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quinta-feira, 21 de maio de 2026

França testa blindado Leclerc contra drones e consegue destruir alvo aéreo com munição de 120 mm

Exército francês adapta carro de combate para enfrentar ameaças FPV após lições da guerra na Ucrânia

Durante testes de tiro real em Abu Dhabi, um carro de combate principal Leclerc do Exército Francês, pertencente ao 5º Regimento de Couraceiros, abateu com sucesso um drone utilizando uma munição canister OEFC F1 de 120 mm, com o objetivo de avaliar capacidades oportunistas de defesa antidrone de curto alcance. (Fonte: Exército Francês)

O Exército francês realizou testes bem-sucedidos utilizando o carro de combate Leclerc contra drones FPV durante exercícios de tiro realizados em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Durante os testes, o blindado conseguiu destruir um drone utilizando uma munição especial OEFC F1 de 120 mm, projetada para criar um cone de fragmentação semelhante ao disparo de uma espingarda de grande calibre.

A demonstração foi confirmada em 20 de maio pelo comandante da 2ª Brigada Blindada do Exército Francês. Segundo os militares franceses, o objetivo foi avaliar a capacidade do Leclerc de atuar em autodefesa contra drones FPV, quadricópteros e munições vagantes, ameaças que passaram a representar um dos maiores riscos para blindados modernos desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Os testes utilizaram a munição OEFC F1, desenvolvida pela então GIAT Industries — atualmente KNDS France — capaz de dispersar aproximadamente 1.100 esferas de tungstênio em alta velocidade logo após deixar o cano do tanque. Em vez de depender de impacto direto, o sistema utiliza saturação volumétrica para aumentar a probabilidade de destruição do alvo aéreo.

De acordo com o Exército francês, os testes simularam cenários mais complexos do que os normalmente observados nos conflitos da Ucrânia e do Oriente Médio, incluindo aproximações laterais, trajetórias irregulares e drones voando em diferentes altitudes. As avaliações fazem parte de um esforço mais amplo das forças armadas francesas para adaptar blindados convencionais ao novo ambiente de guerra dominado por drones de baixo custo.

O conceito lembra soluções improvisadas vistas no conflito ucraniano, onde forças russas e ucranianas passaram a instalar grades metálicas, sistemas de guerra eletrônica e armas adicionais em tanques para enfrentar ataques FPV. A França, entretanto, aposta em uma abordagem diferente: reutilizar munições já existentes do Leclerc para criar uma capacidade emergencial antidrone sem necessidade de instalar novos sistemas externos.

Apesar dos resultados positivos, os militares franceses reconhecem limitações importantes. O Leclerc possui restrições de elevação do canhão, capacidade limitada de munição e custo operacional elevado em comparação com sistemas dedicados de defesa antiaérea de curto alcance. Por isso, a solução é tratada como uma capacidade “oportunista” de autodefesa, e não como substituta de sistemas SHORAD especializados.

Os testes foram conduzidos pelo 5º Regimento de Couraceiros francês, unidade estacionada permanentemente em Abu Dhabi desde 2016 e frequentemente exposta a cenários operacionais envolvendo drones e munições vagantes no Oriente Médio. 

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