Pequim acusa forças japonesas de realizar rastreamento próximo e ações consideradas provocativas durante treinamento naval de longa distância envolvendo o porta-aviões Liaoning e navios anfíbios Type 075.
A Marinha do Exército de Libertação Popular da China (PLA Navy) afirmou que o grupo de batalha do porta-aviões Liaoning foi alvo de monitoramento próximo e ações classificadas como “assédio” por parte de navios e aeronaves japoneses durante um extenso ciclo de treinamento realizado entre maio e junho de 2026 no Pacífico Ocidental e no Mar do Sul da China.
Segundo a mídia estatal chinesa, o grupo manteve elevado estado de prontidão durante toda a operação, que incluiu exercícios conjuntos inéditos com navios de assalto anfíbio Type 075. O episódio ocorre em meio à crescente deterioração das relações entre Pequim e Tóquio.
China relata acompanhamento constante de forças japonesas
Após o retorno do grupo de batalha do porta-aviões Liaoning, veículos estatais chineses divulgaram detalhes da missão de treinamento em águas distantes iniciada em 19 de maio. Segundo os relatos, embarcações e aeronaves japonesas realizaram repetidas missões de rastreamento, vigilância e acompanhamento em curta distância ao longo das operações.
As informações surgem após relatos anteriores indicando que o destroier japonês JS Asahi, monitorou o grupo do Liaoning e teria participado de uma interação operacional com a fragata chinesa Luohe, da classe Type 054B.
De acordo com a versão chinesa, o grupo aeronaval respondeu às ações japonesas por meio de mudanças constantes de formação, emprego contínuo de aeronaves embarcadas e manutenção de um sistema integrado de alerta antecipado e reconhecimento.
Exercícios incluíram operações conjuntas com navios anfíbios
Os treinamentos também marcaram o primeiro exercício divulgado publicamente, envolvendo a integração entre um grupo de porta-aviões e uma força anfíbia, liderada por um navio de assalto anfíbio Type 075.
Segundo os relatos chineses, as atividades incluíram voos táticos de aeronaves embarcadas, exercícios de busca e salvamento, operações de combate em ambiente de sistemas integrados terra-mar e treinamento de coordenação entre diferentes componentes da frota.
Pequim considera esse tipo de operação essencial para ampliar sua capacidade de projeção de poder e de combate em áreas marítimas distantes do território continental.
Tensões sino-japonesas seguem em alta
O episódio ocorre em um contexto de crescente tensão entre China e Japão. As relações bilaterais se deterioraram significativamente após a chegada ao poder da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi.
Autoridades e analistas chineses interpretaram declarações da líder japonesa sobre um eventual envolvimento de Tóquio em um conflito relacionado a Taiwan como uma ameaça direta aos interesses estratégicos chineses.
Em dezembro de 2025, incidentes envolvendo aeronaves militares dos dois países ampliaram as preocupações regionais. Relatos indicaram que caças chineses J-15B teriam conseguido estabelecer travamento de radar contra aeronaves japonesas F-15J durante encontros sobre águas internacionais ao sudeste de Okinawa.
Cresce a atividade aérea militar na região
Dados divulgados pelo Ministério da Defesa do Japão mostraram aumento expressivo das decolagens de alerta da Força Aérea de Autodefesa em dezembro de 2025. Foram registradas 79 missões de interceptação no período, contra 33 no mês anterior.
Segundo Tóquio, 53 dessas missões envolveram aeronaves chinesas e 23 foram motivadas pela aproximação de aeronaves russas.
Analistas regionais avaliam que a intensificação das atividades militares chinesas no Pacífico Ocidental e a resposta cada vez mais frequente das forças japonesas indicam que encontros entre meios navais e aéreos dos dois países continuarão ocorrendo com elevada frequência nos próximos anos.



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