Aquisição reforça estratégia de guerra expedicionária e negação marítima no Indo-Pacífico
O Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC) ampliará sua capacidade de combate antinavio após a assinatura de um novo contrato de US$ 70,6 milhões com a Oshkosh Defense para a produção de veículos lançadores não tripulados ROGUE-Fires, plataforma utilizada pelo sistema Navy Marine Expeditionary Ship Interdiction System (NMESIS).
O contrato, anunciado em 30 de maio de 2026, reforça a estratégia do Corpo de Fuzileiros Navais de desenvolver forças de ataque distribuídas, capazes de operar em áreas contestadas e ameaçar embarcações inimigas a partir de posições dispersas ao longo de litorais e arquipélagos estratégicos.
Segundo informações divulgadas pela Oshkosh Defense e pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, os novos veículos serão produzidos até setembro de 2028. Os trabalhos ocorrerão principalmente em Oshkosh, no estado de Wisconsin, com atividades de suporte realizadas na Virgínia, Maryland e Pensilvânia.
Embora o número exato de veículos incluídos na encomenda não tenha sido divulgado, a aquisição demonstra a continuidade dos investimentos norte-americanos em capacidades de negação de área e de acesso marítimo, consideradas fundamentais para futuros cenários de conflito no Indo-Pacífico.
O sistema NMESIS combina o míssil antinavio Naval Strike Missile (NSM) com o veículo terrestre não tripulado ROGUE-Fires, criando uma capacidade móvel de ataque contra navios de superfície. O conceito permite que pequenas unidades expedicionárias realizem disparos de precisão contra alvos navais sem expor diretamente suas equipes ao fogo inimigo.
Desenvolvido por meio da cooperação entre Oshkosh Defense, Raytheon, Kongsberg Defence & Aerospace e o Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, o NMESIS foi concebido para operar em regiões costeiras e áreas insulares de elevado valor estratégico.
O principal armamento do sistema é o Naval Strike Missile (NSM), míssil antinavio de quinta geração com alcance superior a 185 quilômetros. O armamento utiliza perfil de voo rente à superfície do mar, capacidade autônoma de reconhecimento de alvos e elevada resistência a contramedidas eletrônicas.
Diferentemente de muitos mísseis antinavio mais antigos, que dependem principalmente de radares para guiamento terminal, o NSM emprega um sensor infravermelho de imagem combinado com sistemas de navegação por referência ao terreno, permitindo operações em ambientes altamente contestados do ponto de vista eletrônico.
A plataforma ROGUE-Fires é derivada da família de veículos Joint Light Tactical Vehicle (JLTV), amplamente utilizada pelas Forças Armadas dos Estados Unidos. O veículo recebeu modificações para operar sem tripulação a bordo por meio de uma arquitetura de controle robótico desenvolvida em parceria com a empresa Forterra.
As versões demonstradas pelo Corpo de Fuzileiros Navais incorporam sistemas de condução remota, navegação autônoma e lançadores capazes de transportar dois mísseis NSM prontos para disparo.
Apesar da transformação em plataforma não tripulada, o ROGUE-Fires preserva as características de mobilidade do JLTV, incluindo elevada capacidade fora de estrada, suspensão independente e operação em terrenos austeros, ampliando sua capacidade de sobrevivência no campo de batalha.
O desenvolvimento do NMESIS está diretamente ligado ao conceito operacional Expeditionary Advanced Base Operations (EABO), que prevê o emprego de pequenas forças distribuídas em ilhas, litorais e pontos estratégicos para controlar gargalos marítimos e restringir a liberdade de manobra de forças navais adversárias.
Nesse modelo, unidades expedicionárias podem estabelecer posições temporárias de tiro, lançar ataques contra navios inimigos e deslocar-se rapidamente antes da identificação e reação das forças adversárias.
No nível operacional, o sistema oferece uma importante capacidade de negação marítima. A operação remota dos lançadores permite posicionar os veículos em áreas de maior risco enquanto os operadores permanecem em locais mais protegidos.
Em um eventual cenário de crise no Pacífico Ocidental, unidades equipadas com o NMESIS poderiam criar zonas sobrepostas de engajamento antinavio a partir de diversas ilhas e posições avançadas, dificultando significativamente o deslocamento de grupos navais adversários.
O sistema já foi submetido a diversos testes operacionais. Em 2021, durante o exercício Large Scale Exercise, o NMESIS destruiu com sucesso um alvo naval de superfície, marcando uma das primeiras demonstrações práticas de um sistema terrestre não tripulado de ataque antinavio em serviço nas forças norte-americanas.
Desde então, exercícios realizados no Havaí e em outras áreas do Pacífico integraram o sistema a arquiteturas conjuntas de ataque marítimo envolvendo meios navais, aéreos e terrestres.
Os testes também comprovaram a capacidade do sistema de receber dados de alvos provenientes de sensores externos, incluindo aeronaves, navios de guerra e redes de inteligência, permitindo ataques além do horizonte visual da unidade lançadora.
A expansão contínua da frota NMESIS reflete mudanças mais amplas na doutrina militar dos Estados Unidos, que passou a priorizar redes distribuídas de ataque de precisão para enfrentar ameaças navais modernas.
Com o crescimento da presença naval chinesa e a ampliação do arsenal de mísseis de longo alcance de Pequim, sistemas como o NMESIS são vistos por Washington como elementos fundamentais para reforçar a dissuasão e garantir a capacidade de contestar o domínio marítimo em regiões estratégicas do Indo-Pacífico.


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