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domingo, 26 de julho de 2026

Marinha dos EUA avança projeto de US$ 30 bilhões para novo dique seco de porta-aviões na Costa Oeste

Estaleiro de Puget Sound, em Washington, receberá instalação capaz de atender porta-aviões das classes Ford e Nimitz, suprindo lacuna histórica de manutenção na região do Pacífico

A Marinha dos Estados Unidos (US Navy) publicou um aviso de intenção (Sources Sought) para um contrato multimissão avaliado em até US$ 30 bilhões, destinado à construção de um novo dique seco no Estaleiro Naval de Puget Sound (PSNS & IMF), na Base Naval de Kitsap, em Bremerton, Washington. 

A iniciativa busca suprir a atual incapacidade da força naval de realizar manutenção de nível profundo em porta-aviões da classe Gerald R. Ford na região do Pacífico Noroeste, além de ampliar a capacidade de atendimento a navios da classe Nimitz na Costa Oeste do país.

O contrato, do tipo MACC (multiple-award construction contract, ou contrato de construção com múltiplos vencedores), tem prazo inicial de cinco anos, com possibilidade de três prorrogações anuais. 

Segundo o aviso publicado pela Marinha, a nova estrutura será um dique seco totalmente aliviado de pressão, apto a receber serviços de reparo tanto para o porta-aviões da classe Ford quanto para as unidades da classe Nimitz, além de outros navios de superfície e submarinos atendidos pelo PSNS & IMF.

Lacuna operacional no Pacífico

De acordo com o site oficial do projeto Multi-Mission Dry Dock, a Marinha atualmente não dispõe de capacidade para executar manutenção de nível profundo em porta-aviões da classe Ford na região do Pacífico Noroeste. 

A limitação se estende também às unidades mais antigas da classe Nimitz: o único dique seco da Costa Oeste apto a receber esse tipo de porta-aviões é a Dry Dock 6 (DD6), instalação que não atende aos padrões atuais de resiliência sísmica e não comporta integralmente os navios da classe Ford.

Estrutura do contrato e fases da obra

O MACC prevê múltiplas ordens de serviço (task orders), com valores que costumam variar entre US$ 2 bilhões e US$ 6 bilhões cada, além de ordens de menor porte voltadas ao envolvimento antecipado de contratados e ao desenvolvimento de conceitos técnicos alternativos. 

Segundo o aviso da Marinha, o foco do contrato será a construção do novo Dique Seco Multimissão na área hoje ocupada pela Dry Dock 3 e pelos Píeres 6 e 7.

O escopo da obra inclui sistemas de drenagem, secagem e inundação do dique, instalação de caixão (caisson), redes viárias e ferroviárias, trilhos para guindaste portal, elementos de acesso e saída, sistemas mecânicos, elétricos e de comunicação, edificações de apoio e túneis de utilidades. O projeto prevê ainda a demolição de instalações e redes de utilidades já existentes no local.

A execução está dividida em quatro etapas principais. A primeira ordem de serviço deve contemplar dragagem, além de intervenções em píeres, edificações e redes de utilidades. A segunda etapa envolve a demolição da atual Dry Dock 3 e a construção do novo dique multimissão. 

A terceira ordem de serviço tratará da infraestrutura de apoio, incluindo subestações elétricas, túneis de utilidades e trilhos de guindaste para as edificações. Já a quarta e última etapa será destinada especificamente à construção do caixão do dique.

Mais de um século de história naval

O Estaleiro Naval de Puget Sound é uma presença consolidada na estrutura da Marinha americana há mais de cem anos. A história do local remonta a 1891, quando a força naval adquiriu 190 acres de terra por US$ 10 mil — o equivalente a cerca de US$ 367 mil em valores atuais — para a criação da Naval Station Puget Sound. 

A instalação foi transformada em estaleiro em 1900 e permaneceu como a única instalação de reparo naval da Marinha na Costa Oeste até 1941.

Segundo dados da própria Marinha, entre 1917 e 1969 o Estaleiro Naval de Puget Sound construiu um total de 85 embarcações, incluindo alguns dos maiores navios já erguidos na Costa Oeste dos Estados Unidos.

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