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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Marinha dos EUA altera doutrina de treinamento e elimina pouso real em porta-aviões para alunos da Aviação de Caça

Enquanto futuros pilotos de caça deixam de realizar qualificações de pouso no mar com o jato T-45 Goshawk, disputa pelo programa de substituição UJTS se afunila entre duas concorrentes de motores duplos.

No fim de junho de 2026, a Marinha dos EUA (US Navy) realizou uma série de qualificações de pouso em porta-aviões (Carrier Qualifications - CQ) a bordo do USS Dwight D. Eisenhower (CVN 69) utilizando jatos de instrução T-45 Goshawk, evidenciando uma transição histórica na formação de seus aviadores navais. 

Atualmente, a exigência de pousos reais no mar e treinos de toque e arremetida em pistas terrestres foi eliminada para os futuros pilotos de caça tática (Strike), mantendo-se obrigatória apenas para os alunos da linha do turboélice de alerta antecipado E-2 Hawkeye e estudantes militares estrangeiros. 

A mudança faz parte de uma ampla reformulação doutrinária conduzida pelo Comando de Treinamento Aéreo Naval (CNATRA) para mitigar a escassez crônica de pilotos e reduzir custos operacionais, transferindo grande parte do adestramento de pouso de alta intensidade para o ambiente virtual de simuladores avançados.

O Novo Cenário do Treinamento de Caça

As recentes imagens divulgadas pela Marinha mostrando jatos T-45 Goshawk, tocando o convés do USS Dwight D. Eisenhower representam um protocolo que está se tornando exceção. 

Segundo dados do CNATRA, dos 26 alunos que participaram desse ciclo de treinamento, 17 eram alunos de E-2 Hawkeye, sete eram militares estrangeiros e apenas dois eram de aviação de caça . A inclusão desses dois últimos ocorreu unicamente devido à disponibilidade temporária de espaço no convés e horas de voo das aeronaves de instrução.

Para a grande maioria dos futuros pilotos de caça da linha de frente (como os de F/A-18E/F Super Hornet e F-35C Lightning II), a nova diretriz significa que o primeiro pouso real em um porta-aviões só acontecerá após a formatura e a obtenção das "asas de ouro". Até lá, todo o processo de aproximação e pouso embarcado será assimilado em ambiente virtual.

A Eliminação do Toque Físico na Pista Terrestre

Como parte do programa Undergraduate Jet Training System (UJTS), que visa substituir a frota de quase 200 jatos T-45 Goshawk, a US Navy removeu do edital de concorrência a exigência de que a nova aeronave realize toques físicos no solo durante o treinamento de pista conhecido como Field Carrier Landing Practice (FCLP). 

Historicamente, o FCLP simulava de forma rigorosa em bases terrestres as condições de descida e impacto necessárias para o pouso enganchado.

O capitão Duane Whitmer, gerente do programa UJTS no Comando de Sistemas de Aviação Naval (NAVAIR), esclareceu que o novo sistema de treinamento foi desenhado como um ecossistema integrado que combina a aeronave física a simuladores de última geração. 

T-45 Goshawk aproximando-se para pouso no USS Dwight D. Eisenhower durante treinamento de qualificação em porta-aviões em junho de 2026. USN

O objetivo é fazer com que a capacidade de FCLP exista na estrutura geral do programa de simulação, sem a necessidade de submeter a estrutura física da nova aeronave aos severos impactos do pouso vertical simulado na pista.

Tecnologia Virtual e Sistemas de Pouso Automatizados

A decisão da Marinha, de afastar os alunos dos pousos reais na fase de instrução básica fundamenta-se nos avanços das tecnologias de simulação e nos sistemas automatizados de auxílio ao pouso. 

Ferramentas como o Precision Landing Mode (PLM), conhecido anteriormente como Magic Carpet, reduziram drasticamente a carga de trabalho dos pilotos de caça durante a aproximação final, automatizando o controle de planeio e potência da aeronave.

Por outro lado, o fim das qualificações reais na fase inicial de treinamento gera debates na comunidade aeronaval. Críticos apontam que simuladores, por mais realistas que sejam, não conseguem replicar a pressão fisiológica e o estresse psicológico de um pouso noturno real em um convés de voo em movimento. 

Além disso, a frota de aeronaves de alerta antecipado E-2 Hawkeye ainda não se beneficia plenamente dessas tecnologias de automação de pouso, embora a Marinha já planeje a integração do sistema Precision Approach Landing Capability (PALC) para mitigar essa lacuna de desempenho.

A Disputa pelo Contrato UJTS

A frota de jatos T-45 Goshawk, em operação desde a década de 1990, deve continuar voando até 2040, mas enfrenta crescentes desafios de manutenção, incluindo episódios de hipóxia relatados por tripulantes e falhas mecânicas severas. 

O cronograma original do UJTS previa a entrada em serviço do substituto em 2028, contudo, atrasos no processo de seleção empurraram a escolha do vencedor para 2027.

O cenário competitivo do UJTS sofreu mudanças profundas em 2026. Com a saída da Lockheed Martin (associada à KAI) em abril e a desistência da Boeing (com o T-7A Red Hawk) em junho, restam apenas duas grandes propostas na disputa:

  • SNC Freedom Jet: Apresentado pela Sierra Nevada Corporation em parceria com a Northrop Grumman e a General Atomics. O projeto mantém, de forma voluntária, a capacidade estrutural para que a aeronave realize treinos físicos de FCLP no solo.
  • Beechcraft M-346N: Proposta liderada pela Textron em parceria com a italiana Leonardo, baseada na consagrada plataforma de treinamento bimotor M-346.

A definição do vencedor moldará as próximas décadas da aviação embarcada dos Estados Unidos, consolidando a simulação digital como o pilar central da formação militar no mar.

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