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quinta-feira, 16 de julho de 2026

Drone YFQ-44A Fury dispara primeiro míssil AIM-120 AMRAAM e abre nova fase no programa CCA dos EUA

Drone de combate da Anduril é o primeiro "wingman leal" americano a lançar um míssil ar-ar guiado em teste real, marco que aproxima o programa de caças não tripulados da Força Aérea dos EUA da operacionalização plena

A Força Aérea dos Estados Unidos e a empresa Anduril Industries confirmaram, nesta quarta-feira (15), que o drone de combate colaborativo (CCA), YFQ-44A Fury. realizou o primeiro disparo de um míssil real de sua história, um AIM-120 AMRAAM lançado contra um alvo digital simulado. 

O teste ocorreu em espaço aéreo reservado sobre o Deserto de Mojave, na Califórnia, com decolagem a partir da Base Aérea de Edwardsem, no dia 10 de julho, mas somente confirmado pela Força Aérea e pela Anduril, cinco dias depois. 

O evento marca a primeira vez que uma aeronave CCA, dos Estados Unidos, emprega um míssil ar-ar guiado contra um alvo, consolidando um passo decisivo para transformar o conceito de "wingman leal" em capacidade operacional real. 

O disparo foi descrito pela Anduril como um ataque completo, do início ao fim, executado além do alcance visual do operador contra um alvo simulado. Segundo a empresa, o YFQ-44A decolou de Edwards, o software de autonomia Lattice recebeu os dados de rastreamento do alvo, um operador humano ordenou o engajamento e o drone disparou o AIM-120 conforme instruído. 

A sequência foi conduzida em parceria com a Combined Test Force, subordinada à 412ª Ala de Teste, equipe formada por militares da ativa, servidores civis do governo e contratados responsáveis por validar os modelos necessários para uma execução segura de tiro real.

Na configuração atual, o YFQ-44 carrega armamento externo, em dois pontos de fixação sob as asas — um míssil AIM-120 foi lançado a partir do hardpoint de bombordo, montado externamente sob a asa da aeronave. 

A Força Aérea reforçou que a decisão de emprego de qualquer arma continua exclusivamente nas mãos de um operador humano, que mantém comando e controle da plataforma em todos os momentos, e que o CCA não emprega armamento de forma autônoma. 

Como o teste se encaixa no cronograma do programa

O marco de hoje é a etapa mais recente de uma progressão de testes que começou no início do ano, com avaliações de transporte com munição inerte. Em fevereiro, a Força Aérea já havia divulgado a primeira imagem do YFQ-44A carregando um AIM-120 inerte, confirmando a entrada do programa na fase de integração de armamento. 

As avaliações seguintes validaram a integração do link de dados entre a aeronave e o sistema de armas, garantindo que os comandos do operador fossem executados com precisão em ambiente simulado, antes de se avançar para a separação e o disparo reais.

O general Dale White, gerente de portfólio de sistemas de armas críticos da Força Aérea, afirmou que a transição do transporte inerte para o disparo real demonstra a maturidade do programa, permitindo validar os modelos de integração digital com dados reais de voo. Já o general Kenneth Wilsbach, chefe do Estado-Maior da Força Aérea, classificou o teste como um passo relevante rumo à entrega de capacidades ao combatente.

O programa CCA e os dois modelos em desenvolvimento

O YFQ-44A é um dos dois protótipos que compõem o Incremento 1 do programa Collaborative Combat Aircraft, ao lado do YFQ-42A Dark Merlin, da General Atomics. Batizado internamente de "Fury", o projeto da Anduril nasceu originalmente como plataforma agressora da Blue Force Technologies — empresa incorporada pela Anduril em 2023 — e foi adaptado para a disputa do CCA. 

Tecnicamente, trata-se de uma aeronave não tripulada de configuração similar à de um caça, com aproximadamente metade das dimensões de um F-16, capaz de voar a até 15.200 metros de altitude e Mach 0,95, suportando cargas de até 9 g. 

O projeto é pensado para operar em conjunto com caças tripulados como F-35, F-22, F-15EX e o futuro F-47, ampliando o alcance sensorial e assumindo missões de maior risco.

No mês passado, a Força Aérea anunciou os primeiros contratos de produção para os dois modelos, que devem formar uma frota inicial mista de CCAs. De acordo com registros do programa, a expectativa é produzir ao menos 150 unidades combinadas entre os dois modelos até o fim da década, conforme cronograma da contratação inicial de produção. 

Para o ano fiscal de 2027, a Força Aérea solicitou um pacote total de US$ 2,37 bilhões destinados ao programa, dividido entre US$ 996,5 milhões em recursos de aquisição, US$ 150 milhões em aquisição antecipada para o exercício seguinte e US$ 1,37 bilhão em pesquisa e desenvolvimento contínuos. 

Até o momento, o YFQ-42A da General Atomics não foi visto carregando nenhum tipo de munição, inerte ou real. A aeronave passou por uma interrupção nos testes de voo entre abril e maio deste ano, após a perda total de um exemplar em acidente atribuído a um erro de cálculo do piloto automático relacionado a peso e centro de gravidade da aeronave — ninguém ficou ferido no episódio, e o problema foi resolvido por meio de uma correção de software. 

Os voos foram retomados no fim de maio, e a Força Aérea e a General Atomics indicam que o primeiro disparo real do YFQ-42A deve ocorrer ainda neste ano. 

O que vem a seguir

A Força Aérea dos EUA já havia sinalizado que o combate ar-ar será a missão principal da frota inicial de CCAs, complementando a capacidade sensorial dos caças tripulados aos quais os drones estarão vinculados. 

Outras missões, como ataque eletrônico e reconhecimento, devem ser incorporadas em ciclos futuros de desenvolvimento. Para os planejadores da Força Aérea, os CCAs representam massa adicional de combate, sobretudo diante de um eventual confronto de alta intensidade contra adversários como a China, reduzindo o risco a pilotos em plataformas tripuladas e abrindo novas possibilidades táticas. 

Com a meta de começar a operacionalizar os primeiros CCAs ainda antes do fim da década, a expectativa é de que os testes de armamento se intensifiquem nos próximos meses, tanto para o Fury quanto para o Dark Merlin.

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