Frank Kendall, que comandou a Air Force de 2021 a 2025, é acusado de divulgar informações classificadas sobre a aeronave provisória do Air Force One; ex-secretário nega qualquer violação e cogita medidas legais
O Departamento de Guerra dos Estados Unidos revogou, na última sexta-feira, 7 de agosto, a credencial de segurança do ex-secretário da Força Aérea Frank Kendall, sob a acusação de que ele divulgou informações classificadas sobre as capacidades da aeronave VC-25B "Bridge", versão provisória do Air Force One.
O porta-voz-chefe do Pentágono, Sean Parnell, anunciou a decisão em publicação nas redes sociais, afirmando que a medida tem efeito imediato e também impede Kendall de ocupar qualquer cargo sensível dentro do governo. Kendall, que serviu como o 26º secretário da Força Aérea entre 2021 e 2025 durante o governo Joe Biden, nega ter revelado qualquer dado sigiloso.
A acusação do Pentágono
Segundo Parnell, "esta ação decorre da divulgação não autorizada de informações classificadas sobre as capacidades do Air Force One a um veículo de imprensa". O porta-voz não especificou qual informação classificada teria sido revelada nem identificou o veículo de comunicação envolvido.
Em nota, ele acrescentou que "salvaguardar informações classificadas é um dever inegociável" e que "aqueles que violam essa confiança perdem o privilégio de acesso e qualquer função que dele dependa".
A revogação retira de Kendall tanto a elegibilidade para acessar material classificado quanto a possibilidade de ocupar futuras posições sensíveis no governo americano.
O contexto: reportagens sobre o VC-25B
A medida ocorre dias após reportagens de veículos como o New York Times e o Wall Street Journal abordarem as limitações técnicas do VC-25B "Bridge", aeronave convertida a partir de um Boeing 747-8 doado pelo Catar e usada como solução provisória enquanto a Força Aérea aguarda a entrega dos dois VC-25B definitivos, atualmente previstos para 2028 após sucessivos atrasos e estouros de orçamento.
Em reportagem publicada em 9 de julho pelo New York Times, Kendall foi citado afirmando que o processo acelerado de modificação da aeronave doada implicava a ausência de alguns recursos típicos de um VC-25.
Já o Wall Street Journal publicou comparação entre as capacidades do novo jato e as dos antigos VC-25A, apontando diferenças em sistemas como reabastecimento em voo, blindagem contra pulso nuclear, sistemas defensivos, escadas de acesso, manuseio de bagagem e armazenamento de alimentos.
Kendall também foi citado manifestando surpresa com o uso da aeronave fora do território americano em meio às tensões com o Irã.
A defesa de Kendall
Em declarações à Associated Press, Kendall disse estar "completamente perplexo" com a revogação. "Sempre fui extremamente cuidadoso para não dizer nada classificado, e, até onde sei, não disse", afirmou.
Ao site The Hill, reiterou que ninguém lhe informou, até o momento, qual teria sido a informação supostamente revelada. Kendall afirmou ainda estar avaliando opções legais diante da medida.
Um capítulo a mais na disputa política sobre o avião presidencial
Kendall tem sido crítico frequente do governo Trump e do secretário de Defesa Pete Hegseth, questionando publicamente decisões como demissões de assessores jurídicos militares de alto escalão e a condução de ataques letais contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas.
A revogação de sua credencial soma-se a uma série de medidas similares tomadas pela atual gestão contra ex-autoridades de inteligência e defesa ligadas a governos anteriores.
A controvérsia em torno do VC-25B já havia gerado atrito entre o governo e a imprensa: o Departamento de Justiça chegou a intimar jornalistas do New York Times para tentar identificar fontes da reportagem sobre a aeronave, mas retirou as intimações após críticas de um juiz sobre falhas no procedimento legal.
Não há, até o momento, confirmação oficial sobre qual informação específica teria motivado a revogação, tampouco indicação de que o caso envolva processo criminal contra Kendall.


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