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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Após série de acidentes, Força Aérea Brasileira reorganiza o tráfego de helicópteros em voo visual no Rio de Janeiro

DECEA eliminará duas rotas, usadas em voos panorâmicos sobre a Floresta da Tijuca e o Cristo Redentor, e ampliará o corredor sobre o mar a partir de novembro

A Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), anunciou que cancelará duas Rotas Especiais de Helicópteros (REH) na cidade do Rio de Janeiro a partir de novembro. 

A REH Boa Vista e a REH Cristo, esta última até a posição Caiçara, deixarão de existir, e a REH Praia será deslocada para mais longe do continente. 

A decisão ocorre após uma sequência de acidentes com helicópteros na capital fluminense em 2026, entre eles a queda na Vista Chinesa, em 8 de agosto, que matou o piloto e três turistas colombianas.

O que muda nas rotas

Segundo o DECEA, as duas rotas canceladas atravessam o Alto da Boa Vista, a Floresta da Tijuca e as proximidades do Cristo Redentor. Esses trajetos eram tradicionalmente usados em voos turísticos e panorâmicos. 

Já a REH Praia, que corre sobre a orla da Zona Sul, será afastada do continente e terá as dimensões laterais ampliadas. Na prática, os helicópteros que utilizam esse corredor sobre o mar passarão a manter uma distância maior da costa.

As REH são corredores definidos para organizar o tráfego de helicópteros em voo visual. Segundo Rolland de Souza, médico, piloto e coordenador da pós-graduação em Medicina Aeroespacial da Escola Superior do Ar, funcionam como "uma espécie de estrada no ar": todos seguem o mesmo caminho e respeitam altitudes predeterminadas, o que permite a pilotos e controladores saber onde estão as aeronaves e manter a separação entre elas.

Em nota, o DECEA afirmou que, dentro de suas competências, mantém o compromisso com a segurança e a fluidez da navegação aérea. O órgão não detalhou, no material disponível, a data exata de entrada em vigor das mudanças nem as novas dimensões da REH Praia.

Sequência de acidentes

A revisão das rotas vem na esteira de outros episódios recentes. Em 14 de junho, dois helicópteros colidiram no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste, e seis pessoas morreram. 

O relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) apontou que as duas aeronaves tinham planos de voo com as mesmas Rotas Especiais de Helicópteros e altitudes coincidentes. 

A colisão aconteceu na REH Grota, entre os pontos Tachas e Piabas. As investigações seguem em andamento, e não há conclusão oficial sobre as causas.

Em 8 de agosto, um helicóptero que fazia voo panorâmico caiu na região da Vista Chinesa, na Floresta da Tijuca. O acidente matou o piloto e três turistas colombianas. As rotas que serão canceladas passam por áreas próximas ao local da queda.

Fiscalização da Anac e ação do MPF

Após o acidente da Vista Chinesa, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) intensificou a fiscalização das empresas de voos panorâmicos na cidade. 

Das 12 autorizadas, nove haviam sido fiscalizadas até agosto, e quatro foram suspensas. Entre as irregularidades encontradas estavam relatórios de voo falsificados para reduzir custos de manutenção.

Em agosto, o Ministério Público Federal (MPF) também ajuizou ação civil pública pedindo medidas de controle e segurança nos voos comerciais de helicópteros no Rio. 

Entre os pedidos, estava que o DECEA direcionasse o tráfego de helicópteros de transporte remunerado de passageiros, inclusive os voos panorâmicos, à REH Praia, corredor existente no litoral carioca, situado a 600 metros da faixa de praia. 

Segundo informações disponíveis, a ação foi proposta contra a União, a ANAC, o Instituto Estadual do Ambiente (INEA) e o município do Rio. 

Avaliação do especialista

Para Rolland de Souza, a decisão de rever as rotas é prudente. Ele lembra que as Regras de Voo Visual preveem procedimentos de comunicação e auto-coordenação entre os pilotos, e que é preciso avaliar se esses procedimentos estão sendo cumpridos e se continuam adequados.

"Tivemos números inaceitáveis de acidentes aéreos com helicópteros no município em um intervalo muito curto de tempo. Isso não é normal", afirmou. Na avaliação dele, Anac e FAB tomaram a decisão correta, e a dúvida a esclarecer é se os pilotos não cumprem as normas, se as regras estão desatualizadas ou se há outro fator envolvido.

Fonte: O Globo – adaptação textual: DefesaTvNews. Informações complementares: Agência Brasil.

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