fairford haviam voltado às bases nos Estados Unidos.
O mesmo texto afirma que as tripulações de B-1, B-2 e B-52 seguem prontas para realizar ataques globais de precisão, inclusive em operações que decolam e pousam no território continental americano.
Segundo a CNN, o comunicado não detalha por que as aeronaves foram retiradas. A emissora lembra que uma redução significativa do efetivo já havia ocorrido no fim de setembro, quando seis B-52 Stratofortress voltaram aos Estados Unidos, deixando cerca de uma dúzia de B-1B na base.
Sobre o número de aeronaves, a ITV News informou que cerca de uma dúzia de aviões de combate americanos estava em Fairford e que observadores viram diversos B-1 deixarem a base no domingo.
O DefenceGeek, no X, relatou que 10 dos 12 B-1B decolaram, e que dentre eles uma aeronave, que havia chegado seis dias antes, e que os outros dois deveriam partir no mesmo dia. Trata-se de acompanhamento não oficial, sem confirmação do Pentágono sobre a contagem exata.
Prisões e investigação sobre possível ligação com o Irã
Cinco britânicos, foram presos sob suspeita de preparação de ato terrorista e crimes com explosivos, depois de serem vistos por uma pessoa nas imediações da base na madrugada de 27 de setembro. Os homens foram detidos após três vans serem avistadas no campo, perto de Fairford.
No dia seguinte, a CNBC registrou que a embaixada do Irã negou qualquer envolvimento e classificou as especulações como fabricadas. Na ocasião, o secretário de Defesa britânico, Wes Streeting, afirmou que seria muito imprudente especular sobre o assunto.
O cenário mudou ao longo da semana. Na quarta-feira (30), o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, falou em "fortes indícios" de que o Irã poderia estar por trás do episódio, e a polícia informou a prisão de um sexto homem, com dupla cidadania iraniana e britânica, no centro de Londres, na quinta-feira (1º).
Segundo o Wall Street Journal, autoridades de inteligência dos EUA tinham informações sobre um plano ligado ao Irã para atacar os bombardeiros e o pessoal militar em Fairford. A polícia britânica examina a possibilidade de envolvimento de um Estado estrangeiro, mas não concluiu publicamente que o Irã esteja por trás do caso.
A ligação direta entre a retirada das aeronaves e o suposto plano aparece nas reportagens como contexto temporal, não como explicação oficial. A CNN, por exemplo, observa que o comunicado do Pentágono não informa a razão do deslocamento. A ITV também registra que o presidente Donald Trump se disse "decepcionado" quando os cinco homens foram soltos sob fiança.
O papel de Fairford na campanha contra o Irã
Localizada a cerca de 160 quilômetros a oeste de Londres, a RAF Fairford é uma das bases britânicas usadas pela Força Aérea dos EUA com base em um acordo que remonta à década de 1950.
Abriga o quartel-general da 501ª Ala de Apoio ao Combate e funciona como local avançado de operações do Comando de Ataque Global da USAF. A pista longa a torna adequada para bombardeiros pesados, e a base já foi empregada na Guerra do Golfo, na invasão do Iraque em 2003 e na guerra dos EUA e de Israel contra o Irã neste ano.
O uso da instalação no conflito atual dependeu de autorização britânica. O então primeiro-ministro Keir Starmer liberou o emprego de bases do Reino Unido para o objetivo "específico e limitado" de destruir mísseis iranianos na origem.
Fairford e Diego Garcia, no Oceano Índico, foram as duas instalações liberadas, segundo o então ministro da Defesa, John Healey. Fairford é uma das poucas bases europeias certificadas para operar B-1, B-52 e B-2, o que torna as operações contra o Irã mais eficientes do que decolagens diretas dos Estados Unidos.
Fontes: CNN | ITV News | The National | Jerusalem Post | CNBC | NBC New York/AP | DefenceGeek (X) - Tradução e adaptação textual: DefesaTvNews


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