Moscou realiza uma das maiores manobras nucleares dos últimos anos envolvendo mísseis balísticos, submarinos, aviação estratégica e sistemas táticos posicionados em Bielorrússia
A Rússia iniciou uma ampla série de exercícios nucleares estratégicos envolvendo diferentes componentes de sua tríade nuclear e sistemas táticos de ataque, em uma demonstração de força voltada à OTAN e ao Ocidente em meio à guerra na Ucrânia.
As manobras, realizadas entre 19 e 21 de maio, mobilizaram cerca de 64 mil militares, mais de 200 lançadores de mísseis, 140 aeronaves, 73 navios de superfície e 13 submarinos.
Segundo o Ministério da Defesa russo, os exercícios tiveram como foco o treinamento das forças nucleares “sob ameaça de agressão”, integrando capacidades estratégicas e táticas em múltiplos teatros operacionais. As atividades envolveram unidades das Forças de Mísseis Estratégicos, da aviação de longo alcance, das frotas do Norte e do Pacífico, além de sistemas nucleares posicionados na Bielarrúsia.
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| Míssil balístico intercontinental RS-24 Yars com capacidade nuclear |
Entre os sistemas empregados teve o: RS-24 Yars, lançado a partir do Cosmódromo de Plesetsk em direção à Península de Kamchatka. Considerado a espinha dorsal da dissuasão nuclear terrestre russa, o Yars equipa oito divisões estratégicas e possui capacidade MIRV, permitindo o emprego de múltiplas ogivas nucleares independentes contra diferentes alvos.
Outro vetor estratégico utilizado foi o R-29RMU2 Sineva, disparado por um submarino nuclear da classe Delta IV, com alcance suficiente para atingir alvos nos Estados Unidos e na Europa sem deixar o Ártico russo.
As forças da Bielorrússia também participaram das manobras utilizando o sistema 9K720 Iskander-M no campo de testes de Kapustin Yar. No componente aéreo, a Força Aeroespacial Russa lançou o míssil hipersônico Kh-47M2 Kinzhal a partir de um caça MiG-31K/I, enquanto um bombardeiro estratégico Tupolev Tu-95 realizou disparos de mísseis de cruzeiro Kh-101/102.
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| Bombardeiro estratégico russo Tu-95MSM com oito mísseis de cruzeiro Kh-101/2 |
O sexto sistema empregado foi o míssil hipersônico naval 3M22 Zircon, lançado pela fragata Admiral Gorshkov no Mar de Barents. Capaz de atingir velocidades próximas a Mach 9 e alcançar alvos a mais de mil quilômetros de distância, o Zircon é considerado uma das armas mais avançadas atualmente em operação na Marinha Russa.
Analistas avaliam que Moscou busca demonstrar sua capacidade de conduzir operações nucleares integradas em diferentes níveis de escalada, combinando armas estratégicas de longo alcance com sistemas nucleares táticos próximos às fronteiras da OTAN.
A participação de Bielorrússia é considerada um dos elementos mais sensíveis das manobras, especialmente devido à movimentação de munições nucleares e lançadores móveis em áreas próximas ao flanco oriental da aliança militar ocidental.
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| Lançamento do míssil de cruzeiro hipersônico russo Zircon |
As manobras ocorrem em um momento de crescente deterioração das relações entre Rússia e OTAN, intensificação dos ataques ucranianos com drones em território russo e aumento da cooperação militar entre países europeus e Kiev.
O Kremlin também busca reforçar sua política de dissuasão nuclear após o fim do tratado New START, último grande acordo de limitação nuclear entre Moscou e Washington, expirado em fevereiro de 2026.




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